sábado, 2 de dezembro de 2017


Diálogo entre os saberes

Como professora, falar sobre o pensamento complexo, idealizado nos estudos do filósofo Morin, é refletir sobre nosso papel na educação do futuro. Partir de um modelo fragmentado como se dispõe hoje o ensino e dialogar com as partes para integrar os conhecimentos é preparar o aluno para compreender e interagir com uma cultura do mundo como um todo.

Nossa realidade é diversificada por natureza. Conviver com múltiplas informações nos encaminha a uma padronização de ações para facilitar a compreensão do todo. No entanto, é na singularidade e na interação entre estas informações diferentes que o pensamento complexo se estabelece e qualifica um conhecimento funcional que transcende o padrão estabelecido e cria algo novo, realimentando o próprio pensamento.

Assim, escola e sociedade representam um todo que vai além da soma das partes. São resultados  singulares da integração de pensamentos diferentes, mas que encontram funções afins quando dialogam com os seus saberes. Ter um padrão facilita as ações, mas dificulta a espontaneidade do novo e do diferente, tão importantes para diversificar nossa visão de mundo. E é na escola que encontramos os conhecimentos padronizados em disciplinas que, se tivessem suas barreiras rompidas, poderiam dialogar entre si e tornar um conhecimento mais configurado de realidade.  Conforme Morin (2003, p. 16):

Devemos, pois, pensar o problema o ensino, considerando, por um lado, os efeitos cada vez mais graves da compartimentação dos saberes e da incapacidade de articulá-los, uns aos outros; por outro lado, considerando que a aptidão para contextualizar e integrar é uma qualidade fundamental da mente humana, que precisa ser desenvolvida, e não atrofiada. (MORIN, 2003, p. 16).


Desta forma, ultrapassando o limite que a disciplina nos impõe e buscando relações entre mais conhecimentos através da transdisciplinaridade, é possível articular novos saberes e tornar nossa vida de aprendiz cada vez mais significativa. Então, quando aceitarmos a transdisciplinaridade como uma prática natural e necessária nas escolas, acabaremos nos permitindo, e ao aluno também, interagir com diferentes realidades que se somam e acabam criando algo maior, um novo conhecimento.


REFERÊNCIAS:

MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. 8ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.

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