domingo, 25 de setembro de 2016


Todo meio é um campo de conhecimento e interação para o desenvolvimento do indivíduo. Desde o seu nascimento, no convívio familiar, a criança mergulha na cultura do ambiente e vai construindo sua personalidade em seu grupo social. A escola continua esta sequência ao introduzir a formalização deste conhecimento e a institucionalização da linguagem oral e escrita.

Mas a aprendizagem não se restringe a conteúdos ou atividades relevantes. Ela envolve um planejamento contextualizado do espaço escolar para que o aluno se reconheça no grupo e avance em seu crescimento. Recursos materiais, espaços definidos, tempos adequados, tudo pode estar entrelaçado oportunizando interações sociais construtivas. Conforme Galvão (1995, p.101-102):

É bom lembrar que a escola, ao possibilitar uma vivência social diferente do grupo familiar, desempenha um importante papel na formação da personalidade da criança. Ao participar de grupos variados a criança assume papéis diferenciados e obtém uma noção mais objetiva de si própria. (GALVÃO, 1995, p.101-102)

A escola, portanto, exerce um papel fundamental no desenvolvimento do indivíduo, necessitando estar engajada na cultura e na sociedade local. Desta forma, a organização do ambiente escolar, com reflexão constante das ações dos envolvidos, favorece a diversidade de relações e enriquece a construção da personalidade da criança na escola.


REFERÊNCIAS:

GALVÃO, Izabel. Henri Wallon: uma concepção dialética do desenvolvimento infantil. Petrópolis, RJ: Vozes, 1995.

http: //profpaulabento.blogspot.com.br/2015/09/sejam-bem-vindos-escola.html (Imagem)

domingo, 18 de setembro de 2016


O ato de ler não é passivo, pois envolve interpretações, relações com nossas memórias e vivências, além de uma boa dose de questionamentos com os valores que nos representam. O professor, ao planejar e selecionar leituras para estabelecer diálogos entre seu aluno, o leitor, e o texto previsto, precisa estar ciente do compromisso de ampliar o universo cultural dos educandos. Conforme Gregorin Filho (2009, p.72):

Acima de tudo, ao escolher um livro para o seu aluno, seja de literatura ou não, o educador deve perceber a importância de sua função como agente transformador da realidade social e buscar sempre o questionamento de atividades e instrumentos não condizentes com os valores de liberdade de pensamento e tolerância às diferenças. (GREGORIN FILHO, 2009, p.72)

Assim, múltiplas linguagens constroem as relações humanas, nem sempre expressas nas perspectivas de leituras formatadas em atividades escolares tradicionais. Então, é importante que o professor tenha um olhar para a identidade do aluno e de seus interesses, buscando obras literárias que despertem curiosidade e reflexão, capacitando-o como aprendiz da cultura.
Portanto, ler parte de um processo cognitivo, mas abrange também a imaginação e as emoções, provocando um posicionamento do leitor perante o seu mundo. Um prazer de decodificar os símbolos e encontrar significados. É desta forma que todo leitor, a cada nova leitura, fomenta a análise e diversifica seu poder de argumentação. E como através da palavra dialogamos com a pluralidade, podemos dizer: não é possível parar de ler...

REFERÊNCIAS:

GREGORIN FILHO, José Nicolau. Literatura Infantil: múltiplas linguagens na formação de leitores. São Paulo: Editora Melhoramentos, 2009.

domingo, 11 de setembro de 2016


O prazer da leitura
Todo leitor busca em um livro a satisfação proporcionada por um encantamento. A vida perpassa entre as frases do texto e enuncia um contexto do mundo em que vivemos. A prender a ler e dominar o todo da história não só encanta, mas autoriza o leitor a construir também o seu significado. Esta trajetória que inicia na infância pode se perpetuar ao longo da vida sempre que a escola cumprir seu papel ao oportunizar vivências literárias que estimulem escolhas e valorizem a leitura como construção social.

Ler não depende necessariamente de disciplinas escolares ou práticas repetitivas. O gosto pela leitura, isto é, a construção de um verdadeiro leitor exige uma curiosidade permanente que busca não só informações, mas também um autoconhecimento na interpretação de significados. Nas palavras de Alves (2004):

A aprendizagem da leitura começa antes da aprendizagem das letras: quando alguém lê e a criança escuta com prazer. A criança volta-se para aqueles sinais misteriosos chamados letras. Deseja decifrá-los, compreendê-los – porque eles são a chave que abre o mundo das delícias que moram no livro! Deseja autonomia: ser capaz de chegar ao prazer do texto sem precisar da mediação da pessoa que o está a ler. ALVES (2004).

Assim, é importante que o professor não perca a essência do poder da leitura: conquistar novos leitores e introduzi-los no caminho mágico das letras. A escola é um espaço desta prática, mas, sobretudo, é um local onde seus representantes, professores e alunos podem exemplificar diariamente o quanto a literatura faz parte do conhecimento cultural do mundo.

REFERÊNCIAS:

ALVES, Rubem. Gaiolas ou Asas – A arte do vôo ou a busca da alegria de aprender. Porto, Ed. Asa, 2004. Disponível em: http://pagina-de-vida.blogspot.com.br/2007/05/o-prazer-da-leitura-rubem-alves.html. Acesso em: 11/09/16

sábado, 3 de setembro de 2016

SER LEITOR

Em todo processo de alfabetização, a criança vai descobrindo o mundo das letras, seus significados e o universo de possibilidades para a construção e interpretação de mensagens. O professor tece uma rede de experiências e conduz seus alunos para a prática da leitura e da escrita. Mas até que ponto os alunos serão verdadeiros leitores?
Uma leitura simples, não interage com os significados e com as ideias do autor, apenas decodifica palavras. Para um verdadeiro leitor, a reflexão esmiúça as intenções do autor, transporta-as para a sua realidade e as contextualiza em ressignificados. É um diálogo com a obra, numa leitura pessoal construída pelas experiências de vida.


O professor e psicopedagogo Celso Antunes fala em “construtor de leitores” ao se referir ao professor que faz da sua prática diária um exercício contínuo de valorizar cada descoberta, cada notícia, cada frase ou tema que promova o pensamento de seu aluno. Ao mesmo tempo, é fundamental a percepção que a leitura é universal, interdisciplinar, onde qualquer texto pode ter milhares de leituras possíveis.
Assim, o ato de ler sempre abre caminhos para um novo pensamento. Vai além de traduzir a mensagem de um autor. É compartilhar ideias, aceitando-as ou não, questionando-as ou não.  É fazer de um texto no papel, um pensamento vivo.