sábado, 23 de julho de 2016

Relações sociais na escola




Por sermos professores, nosso olhar está sempre focado na escola. Compreender os sujeitos sociais que protagonizam as relações diárias neste ambiente, melhora a administração de conflitos e favorece a busca por uma aprendizagem mais significativa.

Constata-se que a escola, hoje, acaba sendo o espaço no qual muitas pessoas tem acesso à alimentação, orientações de higiene e saúde e, em contrapartida, ao conhecimento sistematizado. Este espaço social se multiplica de intenções quando a educação tem um caráter integral, onde os alunos constroem sua identidade no convívio com os outros, estabelecendo parâmetros conscientes entre direitos e deveres.

A relação social fundamental é uma relação entre sujeitos, o “eu” e o “outro”. Reconhecer o outro e respeitar esta diferença faz parte de toda uma formação pessoal cujas etapas se consolidam principalmente na escola. Nas palavras de Rios (2002, p. 123): “O outro aparece como medida de nossa liberdade, pois a liberdade se dá em relação. Não há homens livres sozinhos. Se tivéssemos indivíduos isolados, não haveria sentido em se falar em liberdade. Somos livres em companhia.”

Então, o trabalho docente é voltado não só para a construção do conhecimento, mas também para a construção da cidadania, do respeito ao outro e da aceitação da liberdade como um bem coletivo.


REFERÊNCIAS:

RIOS, Terezinha Azerêdo. Compreender e ensinar: por uma docência da melhor qualidade. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2002.

sábado, 16 de julho de 2016


APRENDER 
ENSINAR

Conhecer não é sinônimo de “saber fazer”. Neste enfoque, o professor enfrenta uma reflexão diária para repensar seu compromisso com o ensino. Independente da falta de recursos e da situação precária de várias escolas no país, muitos professores conseguem entusiasmar seus alunos para construir o conhecimento. É o detalhe que faz a diferença para o professor: estar preparado para aprender cada vez mais a arte de ensinar.

Ao falarmos da postura do professor, é preciso se reconhecer o quanto o autoritarismo pedagógico pode prejudicar a aprendizagem na medida em que desvaloriza as capacidades dos alunos. Assim, o conhecimento dá autoridade ao trabalho do professor, mas não o autoriza a ser autoritário. Nas palavras de Tufano (2004, p. 45): "E é justamente por ser mais experiente e saber mais que cabe ao professor mudar seu comportamento, e não, ao contrário, esperar que os alunos se adaptem a seu modo de ensinar. Saber a hora de mudar – isso é postura de professor."

Desencadear processos de aprendizagem faz parte do ofício de ser professor. Planejar e ressignificar os conteúdos também. Todo este contexto, converge em um perfil de profissional que precisa aprender a conduzir o outro, no caso o aluno, a sua própria autonomia. Constitui-se, portanto, uma relação pedagógica de convivência, com o professor sendo um sujeito integrado com o mundo e voltado para ações educativas que contribuem com a formação dos alunos.

Então, ser professor envolve esforço e, sobretudo, uma postura humilde. Humildade para perceber que todo ser humano tem limitações e que sempre podemos aprender mais, inclusive aprender melhor como ensinar.


REFERÊNCIAS:
TUFANO, Douglas. Postura de professor. In: PASCALE, R.; LARA, W. (org.). Relações do ensinar. São Paulo: Paulus, 2004. p. 44-47.

sábado, 9 de julho de 2016


ESPAÇO ESCOLAR


Toda criança tem seu mundo particular. Quando ela ingressa na escola, passa a fazer parte de um mundo maior, diversificado, sua teia social. Neste contexto, ela desenvolve relações e interpretações da sua realidade. Conhecer sua realidade e necessidades se torna uma demanda obrigatória para os educadores. Conforme Sarmento (2013): "Para educar, temos de aproveitar não só os recursos pedagógicos existentes como também as dinâmicas sociais geradas em cada contexto."


Neste sentido, não existe um único modelo para a Educação Infantil. É preciso observar e ouvir as crianças para conhecer sua concepção de sociedade. É nesta visão de respeito à cultura infantil, que as propostas pedagógicas devem ser diferenciadas para contemplar o desenvolvimento das competências intelectuais e afetivas dos pequenos.

A pluralidade social promove concepções diferentes da infância, mas que convergem para o universo escolar e para um trabalho de inclusão permanente realizado pelo professor. Na escola, então, são diferentes crianças em múltiplas realidades numa mesma sociedade, que, ao conviver em um mesmo espaço, estabelecem relações e constroem sua identidade.

No entanto, há necessidade da intervenção dos educadores para que a convivência escolar seja inclusiva e democrática. As diferenças sociais e culturais devem ser respeitadas durante a formação do indivíduo, para que a escola, espelho da sociedade vigente, seja também igualitária e justa.


REFERÊNCIAS:


sábado, 2 de julho de 2016


APRENDER


A mente aberta sabe aprender, virtualmente, a partir de todas as teorias, porque a nenhuma se filia e a todas reconstrói; sobretudo constrói a própria. Assim, engajamento político não significa necessariamente posição “tapada”, como se fora dela não houvesse salvação. O compromisso político não pode ser drenado para a defesa de teorias, mas para a defesa da aprendizagem dos alunos. [...] Teorias e ideologias precisam abrir caminhos, questionar todas as outras e sobretudo a si mesmas, olhar para o outro lado – isto é aprender. (DEMO, 2000, p.56)



Em nossa sociedade contemporânea, conhecimento é poder. No entanto, não se pode apenas querer conhecer; é necessário, em contrapartida, querer aprender. Hoje, a ciência lida com a certeza da incerteza, desafiando-se a buscar outras respostas para as mesmas perguntas. É uma sabedoria que se instala desafiando os limites como forma de superação dos mesmos.

Em um mundo multifacetado, o conhecimento especializado ainda tem o seu valor, mas cada vez mais a interdisciplinaridade vem preencher um espaço de reforço, não para um discurso único, mas para uma rede conjunta de soluções. A realidade é problematizada com vários enfoques e os questionamentos são permanentes. Saber pensar é essencialmente saber questionar, o que promove a desacomodação do ser humano e sua busca incessante de um novo conhecimento, inclusive na desconstrução e reconstrução de novas ideias.

Voltando o olhar para a escola, é preciso encontrar espaço para a importância dos erros, pois aprendemos através deles que somos falíveis, e que sempre é necessário refazer nossos passos e olhar mais longe, isto é, aprender mais. Portanto, professores em constante processo de formação são aqueles que promovem a desconstrução e a reconstrução da aprendizagem com seus alunos, problematizando para melhor desproblematizar.


REFERÊNCIA:

DEMO, Pedro. Conhecer & aprender: sabedoria dos limites e desafios. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.