domingo, 25 de junho de 2017



Quando falamos em construção ou reformulação do projeto político pedagógico de nossa escola, é importante que falemos também em autonomia.  Em uma época em que a escola pública se consolida em uma gestão democrática, o PPP deve ser um referencial possível de ser aplicado ao cotidiano da escola, visto que ele representa sua comunidade escolar.

Então, entre Programas e Políticas Públicas Federais e Planos Nacionais de Educação, há lugar para a identidade local e para o respeito às diversidades. Assim, a democratização do espaço público se concretiza em um projeto transformador de escola, cuja autonomia  é representada nas ações conjuntas de todos os seus participantes. Conforme Neves (1998, p. 98):

O fato de a escola ser autônoma não impede que ela obedeça a diretrizes gerais, a um núcleo básico de conhecimentos ou currículo: como a escola está inserida num sistema nacional de educação, é lógico que ela seja regida por leis comuns a todo esse sistema; contudo, é lógico também que a ela seja facultado o direito de ter outras leis próprias, consideradas autônomas. (NEVES, 1998, p. 98).


Diretrizes gerais buscam uma educação de qualidade, principalmente social. É neste foco que o planejamento deve se situar e implementar melhorias para, atendendo à lei do Ensino fundamental, assegurar a todos a igualdade de direito à educação. Ao mesmo tempo, as propostas pedagógicas da escola devem estar em sintonia com a realidade local, valorizando a identidade da escola, através de uma participação efetiva de todos no planejamento e na execução das ações previstas.

Portanto, a autonomia da escola, dentro de uma gestão participativa, engloba os âmbitos  administrativo, financeiro e pedagógico, determinando o trabalho escolar. Este é construído a partir de decisões compartilhadas, que respeitam as dimensões federais, estaduais, municipais e da comunidade onde a escola está inserida. É desta forma que a educação brasileira, por meio de cada escola, deve se fazer representar como uma educação transformadora, que prepara cidadãos e não apenas alunos, para conduzir uma sociedade que acredita na autonomia, mas que necessita da participação de todos para investir no bem comum.

REFERÊNCIAS:

NEVES, C.M.de C. Autonomia da escola pública: um enfoque operacional. In: VEIGA, I.P.A. (org.) Projeto Político Pedagógico da escola: uma construção possível. Campinas: Papirus, 1998.


domingo, 18 de junho de 2017


Ao rever as postagens no meu Portfólio de Aprendizagens (blog), tarefa do Seminário Integrador V, percebi o quanto desenvolvemos e praticamos conceitos sobre educação na sequência do curso de PEAD. Teve lugar, inclusive, para construção destes conceitos. Observação, interpretação, pesquisa, projeto, entre outros, são conceitos que tomaram conta de nossas reflexões no curso e, por determinação, em nossa prática na escola.

Neste contexto, nosso desafio é continuar traçando esta rede de conhecimentos e experimentar novas formas de abordagens pedagógicas. Mas este universo é tão amplo que as aprendizagens nunca se extinguem. A cada tarefa, passo ou reflexão, ampliamos os limites da interpretação e sempre tem lugar para outros olhares. Assim, o planejamento tem lugar de destaque, tanto na nossa vida quanto em nossa profissão. É com ele que priorizaremos as nossas ações e metas, dando a cada experiência diária o significado que ela merece.

Nossos pensamentos podem ser organizados para que nossos planos sejam significativos e viáveis. Ao organizarmos uma aula ou um projeto, por exemplo, determinamos de maneira lógica, o que vem antes e o que vem depois. É a forma de ordenar em etapas para que se estabeleça a formação e não apenas a informação na escola. Nas palavras de Vasconcellos (1999, p. 46):

O planejar, no sentido autêntico, é para o professor um caminho de elaboração teórica, de produção de teoria, da sua teoria! É evidente que, num ritual alienado, quando muito o que pode acontecer é tentar aplicar, ser um simples ‘consumidor’ de ideias/teorias elaboradas por terceiros; mas quando feito a partir de uma necessidade pessoal, o planejamento torna-se uma ferramenta de trabalho intelectual. (VASCONCELLOS, 1999, p. 46).


Planejar, então, está ligado ao nosso interesse pessoal em participar de algo e vê-lo acontecer. Se estas ações envolverem um projeto, e ele for coletivo, os interesses e os compromissos se somam, aumentando sua viabilidade. Se pensarmos, por exemplo, em algo maior, como o Projeto Político Pedagógico de uma escola, teremos a dimensão da importância da construção coletiva, com a interação de pensamentos de seus construtores e de um consenso necessário e agregador das diversidades da comunidade escolar.

Às vezes, até pequenas iniciativas já fazem a diferença. Se planejo para uma aula e ela foi o foco da aprendizagem, o sucesso me dará condições de almejar algo mais. Talvez a parceria com meus colegas e, de uma aula, quem sabe, acabamos em um projeto de área ou, com a participação efetiva do grupo, em uma proposta pedagógica maior de transformação da escola.

No entanto, é preciso um começo. Um pensamento inicial que implica em passos de um processo e uma caminhada que parte de dentro da escola, onde a participação de todos fortalece a unidade, não a uniformidade. É planejar para melhorar as relações na instituição e dar um referencial de grupo para concretizar nossas concepções pedagógicas.


REFERÊNCIAS:

VASCONCELLOS, Celso dos Santos. Planejamento: Projeto de Ensino-Aprendizagem e Projeto Político-Pedagógico – elementos metodológicos para elaboração e realização. 5ª ed. São Paulo: Libertad, 1999.


domingo, 11 de junho de 2017

RELAÇÕES NA EDUCAÇÃO

Para nós, professores, refletir sobre as relações humanas contribui para melhorar nossa convivência diária, principalmente na escola. Trabalhar com crianças e adolescentes exige um autoconhecimento que nos dê segurança para tratar com as subjetividades dos relacionamentos. Neste contexto, a interdisciplina Psicologia da Vida Adulta nos deu subsídios para este autoconhecimento, ao tratar destes temas e provocar debates através dos trabalhos de grupo. Temas como “medos na vida adulta, ansiedade, relacionamentos possessivos, aprendizagem na EJA, TDAH na vida adulta”, entre outros, possibilitaram um mergulho nas nossas emoções e uma aprendizagem compartilhada do desenvolvimento humano.

Da mesma forma, sempre que buscamos o autoconhecimento, procuramos uma forma de integração no grupo e uma melhor qualidade nas relações humanas. Ansiamos pela aceitação e pela boa convivência. Queremos um ambiente de trabalho saudável, uma rede de amigos e objetivos de vida que possam ser alcançados. Nas palavras de McMAHON (2005):

Nós procuramos a resposta à pergunta “quem sou eu?” através da observação das diferenças existentes entre nós e os outros. Comparamos, criticamos, julgamos e nos indagamos por que estamos perdidos. Paradoxalmente, as respostas surgem quando enxergamos as semelhanças que temos com os outros. Isso se chama interesse social. Quanto mais nos vemos nos outros, mais aumenta nosso senso de inclusão. Quanto mais estímulo damos e recebemos, mais segurança sentimos. (McMAHON, 2005, p. 22).


Trazendo esta interpretação para o espaço escolar, quando nos identificamos com as práticas pedagógicas e com a intencionalidade nas ações com os alunos, encontramos um porto seguro para desenvolvermos nosso “interesse social”, isto é, ampliar os relacionamentos humanos e dar novo significado a nossa profissão.  Ao mesmo tempo, compreender que nosso desenvolvimento psicológico vem do nosso aprendizado de vida, aumenta nosso compromisso de, como professores, valorizar as relações que empreendemos na educação.

REFERÊNCIAS:

McMAHON, Susana. Ph.D. O terapeuta de bolso: respostas inspiradoras às perguntas mais comuns na terapia individual. São Paulo: Editora Gente, 2005.

domingo, 4 de junho de 2017


PARA GOSTAR DE ESCREVER

Práticas escolares como leitura e escrita se estendem ao longo de toda a nossa vida. No entanto, gostar de ler nem sempre vem associado a gostar de escrever. Ao mesmo tempo, quando praticamos algo novo e obtemos resultados, acabamos gostando das novas experiências. É o que ocorreu com a prática de escrita em nosso Portfólio de Aprendizagens. Nesta caminhada de postagens em blog, fomos criando uma rotina de registrar nossas interpretações sobre o universo da educação. 


No começo, apenas descrições de fatos ou conteúdos discutidos formavam nossos registros. Ainda assim, serviram de alicerce para reflexão sobre nossas produções e nos ajudaram a identificar argumentos ausentes nas primeiras produções do blog, mas evidentes na medida em que avançamos em nossas aprendizagens. Nas análises dos blogs solicitadas pela interdisciplina Seminário Integrador V, foi possível perceber o quanto é necessário ter uma prática de escrita na formação de leitores e sobretudo, na formação de professores. Ressignificar minha escrita ou interpretar a de uma colega não foi fácil, principalmente por exigir um olhar de avaliação. Mas a percepção dos significados, suas relações e intenções conduzem a uma prática que qualifica nossa compreensão sobre a escrita, independente de gostos pessoais.

Toda formação perpassa por experiências reais que solidificam a aprendizagem. Ser professor exige uma formação constante, que deve ser encarada como uma aliada e não como uma tarefa repetitiva de trabalho. Nossa cultura não é exclusiva nem derradeira. Ela se expande sempre que buscamos novos interesses de aprendizagem. Nas palavras de Kramer (2010):

Práticas reais de leitura e escrita é o que defendo aqui como processo formador, aliadas a alternativas de ampliação da experiência cultural, quer seja em bibliotecas, cinemas, museus, teatros, exposições de artes plásticas, de fotografia, apresentações de dança e música, vídeo e tantas outras quantas forem as modalidades da expressão, da invenção, da criação humana. (KRAMER, 2010, p.193).


Então, é fazendo a leitura do mundo que nós professores estaremos em constante formação. É desta forma, também, que incentivaremos nossos alunos a serem leitores que apreciam novos conhecimentos, ao mesmo tempo em que aprendem a registrar, com significado, suas aprendizagens.

REFERÊNCIAS:

KRAMER, Sonia. Alfabetização, leitura e escrita: formação de professores em cursoSão Paulo: Ática, 2010.