sábado, 8 de julho de 2017


Assmann (1998, p. 22), em seu livro “Reencantar a Educação”, nos provoca quando faz o seguinte questionamento: “Será que ser educador/a é ainda uma opção de vida entusiasmante?” Provocativo ou não, precisamos pensar sobre o que é ser professor nos dias de hoje e como acompanhar estas transformações do mundo e da cultura local em nossas vidas.

Diariamente passamos por experiências profissionais que exigem conhecimento, tolerância e atitude para que possamos exercer nosso papel. Não basta ser espectador, precisamos ser protagonistas na novela da vida real. A escola é nosso palco de atuação e os alunos também participam do elenco. O professor pode ser o diretor, mas o roteiro deve ser escrito por todos.

Assim, a dinâmica da educação permite um aprendizado contínuo, onde há necessidade de acreditarmos que, independente das condições adversas da escola pública brasileira, temos a capacidade de reverter estas crises e ressignificar as práticas pedagógicas. No entanto, é preciso vontade política, a construção de um diálogo permanente e de uma participação coletiva da sociedade. Nas palavras de Carvalho (2002, p.16):

Precisamos de vontade política e muita determinação, seja na ressignificação do papel da escola neste vertiginoso contexto pós-moderno, seja na qualidade da formação e na valorização pessoal-profissional dos gestores e professores, levando-os a, cada vez mais, preservar e praticar os valores democráticos universais e o respeito às diferenças. (CARVALHO, 2002, p. 16).


Então, é na valorização pessoal-profissional que podemos buscar a resposta à pergunta de Assmann. É no desafio de acreditar que é possível construir a aprendizagem a partir da curiosidade genuína do aluno que nosso entusiasmo como professor se estabelece. Para tanto, o avanço tem de ser nosso, no olhar cotidiano da sala de aula e no prazer de ver o conhecimento ser moldado em cada criança que faz uma pergunta.

Portanto, queremos que nossos alunos façam a leitura do mundo, mas antes, precisamos fazer a leitura deles, isto é, conhecê-los como aprendizes e descobrir que realidade compõe sua cultura de vida, o que nos tornará mais convictos de nossa opção profissional.


REFERÊNCIAS:
ASSMANN, Hugo. Reencantar a educação: rumo à sociedade aprendente. Petrópolis, RJ: Vozes, 1998.

CARVALHO, Rosita Edler. Uma promessa de futuro: aprendizagem para todos e por toda a vida. Porto Alegre: Mediação, 2002.


domingo, 2 de julho de 2017



AVALIAÇÃO


Segundo Melchior (2001, p. 39): “A avaliação deve ser realizada mediante a obtenção de informações precisas, em etapas sistemáticas, sobre os conhecimentos do indivíduo e de sua formação.” Nesta perspectiva, a avaliação se torna um investimento de tempo e planejamento para o professor onde, além do caráter formativo, precisa ajustar suas práticas para favorecer a aprendizagem concreta de todos.

No entanto, ainda temos práticas avaliativas como medidoras de desempenhos, voltadas para uma classificação que determina planejamentos futuros. Ainda nos apegamos, mesmo que involuntariamente, a instrumentos quantitativos de avaliação para definir resultados. O sistema de avaliação escolar segue com mudanças, mas depende de uma conscientização individual do professor e do aluno, na busca de uma avaliação como diagnóstico para melhorias, e não apenas como um resultado final.

Uma avaliação formativa considera conhecimentos e atitudes, compreensão e prática de valores que preparam o indivíduo para ter autonomia. É um investimento pedagógico que exige pesquisa, debate e inovação do professor, mas que o faz vislumbrar caminhos mais construtivos na educação. Nas palavras de Perrenoud (1999, p. 68):

Uma avaliação mais formativa não toma mais tempo, mas dá informações, identifica e explica erros, sugere interpretações quanto às estratégias e atitudes dos alunos e, portanto, alimenta diretamente a ação pedagógica, ao passo que o tempo e a energia gastos na avaliação tradicional desviam da invenção didática e da inovação. (PERRENOUD, 1999, p. 68).


Quando o autor citado acima fala na avaliação com a função de alimentar a ação pedagógica, percebemos o quanto ela pode direcionar nossas escolhas no planejamento. A partir dos seus resultados é possível readaptar as propostas para que elas atendam às necessidades do ambiente de aprendizagem. Não basta aplicar avaliações, precisamos aproveitar este processo para conduzir nossa prática na concretização de uma aprendizagem significativa que esteja ao alcance de todos.

REFERÊNCIAS:

MELCHIOR, Maria Celina. O sucesso escolar através da avaliação e da recuperação. Porto Alegre: Premier, 2001.
PERRENOUD, Philippe. Avaliação: da excelência à regulação das aprendizagens – entre duas lógicas. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999.