Assmann (1998, p. 22), em
seu livro “Reencantar a Educação”, nos provoca quando faz o seguinte
questionamento: “Será que ser educador/a é ainda uma opção de vida
entusiasmante?” Provocativo ou não, precisamos pensar sobre o que é ser
professor nos dias de hoje e como acompanhar estas transformações do mundo e da
cultura local em nossas vidas.
Diariamente passamos por
experiências profissionais que exigem conhecimento, tolerância e atitude para que
possamos exercer nosso papel. Não basta ser espectador, precisamos ser
protagonistas na novela da vida real. A escola é nosso palco de atuação e os
alunos também participam do elenco. O professor pode ser o diretor, mas o
roteiro deve ser escrito por todos.
Assim, a dinâmica da
educação permite um aprendizado contínuo, onde há necessidade de acreditarmos
que, independente das condições adversas da escola pública brasileira, temos a
capacidade de reverter estas crises e ressignificar as práticas pedagógicas. No
entanto, é preciso vontade política, a construção de um diálogo permanente e de
uma participação coletiva da sociedade. Nas palavras de Carvalho (2002, p.16):
Precisamos de vontade
política e muita determinação, seja na ressignificação do papel da escola neste
vertiginoso contexto pós-moderno, seja na qualidade da formação e na
valorização pessoal-profissional dos gestores e professores, levando-os a, cada
vez mais, preservar e praticar os valores democráticos universais e o respeito
às diferenças. (CARVALHO, 2002, p. 16).
Então, é na valorização
pessoal-profissional que podemos buscar a resposta à pergunta de Assmann. É no
desafio de acreditar que é possível construir a aprendizagem a partir da
curiosidade genuína do aluno que nosso entusiasmo como professor se estabelece.
Para tanto, o avanço tem de ser nosso, no olhar cotidiano da sala de aula e no
prazer de ver o conhecimento ser moldado em cada criança que faz uma pergunta.
Portanto, queremos que
nossos alunos façam a leitura do mundo, mas antes, precisamos fazer a leitura
deles, isto é, conhecê-los como aprendizes e descobrir que realidade compõe sua
cultura de vida, o que nos tornará mais convictos de nossa opção profissional.
REFERÊNCIAS:
ASSMANN,
Hugo. Reencantar a educação: rumo à
sociedade aprendente. Petrópolis, RJ: Vozes, 1998.
CARVALHO,
Rosita Edler. Uma promessa de futuro:
aprendizagem para todos e por toda a
vida. Porto Alegre: Mediação, 2002.

