sábado, 16 de dezembro de 2017


FILME E REALIDADE


Como ponto de partida para a elaboração da síntese reflexiva das aprendizagens do semestre, assistimos ao filme indiano “Como estrelas na terra”, produção de 2007, dirigida por Aamir Khan. Na medida em que o filme trata da história de vida de um menino e de sua convivência familiar e escolar, estabelecer paralelos com nossa realidade, embora sejam culturas diferentes, é muito pertinente. As dificuldades de aprendizagem de Ishaan acabam desencadeando um preconceito por ele ser diferente dos demais, construído nas relações familiares e na escola em que frequenta. 

O filme também aborda os desafios de um professor que se importa com seus alunos. Refletindo sobre nossa postura pedagógica, é possível verificar o quanto o professor precisa ter um olhar pesquisador, como evidenciado na figura do professor do menino indiano, que não desistiu de seu aluno e buscou formas de incluí-lo no processo de aprendizagem.

Pensando na escola, ela, em sua função social, organiza na inclusão, os meios para atender e favorecer a todos os alunos, sem discriminá-los. Nas palavras de Cavallero (2010, p. 52): “Um dos grandes desafios consiste na promoção de um estado de convivência entre os diferentes, de modo que as singularidades de cada um possam se apresentar e dialogar no espaço coletivo”.  Em outras palavras, é a nossa aceitação do outro. Muitas vezes, pequenas medidas, como as tomadas pelo professor visto no filme, podem minimizar as dificuldades e abrir caminhos para que o aluno com dificuldades significativas possa desenvolver suas potencialidades.

REFERÊNCIAS:

CAVALLERO, J.  Programa singular. In: GITAHY, A. M. ;  CAVALLERO J. ; MENDES, R. H. Artes visuais na educação inclusiva: metodologia e práticas do Instituto Rodrigo Mendes. São Paulo: Petrópolis, 2010.


domingo, 10 de dezembro de 2017



CONHECIMENTO

Finalizando o sexto semestre do curso de Pedagogia, olhar para os semestres anteriores é um exercício de reflexão. Percebemos o quanto cada passo (ou etapa) foi responsável pela nossa formação atual. De uma escrita simples, embora autoral, hoje escrevemos com argumentações e referências, realizando conexões antes nunca pensadas.

Todo este movimento faz parte de uma aprendizagem consolidada numa prática de pesquisa, delimitada por uma interdisciplina que orienta, mas que exige argumentação, o que foi fundamental para conceituarmos nossos valores educacionais. Esta interdisciplina, o Seminário Integrador, preparou este semestre em etapas a serem cumpridas, ao mesmo tempo em que nos deu mais autonomia para exercitá-las. Ter autonomia é muito gratificante, mas no meu caso em específico, por uma interpretação equivocada, fiquei insegura por sentir falta de um acompanhamento como nos semestres anteriores. Talvez, se soubesse que era esta a proposta, isto é, que tínhamos liberdade para experimentar, as tarefas não seriam tão complicadas de executar.  Como tudo é aprendizado, carregarei este para o próximo semestre e, com certeza, minhas experiências me darão subsídios para aprender ainda mais.

Trazendo minhas experiências para a argumentação, como alunos, precisamos ter o conhecimento do que sabemos e também do que não sabemos, para que possamos administrar nossos próprios processos cognitivos de aprendizagem. Segundo Ribeiro (2003, p.110):

O conhecimento que o aluno possui sobre o que sabe e o que desconhece acerca do seu conhecimento e dos seus processos parece fundamental, por um lado, para o entendimento da utilização de estratégias de estudo, pois se presume que tal conhecimento auxilia o sujeito a decidir quando e que estratégias utilizar e, por outro, ou consequentemente, para a melhoria do desempenho escolar. (RIBEIRO, 2003, p. 110).


Assim, para aprender é preciso interagir com a informação e ser transformado por ela. Todas as experiências são válidas se nos apropriarmos delas para compor nosso conhecimento. É a forma, também, de servimos de exemplo para nossos alunos e estimulá-los a aprender cada vez mais.


REFERÊNCIAS:

RIBEIRO, Célia. Metacognição: um apoio ao processo de aprendizagem. In: Psicologia: reflexão e crítica, 2003, 16(1), p. 109-16

sábado, 2 de dezembro de 2017


Diálogo entre os saberes

Como professora, falar sobre o pensamento complexo, idealizado nos estudos do filósofo Morin, é refletir sobre nosso papel na educação do futuro. Partir de um modelo fragmentado como se dispõe hoje o ensino e dialogar com as partes para integrar os conhecimentos é preparar o aluno para compreender e interagir com uma cultura do mundo como um todo.

Nossa realidade é diversificada por natureza. Conviver com múltiplas informações nos encaminha a uma padronização de ações para facilitar a compreensão do todo. No entanto, é na singularidade e na interação entre estas informações diferentes que o pensamento complexo se estabelece e qualifica um conhecimento funcional que transcende o padrão estabelecido e cria algo novo, realimentando o próprio pensamento.

Assim, escola e sociedade representam um todo que vai além da soma das partes. São resultados  singulares da integração de pensamentos diferentes, mas que encontram funções afins quando dialogam com os seus saberes. Ter um padrão facilita as ações, mas dificulta a espontaneidade do novo e do diferente, tão importantes para diversificar nossa visão de mundo. E é na escola que encontramos os conhecimentos padronizados em disciplinas que, se tivessem suas barreiras rompidas, poderiam dialogar entre si e tornar um conhecimento mais configurado de realidade.  Conforme Morin (2003, p. 16):

Devemos, pois, pensar o problema o ensino, considerando, por um lado, os efeitos cada vez mais graves da compartimentação dos saberes e da incapacidade de articulá-los, uns aos outros; por outro lado, considerando que a aptidão para contextualizar e integrar é uma qualidade fundamental da mente humana, que precisa ser desenvolvida, e não atrofiada. (MORIN, 2003, p. 16).


Desta forma, ultrapassando o limite que a disciplina nos impõe e buscando relações entre mais conhecimentos através da transdisciplinaridade, é possível articular novos saberes e tornar nossa vida de aprendiz cada vez mais significativa. Então, quando aceitarmos a transdisciplinaridade como uma prática natural e necessária nas escolas, acabaremos nos permitindo, e ao aluno também, interagir com diferentes realidades que se somam e acabam criando algo maior, um novo conhecimento.


REFERÊNCIAS:

MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. 8ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.