sexta-feira, 28 de junho de 2019

PRÁTICA INTERATIVA DO CONHECIMENTO

Como sujeitos sociais, nossas aprendizagens são moldadas por nossas interações com o outro, como abordei em meu Portfólio de Aprendizagens de setembro de 2017. Na postagem Conhecimento é Interação, refleti sobre o construtivismo na escola, com situações de aprendizagem oportunizadas pelo professor para que o aluno desenvolva suas estruturas mentais, base do pensamento e do raciocínio lógico.

Fazendo relação com meu estágio em uma turma da Educação de Jovens e Adultos (EJA), destaco a necessidade de uma visão sociointeracionista do professor, principalmente por, no caso da alfabetização, aproximar o conteúdo das práticas cotidianas do aluno. Como modelo pedagógico, a EJA é experimental e deve ser construída com a participação dos envolvidos, pois é a prática interativa dos conhecimentos adquiridos que fará o resgate dos direitos do indivíduo e seu engajamento na sociedade.

Nesse quesito, em termos de educação nacional, o acesso e domínio da leitura e escrita ainda enfrenta muitos obstáculos, pois, de acordo com Soares (1998, p. 19), "alfabetizado nomeia aquele que apenas aprendeu a ler e escrever, não aquele que adquiriu o estado ou a condição de quem se apropriou da leitura e da escrita". Como meu contexto do estágio não foi diferente de outros desta modalidade, considero que fazer uso do ler e escrever é imprescindível para constituir um cidadão consciente e atuante na sociedade.

Nessa questão de construir com os alunos as experiências pedagógicas diárias, ao trabalhar a escrita e o sentido das palavras, confirmei a necessidade de inseri-las no contexto social dos alunos para que estes valorizassem seu aprendizado. Relacionar a data (dia, mês e ano) com o município e/ou eventos da comunidade, por exemplo, tornou a tarefa mais concreta e justificou o esforço dos mesmos em registrar em seu caderno estes fatos. O papel do professor, então, está na escolha e na mediação dos fatos e dos conceitos relevantes para despertar o envolvimento dos alunos e predispô-los a entender o que é lido e escrito, incluindo suas experiências cotidianas. Conforme Fernandes (2010, p. 19): "O letramento é entendido como produto da participação em práticas sociais que usam a escrita como sistema simbólico e tecnologia."

Assim, se formos colocar nosso foco pedagógico no letramento, torna-se essencial que as práticas sociais sejam abordadas em sala de aula. Atividades e debates devem manifestar o universo dos alunos, mas com uma pitada de novos conhecimentos para que não se limitem a apenas reproduzir suas realidades.

REFERÊNCIAS:

FERNANDES, Maria. Os segredos da alfabetização. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2010.

SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte: CEALE/ Autêntica, 1998.

quinta-feira, 27 de junho de 2019


Uma grande parte das minhas postagens no Portfólio de Aprendizagens fez referência à Educação de Jovens e Adultos e uma delas, a de setembro de 2018, compreende a EJA como um espaço de práticas pedagógicas de interação e diálogo. No caso da alfabetização de adultos, então, destaca a importância de dar sentido para a leitura e para a necessidade de expressão de cada indivíduo na sociedade em que vive.

Tomando como ponto de partida a própria sala de aula e o grupo social representado pelos alunos, aulas significativas precisam ter ênfase na leitura de tudo, desde placas de identificação até páginas de livros, para que os mesmos explorassem o conteúdo de imagens, propagandas, reportagens, receitas e embalagens de produtos, entre outros. Durante a alfabetização, ao incentivar a percepção da realidade, os professores constroem com os alunos os conceitos para compreender o que está a nossa volta.

Durante o letramento, alunos e professores convivem em um mundo de informações multifacetadas que exigem um filtro crítico que encaminhe para o crescimento do conhecimento, bem como de um posicionamento ético perante a vida em sociedade. Mas o que faz de uma leitura um processo crítico? Decodificar símbolos (letras) não dá significado, mas um pensamento interpretativo que insere o objeto do pensamento no contexto social não só carrega de significado, mas também identifica o indivíduo no mundo contemporâneo em que vive. Conforme Garcia; Silva e Felício (2012, p.135):

Um letramento crítico deve buscar exatamente isso: a constituição de sujeitos “éticos”, “democráticos” e “críticos”. Embora seja mais cômodo, é inadmissível ignorar as novas linguagens proliferadas no mundo contemporâneo e as necessidades de um letramento crítico que o mundo pede aos alunos. (GARCIA; SILVA; FELÍCIO, 2012, p.135).

Assim, é necessário aproveitarmos este momento atual de diversificação de linguagens no mundo e nas escolas, para que possamos aprender a conhecer e valorizar as culturas e trazer para a educação, formas construtivas de alcançar o conhecimento. E é esta especificidade de contexto que torna a EJA uma modalidade de educação básica que precisa ser pensada com um currículo aberto à diversidade, transformando um ambiente escolar convencional em um ambiente acolhedor para receber as pessoas que não tiveram acesso à educação formal, integral e permanente.


REFERÊNCIAS:

GARCIA, C.B.; SILVA, F.D.S.; FELÍCIO, R.P. Projet(o)arte: uma proposta didática. In: ROJO, R.; MOURA, E. (orgs.). Multiletramentos na escola. São Paulo: Parábola Editorial, 2012.

quarta-feira, 26 de junho de 2019




Um trabalho de Conclusão de Curso (TCC) tem, como meta, representar vivências e/ou pensamentos que geraram discussões sobre determinado tema. Como meu TCC está baseado em meu estágio e este, por sua vez, aborda minhas experiências em uma turma de alfabetização na Educação de Jovens e Adultos (EJA), a escola é o palco principal das minhas narrativas. Como espaço social formal de aprendizagem a escola, então, tem na convivência a ferramenta que estimula os processos cognitivos e a construção de conhecimentos.

Quando associamos educação com convivência, atribuímos importância para as relações humanas e fazemos da escola também um espaço de construção de direitos humanos. Esse pensamento foi expresso em uma das minhas postagens no Portfólio de Aprendizagens, em outubro de 2017. Com o foco em Educação em Direitos Humanos, destaquei que com esta prática, alunos e professores debatem e refletem diariamente sobre questões do cotidiano e de como melhorar a sociedade.

Considerando meu aprendizado nesse período de docência na EJA, o meu planejamento foi apenas o ponto de partida para interações que misturaram conceitos e práticas humanas. O desafio se configurou na busca de abordagens que promovessem associações entre a vida dos alunos e a necessidade de aprender novas habilidades, sendo que eles pudessem, através delas, construir seu próprio conhecimento. Nesta linha, não há uma receita pedagógica nem uma sequência didática única que possa contemplar todo processo de alfabetização, pois, conforme Hara (1992): “Aí estaria uma questão de profundo significado: não é o método que se elege que promove a alfabetização, mas é todo um conjunto de conhecimentos e a postura intelectual que adotamos com relação aos sujeitos e ao objeto de aprendizagem.”

Portanto, educação e aprendizagem se concretizam a partir das práticas humanas, em relações sociais que respeitam tanto igualdades quanto diferenças. Minhas práticas na EJA abordaram estes aspectos, o que me fortaleceu como educadora e como participante de uma sociedade aprendente.

REFERÊNCIAS:

HARA, Regina. Alfabetização de adultos: ainda um desafio. 3. ed. São Paulo: CEDI, 1992.


domingo, 23 de junho de 2019


                   ABORDAGEM SOCIOINTERACIONISTA

Relendo minhas narrativas do curso de Pedagogia, contidas no meu Portfólio de Aprendizagens, é possível, entre tantas comparações, estabelecer uma relação entre a postagem de outubro de 2017, É preciso compreender a aprendizagem, com meu Trabalho de Conclusão (TCC). Enquanto a postagem ressalta o quanto um professor deve conhecer os seus alunos levando em consideração os aspectos cognitivo, afetivo, social e psicomotor, meu TCC especifica melhor este olhar conhecedor do professor através da abordagem sociointeracionista.

Considerando que cada um aprende no seu tempo, o planejamento das aulas deve contemplar o desenvolvimento da capacidade de aprender do aluno. Nesta perspectiva, como professores, precisamos compreender que qualquer aluno, seja ele uma criança ou um adulto, constrói seu conhecimento no convívio e na troca de experiências de vida. Quando trabalhamos diferentes linguagens, ampliamos a visão do mundo e as interpretações do indivíduo sobre sua realidade.

Com diálogo, professores e alunos interagem, relacionando conceitos do cotidiano com os conhecimentos científicos estruturados pela escola, na intenção de um desenvolvimento cognitivo. Apesar do desenvolvimento ser individual, há necessidade de um ajuste (ação de relação)) entre os conhecimentos do cotidiano (espontâneos) e os conhecimentos científicos. Este ajuste feito pelo educador durante o processo de aprendizagem é, na realidade, a mediação, conceito tão destacado nas teorias de Vygotsky. Através da mediação, os conceitos construídos nas relações sociais do indivíduo, passam a ser sistematizados na escola e acabam incorporando novos processos mentais. Interessante é observar que a aprendizagem ocorre nas práticas sociais (ambientes culturais) ou nas intervenções pedagógicas. Sabendo disto, a sala de aula se torna o laboratório do professor nas suas experiências de intervenções para que seus alunos construam os conhecimentos. Como mediador, ele seleciona e organiza a forma de sistematizar os conhecimentos científicos, preparando o seu ambiente de aprendizagem, relacionando cultura e pensamento, dinamizando as interações que provocam o desenvolvimento dos processos mentais no indivíduo.

Retomando a ideia de que a aprendizagem depende das interações do sujeito com seu meio e/ou objeto, evidenciamos também o valor da pedagogia relacional. Segundo Becker (1994): “Trata-se, numa palavra, de construir o mundo que se quer, e não de reproduzir/repetir o mundo que os antepassados construíram para eles ou herdaram de seus antepassados.” Em outras palavras, o professor compreende que o aluno só construirá algum conhecimento novo, se ele agir e problematizar sobre a ação.

Desta forma, aliar mediação e socialização nas práticas pedagógicas trazem a essência das teorias de Vygotsky para a rotina da aula, mas não transformam a aula em rotina, pois com debate e interação nenhuma aula se torna repetitiva.


REFERÊNCIAS


BECKER, Fernando. Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos. Educação e Realidade, Porto Alegre, p.89-96, 01 jun. 1994. Semestral. 19(1). Disponível em: <https://pt.scribd.com/document/260250772/BECKER-Fernando-Modelos-pedagogicos-e-modelos-epistemologicos-2-pdf>. Acesso em: 10 abr. 2018.
REGO, Teresa Cristina. Vygotsky: uma perspectiva histórico-cultural da educação. 25. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014.


quinta-feira, 23 de maio de 2019



Em uma postagem de novembro de 2017, Os desafios da escola inclusiva , analisei a função social da escola em relação à inclusão, onde não podemos mais considerar a turma inteira como um todo, mas como um grupo diverso que busca na convivência, oportunidades de crescimento na aprendizagem.

Ao destacar que a inclusão se traduz numa mudança de paradigma educacional, valorizei a necessidade de promovermos um estado de convivência entre os diferentes. Nesse contexto, surge a pergunta: somos todos iguais ou somos todos diferentes? Para responder essa questão, há necessidade de buscarmos a lógica contida na cultura atual, pois hoje, o direito à diferença faz parte da identificação do indivíduo. Conforme Pierucci (1999, p. 7):

Somos todos iguais ou somos todos diferentes? Queremos ser iguais ou queremos ser diferentes? Houve um tempo que a resposta se abrigava segura de si no primeiro termo da disjuntiva. Já faz um quarto de século, porém, que a resposta se deslocou. A começar da segunda metade dos anos 70, passamos a nos ver envoltos numa atmosfera cultural e ideológica inteiramente nova, na qual parece generalizar-se, em ritmo acelerado e perturbador, a consciência de que nós, os humanos, somos diferentes de fato [...], mas somos também diferentes de direito. É o chamado “direito à diferença”, o direito à diferença cultural, o direito de ser, sendo diferente. The right to be different!, como se diz em inglês, o direito à diferença. Não queremos mais a igualdade, parece. Ou a queremos menos, motiva-nos muito mais, em nossa conduta, em nossas expectativas de futuro e projetos de vida compartilhada, o direito de sermos pessoal e coletivamente diferentes uns dos outros. (PIERUCCI, 1999, p. 7).

Voltando para a reflexão do tema, talvez o mais importante não seja a afirmação da igualdade, tampouco a afirmação da diferença, mas o direito de convivermos como grupo, em espaços que permitam as articulações sociais. A escola, então, por refletir a cultura social, se torna uma formadora de opinião, comprometendo-se com a cidadania, nos movimentos de transformação social. Quanto mais informações são difundidas, maiores são as possibilidades de evoluirmos em valores humanos, construindo esse estado de convivência tão desejado.


REFERÊNCIAS:

PIERUCCI, A. F. Ciladas da diferença. São Paulo: Editora 34, 1999.


quarta-feira, 15 de maio de 2019

COMPARTILHAR PARA RECONSTRUIR


Por estar no final do curso de Pedagogia, ter uma postura reflexiva já faz parte de uma rotina de pensamentos. Nesta linha, busquei em meu blog a postagem Reflexões, de novembro de 2018, onde destaco a importância de interpretar as experiências vividas, no caso, no meu estágio na EJA (Educação de Jovens e Adultos).

Entre os comentários, abordei a visão de Demo (2000) sobre a aprendizagem reconstrutiva, onde a teoria e a prática se entrelaçam em projetos abertos e estimulados por desafios, o que se concretizou nas minhas experiências do estágio. Deste modo, a procura diária por uma didática adequada à diversidade dos alunos, promoveu comparações de métodos pedagógicos com a bagagem cultural dos alunos, incentivando-me a reconstruir concepções de educação com os próprios alunos. Coelho e Eiterer (2011, p. 172) associam essas experiências a desafios:

O desafio com o qual o educador em EJA tem que lidar assume a seguinte configuração: de um lado, as concepções interacionistas de ensino-aprendizagem que ele traz e, de outro, as concepções tradicionais que o aluno traz. Além do que, é preciso considerar ainda as dificuldades em torno da construção de novos conhecimentos: de um lado, as aquisições do conhecimento científico que o educador traz e, de outro, o conhecimento construído a partir das vivências que o educando traz. (COELHO; EITERER, 2011, p. 172).
  
Quando abrimos espaço para abordar os conhecimentos vividos pelos alunos, não só enriquecemos nossas aulas, como as tornamos mais flexíveis e identificadas com os valores pessoais e sociais do grupo. Compartilhar vivências e conhecimentos acumulados torna cada aluno um multiplicador de ideias, reconstruindo aprendizagens. 

Então, conhecimento científico deve estar associado a significados para a vida, bem como a uma abertura para a construção de novos pensamentos. Portanto, aprender a transitar entre o conhecimento formal e o informal, buscando relações e estabelecendo propostas de uma aprendizagem reconstrutiva, é o maior desafio de cada professor, sobretudo se ele trabalhar na EJA.

REFERÊNCIAS:

COELHO, A. M. S.; EITERER, C. L. A didática na EJA. In: SOARES, L.; GIOVANETTI, M. A.; GOMES, N. L. (orgs.) Diálogos na educação de jovens e adultos. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2011.

DEMO, Pedro. Conhecer & aprender: sabedoria dos limites e desafios. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.


sábado, 20 de abril de 2019




Meu TCC

Na revisão de nossas postagens do Portfólio de Aprendizagens, sempre encontramos ligações com reflexões atuais, o que é coerente com a construção do nosso Trabalho de Conclusão do Curso. Um exemplo deste fato é uma postagem de outubro de 2017, Ética e Moral , onde reflito sobre valores humanos e o papel da escola como espaço social de aprendizagem. Assim, o assunto tratado na postagem sobre cultura social e seu papel na aprendizagem, pode ser relacionado com a reflexão que fiz durante meu estágio em uma turma da EJA, o qual transformei em problematização em meu TCC.

A aquisição da linguagem, a alfabetização e o letramento são processos que ocorrem em qualquer fase da vida do indivíduo, inclusive na fase adulta. Com esta perspectiva, torna-se fundamental destacar o papel mediador que o professor assume neste processo de aprendizagem, onde as funções psicológicas superiores são construídas na interação do indivíduo com outros indivíduos e com o meio. Então, para aprofundar esta temática do interacionismo, contida nos estudos de Vygotsky, minha proposta de investigação para o TCC abordará: “As contribuições da teoria de Vygotsky para a elaboração de um planejamento pedagógico contextualizado, na Educação de Jovens e Adultos”.

Procurando relações entre o interacionismo e a prática de sala de aula, vemos que ao fazer a “leitura do mundo”, cada indivíduo vai se inserindo ao contexto social, vivenciando e modificando a cultura, numa relação dialética que constitui sua aprendizagem permanente. Buscando a compreensão da natureza do comportamento humano, Vygotsky apresenta perspectivas consistentes para explicar esta aprendizagem como mudanças decorrentes da interação do homem com seu meio físico e social. Conforme Rego (1995, p. 95):

É possível constatar que o ponto de vista de Vygotsky é que o desenvolvimento humano é compreendido não como a decorrência de fatores ambientais que agem sobre o organismo controlando seu comportamento, mas sim através de trocas recíprocas, que se estabelecem durante toda a vida, entre indivíduo e meio, cada aspecto influindo sobre o outro. (REGO, 1995, p.95).

Assim, a sala de aula pode representar este espaço de trocas recíprocas entre os alunos, promovendo também o desenvolvimento humano. No entanto, estas relações necessitam de um mediador para fomentar as possibilidades de interpretação e de entendimento entre eles, isto é, necessitam de um professor que compartilhe a caminhada do "saber" com seus alunos, compondo um planejamento contextualizado. Enfim, somente interações verdadeiras promovem aprendizagens.


REFERÊNCIAS

REGO, Teresa Cristina. Vygotsky: uma perspectiva histórico-cultural da educação. Petrópolis, RJ: Vozes, 1995.

sábado, 13 de abril de 2019

INTEGRAÇÃO JÁ!


Conhecimento é poder, mas ele realmente tem valor quando compõe um significado na vida das pessoas. Como professora, sempre busquei razões para justificar o ensino dos conteúdos, bem como aprendi a encontrar relações entre eles para melhor articulá-los. Compartilho, então, minha postagem de dezembro de 2017, Diálogo entre os saberes , onde destaco a importância de ultrapassar o limite que a disciplina (conteúdo) nos impõe em busca das relações entre os conhecimentos. É na integração e não na fragmentação, conforme Edgar Morin (2003), que podemos interagir com diferentes realidades, expandindo a mente humana.

Com este perfil, vivenciei um estágio na Educação de Jovens e Adultos que me fez repensar sobre a formação dos professores que atuam nesta modalidade. Ao planejar e concretizar minhas aulas, precisei não só ter conhecimento do sujeito da EJA, mas também ampliar minha visão para compreender as diversas realidades mescladas em sala de aula. Constatei, então, que uma integração curricular atende de maneira mais eficaz como prática pedagógica, pautando no significado e não apenas em mais informações a serem memorizadas. Volto, assim, a valorizar a contextualização e a integração dos conceitos para que possam servir de identificação e crescimento para os alunos, evitando a alienação trazida pela compartimentação dos saberes.

Contudo, muita reflexão precisa ser feita, inclusive na busca de metodologias adequadas para a docência na EJA. Apesar de haver muitos exemplos de improvisação docente nesta área, é fundamental o compromisso de qualificação que o educador deve adotar para contribuir com o processo de aprendizagem significativa, bem como acreditar que pode potencializar os saberes de seus alunos e oportunizar sua verdadeira inclusão na sociedade. Nas palavras de Capucho (2012, p. 78):

A experiência em formação de professores(as) de jovens e adultos(as) tem revelado que dentre as inúmeras qualificações necessárias aos profissionais da EJA o comprometimento com um outro mundo possível se faz imprescindível. (CAPUCHO, 2012, p. 78).

Portanto, como professores, precisamos acreditar que é possível mudarmos o mundo quando trabalhamos para garantir os direitos de educação e de socialização para todas as pessoas que, como alunos, buscam estes direitos ao entrarem na escola. Enfim, estagiar na EJA fortaleceu meu compromisso profissional de sempre respeitar as diferenças, procurando conhecer e valorizar as singularidades para que o conhecimento possa ser integrado para poder ser construído por todos.


REFERÊNCIAS:

CAPUCHO, Vera. Educação de jovens e adultos: prática pedagógica e fortalecimento da cidadania. São Paulo: Cortez, 2012.

MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. 8ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.


domingo, 7 de abril de 2019


Basta-me um pequeno gesto ...

Ao término do estágio, além das lembranças pessoais e profissionais, carrego comigo reflexões que modificaram meus conceitos sobre as relações humanas. Lembro de uma postagem de março de 2018, do meu Portfólio de Aprendizagens onde sinalizava a contribuição da educação na formação e na inclusão do indivíduo na sociedade. Com o título de EJA - Realizando sonhos adormecidos, descrevi minha percepção inicial sobre a Educação de Jovens e Adultos e caracterizei as possibilidades de crescimento como direito de todos. Refletindo sobre minhas experiências no estágio com uma turma da EJA, percebo que estas possibilidades realmente existem e que podem ser ampliadas quando nos envolvemos no processo de aprendizagem dos alunos.


Inicialmente, trabalhar com uma turma heterogênea não foi fácil, principalmente com adultos de identidades e de valores diferentes. Cada aula, então, se tornou um experimento único, sobretudo para mim, professora, ao incentivar a troca de conhecimentos entre eles. Desta forma, ao oportunizar que os alunos associassem letras, constituíssem palavras e encontrassem sentido nestas palavras, oportunizei tanto o raciocínio quanto a expressão pessoal. Mesmo sendo uma construção pessoal para cada um, nossa função está em mediar estas produções para que os próprios alunos possam avançar ao entenderem a função social da escrita.

E foram estas trocas, estes debates e interações que me fazem, hoje, valorizar muito mais as relações humanas na educação. Enfim, vivenciei que alfabetizar é abrir caminhos para a comunicação significativa, onde a colaboração do grupo na realização das atividades é essencial para se refletir sobre a própria escrita. Conforme Russo (2012, p. 42):

De modo geral, o professor precisa levar o alfabetizando a raciocinar sobre a escrita e, para isso, deve criar um ambiente rico em materiais e em atos de leitura e escrita. Deve, também, promover a interação entre os diferentes níveis, principalmente os mais próximos. Assim, não é preciso, necessariamente, trabalhar com cada aluno, mas permitir-lhes a comunicação, que é o principal instrumento da didática da aprendizagem da alfabetização. (RUSSO, 2012, p. 42).

Assim, cada dia de convivência com uma turma consolida o conhecimento humano do professor, fazendo-o reconhecer a pluralidade das relações humanas e preparando-o para mediar conflitos de tempos e espaços, de qualquer aluno, inclusive da EJA. No entanto, é preciso observar os alunos e refletir sobre as experiências vivenciadas para que os novos planejamentos sejam flexíveis a ponto de contemplar as diversidades constatadas. Em outras palavras, é essencial observar para refletir, bem como, entender os alunos para realmente planejar.

Para finalizar, destaco um poema de Cecília Meireles que, em sua sensibilidade, representa qualquer indivíduo aprendente, incluindo o professor, que faz das relações humanas sua fonte de aprendizagem.





REFERÊNCIAS:

RUSSO, Maria de Fatima. Alfabetização: um processo em construção. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2012.

domingo, 31 de março de 2019

APRENDEMOS COM NOSSAS EXPERIÊNCIAS



Como a escrita em um blog é um requisito do curso de Pedagogia, esta tarefa já está consolidada em nossas reflexões. Escrever é um ato criativo, onde o pensar sobre algo exige uma interpretação. Sendo assim, quando revisitamos nossas postagens, acabamos fazendo novas interpretações, visto que o tempo passa e novas aprendizagens vão se instalando em nossa organização profissional.

Nesta incursão pelo Portfólio de Aprendizagens, minha postagem Aprender a Pensar   reflete bem a importância do pensamento, além de sinalizar uma prática questionadora por parte do professor. Volto, então, a refletir sobre a necessidade de flexibilizar os métodos aplicados nas aulas, principalmente atendendo a uma contextualização que permite a construção de significados pelos alunos.

No entanto, nunca estaremos prontos, nem como indivíduos, nem como profissionais. A aprendizagem é constante, o que nos faz observadores e agentes ativos dos processos educativos que interagimos. Desta forma, trago para a reflexão também a influência da socialização na metodologia aplicada em sala de aula. Conforme Rey (2011, p.60):

A ideia do sujeito que aprende se apoia num aluno que participa do aprender e em configurações subjetivas que o comprometem nesse processo, que se facilita com a emergência de um sujeito relacional. Essa relação não é com um "outro”, mas com muitos outros, de forma simultânea, com um contexto social dinâmico e participativo, em que se geram dinâmicas múltiplas e simultâneas com grande capacidade de reorganização no próprio contexto em que a atividade acontece. (REY, 2011, p.60).

Com o enfoque acima, a sala de aula se torna um espaço aberto, sujeito a questionamentos e interações. A participação de cada um é um elo na construção do conhecimento coletivo, ao mesmo tempo em que o conhecimento individual se estabelece. O pensar, nesta perspectiva, é objeto e ação, percorrendo o desenvolvimento das habilidades dos alunos. 

Nessa lógica, aprendemos com as nossas experiências, inclusive as coletivas. No grupo nos identificamos e exploramos nossas habilidades, tornando esta metodologia essencial para que as nossas aulas atendam às necessidades da realidade dos alunos e os inclua em todas as etapas do processo de aprendizagem. Este é, talvez, o maior compromisso do professor, visto que seu planejamento e flexibilidade é que ditará as regras do jogo, ou melhor, é seu olhar de educador que irá tornar o processo efetivo, alternando estratégias para manter a sala de aula um espaço produtivo e acolhedor.


REFERÊNCIAS:

REY, Fernando L. González. Os aspectos subjetivos no desenvolvimento de crianças com necessidades especiais. In: MARTINEZ, A. M.; TACCA, M. C. V. R. (org.) Possibilidades de aprendizagem. Campinas, SP: Editora Alínea, 2011. 

domingo, 24 de março de 2019


REFLEXÕES


Retornando com minhas reflexões no portfólio, agora em 2019, percebo que toda a caminhada de estudos e de práticas culminaram em um perfil que vai além de um estereótipo que compõe a formação de um professor. Como é o último semestre do curso de pedagogia, a responsabilidade de um fechamento conclusivo é toda minha, o que me impulsiona a dialogar profundamente com minhas aprendizagens.

Ser aluna do PEAD proporcionou desafios e novas experiências, sobretudo na compreensão da Educação de Jovens e Adultos durante meu estágio, tanto nos processos educativos escolares quanto nos não escolares. Então, chegar ao final do curso, inevitavelmente, nos direciona para uma retrospectiva, um olhar para as vivências pedagógicas do curso e para as práticas desenvolvidas a partir de nossos planejamentos.

Em qualquer modalidade de ensino, ser professor exige técnica e sensibilidade para interagir e também aprender. Vivemos em uma sociedade carregada de mudanças, onde a escola é ao mesmo tempo um espaço e um caminho para novas aprendizagens. Fazer parte deste processo torna o professor um agente de transformação na medida em que supera seus próprios preconceitos ao permitir que seus alunos também ingressem nos processos de mudanças ao construírem novos conhecimentos.

Sendo assim, precisamos acreditar na educação como um espaço de desenvolvimento de potencialidades humanas, muito evidenciado nas práticas da EJA que visam superar a exclusão, bem como nas palavras de Brandão (2002, p. 168): “O mundo em que vivemos pode e deve ser transformado continuamente em algo melhor, mais justo e mais humano.”

REFERÊNCIAS:

BRANDÃO, C. R. A educação popular 40 anos depois. In: BRANDÃO, C. R. Educação popular na escola cidadã. Petrópolis: Vozes, 2002.