sábado, 23 de setembro de 2017

Conhecimento é interação!
Ao trabalhar com a aprendizagem de nossos alunos, também aprendemos que a cognição é construída na troca do organismo com o meio. O desenvolvimento do conhecimento possibilita esta aprendizagem, o que é explorado na teoria do desenvolvimento cognitivo, de Jean Piaget. Esta teoria, baseada nos pressupostos epistemológicos do Construtivismo, destaca que o conhecimento ocorre a partir da interação do sujeito com o objeto (meio). Afirma, então, que o conhecimento não vem pronto, nem é imposto pelo meio, mas é construído a partir de uma interação com o meio em que o indivíduo vive.

Quando refletimos sobre a aplicação do Construtivismo na escola, percebemos que a aprendizagem se torna ativa para o aluno, pois o professor oportuniza situações problema que desacomodam e promovem o desenvolvimento de suas capacidades de pensamento, raciocínio lógico, análise, entre outras. Na busca de um equilíbrio para se adaptar a estas situações, o aluno vai desenvolvendo suas estruturas mentais. Portanto, o desenvolvimento é uma equilibração progressiva. Nas palavras de La Taille (1992, p.18): “De fato, cada um de nós precisa construir conhecimentos em resposta a uma demanda social de algum tipo, e também precisa comunicar seu pensamento, cuja correção e coerência serão avaliados pelos outros.”

Portanto, por sermos sujeitos sociais, temos necessidades estimuladas pelo grupo em que vivemos, que se tornam estímulos para buscarmos respostas, o que acabam se tornando elementos novos de assimilação e, por consequência, acomodação. Estabelece-se o equilíbrio onde a aprendizagem se estabelece. Quando toda esta caminhada for incorporada pelos professores em seu planejamento, certamente o Construtivismo atingirá seu objetivo na obtenção de uma educação de qualidade.


REFERÊNCIAS:
La TAILLE, Yves de. O lugar da interação social na concepção de Jean Piaget. In: La TAILLE, Yves de; OLIVEIRA, Marta Kohl de; DANTAS, Heloysa. Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. São Paulo: Summus, 1992.

sábado, 16 de setembro de 2017


Quando falamos em sociedade ética, estamos falando de uma sociedade para todos. Acreditando que o aprendizado da ética pode ser feito em qualquer lugar nós, educadores, precisamos estar conscientes desta necessidade para que possamos contribuir na formação de uma sociedade que valorize suas singularidades, sem desmerecer o caráter social.

Pensando na vida como um aprendizado comum a todos, é possível destacar o papel da educação na inserção do indivíduo neste mundo de crenças éticas e de valores e como orientá-lo para um equilíbrio entre a individualização e a socialização. Por exemplo, quando em sala de aula, nós, professores, trabalhamos com os alunos a construção de regras de convivência, não só promovemos uma reflexão sobre valores humanos ou costumes, mas também uma avaliação e um posicionamento sobre o que é melhor para todos. É o exercício da formação ética.

No entanto, não podemos esquecer que, para formar pessoas com capacidade de escolher e de conduzir suas vidas, há necessidade de equilibrar a razão e a emoção, com um senso crítico para regras comuns. Promover situações de reflexão com os alunos, permitindo que eles se imaginem no lugar do outro, estimula não só a sensibilidade, mas a análise dos princípios universais de convivência.

Uma prática crítica em sala de aula seria avaliar com os alunos se nossos hábitos, por serem costumes, devem ser considerados bons ou verdadeiros apenas por estarmos acostumados a eles. Enquanto a noção de moral está ligada ao hábito, a essência da ética está em pensar sobre o que faço. É a melhor forma de aprendermos a conviver uns com os outros. Nas palavras de Sousa (2007, p.226):

Em decorrência de um contexto social, político, econômico e cultural, a ética é universal, possibilitando o estabelecimento de um código regulador de condutas para todos os indivíduos que compõem certo grupo social. Nesse sentido, o código estabelecido pela ética é relativo ao contexto no qual os sujeitos éticos vivem e praticam suas ações de caráter moral. Em síntese, a ética pode iluminar a consciência do homem, fundamentando e dirigindo suas ações, no plano individual e social. (SOUSA, 2007, p. 226).

Então, se queremos promover uma sociedade ética, é através destas pequenas ações diárias que se estabelecem entre as pessoas que aprendem a valorizar o bem comum, que ela será construída. A escola é, então, um espaço especial para estas experiências, pois trabalhamos com o pensamento e será através dele que aprenderemos a nos posicionarmos corretamente no mundo.


REFERÊNCIAS:

SOUSA, José Vieira de. A identidade do sujeito social, ético e político e o projeto pedagógico da escola. In: VEIGA, Ilma Passos Alencastro e FONSECA, Marília. As dimensões do projeto político-pedagógico: novos desafios para a escola, 6ª ed (Orgs.). Campinas/SP: Papirus, 2007.

sábado, 9 de setembro de 2017

BUSCAR POTENCIALIDADES NA APRENDIZAGEM

Esta semana, os temas tratados na interdisciplina Educação de Pessoas com necessidades Educacionais Especiais promoveram uma grande reflexão em nossos estudos. Falar em Educação Especial é destacar muitos desafios e conquistas ao longo dos anos e uma história de reivindicações por direitos e não privilégios.

Nossa escola é um espaço para resguardar os direitos de todos, sobretudo o direito à educação. Cada vez que estudamos estes assuntos, percebemos o quanto precisamos derrubar barreiras e mudar atitudes para tornar nossa escola verdadeiramente inclusiva. Se na Constituição Federal de 1988 a educação é um direito fundamental de todos, a escola deve agregar as condições, incluindo um atendimento educacional especializado para quem precisa, proporcionando o atendimento a todos os alunos.

Ao mesmo tempo, nos perguntamos diariamente, como trabalhar com as dificuldades de aprendizagem, sejam elas físicas ou cognitivas. Ou, então, como oportunizar o acesso a todos e mantê-los em um ambiente receptivo para esta aprendizagem? Na realidade, o primeiro passo é considerar a pessoa antes da deficiência, buscar potencialidades e não apenas diagnosticar as dificuldades. Segundo Rossato e Martínez (2011, p.72):

A compreensão das dificuldades de aprendizagem escolar não pode ser considerada de forma universal, uma vez que abrange um conjunto de fatores que são distintos em cada sujeito. Dificuldade de aprendizagem escolar não significa impedimento em geral para aprender – afinal, existem muitos outros espaços em que a aprendizagem ocorre –, mas a dificuldade em dominar um sistema de conceitos científicos dentro do tempo e dos padrões avaliativos utilizados na escola. (ROSSATO; MARTÍNEZ, 2011, p.72).

Sendo assim, como superar esta padronização de planejamentos e ações realizadas na escola? Cada vez mais precisamos superar também nossa dificuldade em trabalhar com as diversidades, nos espelhando na coragem e na determinação dos movimentos sociais atuais que lutam pela dignidade humana. O ideal, então, seria que a sociedade fosse um movimento único em favor de todas as pessoas, derrubando barreiras, obstáculos e atitudes que insistem em não valorizar a essência de cada um.


REFERÊNCIAS:

ROSSATO, M.; MARTÍNEZ, A.M. A superação das dificuldades de aprendizagem e as mudanças na subjetividades. In: MARTÍNEZ, A. M.; TACCA, M.C.V.R. (organizadoras). Possibilidades de aprendizagem: ações pedagógicas para alunos com dificuldade e deficiência. Campinas, SP: Editora Alínea, 2011.


sábado, 2 de setembro de 2017




SOCIEDADE PLURAL



A sociedade brasileira, dialogando há 120 anos com os ideais republicanos e democráticos, ainda enfrenta o desafio da integração social e racial. Efetivamente, a organização hierárquica e autoritária da sociedade é colocada em cheque nos momentos de reconstrução da democracia, pressionando pela apresentação de uma resposta não apenas à questão da pobreza, mas à questão da desigualdade racial. (JACCOUD, 2008, p.64).
     




A citação acima nos faz refletir, perpassando um olhar pelo espaço escolar, o quanto é importante promover o diálogo nas aulas, tendo como foco a identidade social. Racismo, preconceito e desigualdade social fazem parte de um contexto a combater na construção da cidadania, não como um conteúdo educativo obrigatório, mas como uma visão de sociedade igualitária em oportunidades de reconhecimento e valorização das identidades.

Quando oportunizamos debates sobre as realidades sociais, os alunos são apresentados às políticas públicas e reconhecem na escola a sua função social. São chamados, portanto,  a refletirem sobre seu lugar no mundo e a buscarem, pela conscientização, seu desenvolvimento humano.

Etnia, idade, gênero, entre outros, nos diferenciam mas também nos unem em grupos, o que nos fazem constituintes de uma  sociedade plural. Sociedade que só pode se manter viva se todos tiverem oportunidades de participar e de promover mudanças, fazendo com que o coletivo se reforce e valorize a pluralidade cultural. 

REFERÊNCIAS:
JACCOUD, Luciana. Racismo e república: o debate sobre o branqueamento e a discriminação racial no Brasil. In: THEODORO, Mário(org.). As políticas públicas e a desigualdade racial no Brasil: 120 anos após a abolição. Brasília: IPEA, 2008.