sexta-feira, 23 de dezembro de 2016




ESTAR VIVO É APRENDER ...

Trabalhar em educação é estar constantemente inquieto. As mudanças diárias no mundo e as demandas da tecnologia necessitam de uma atualização permanente do professor. Mas como tornar isso uma potência e não um fardo, já que o conhecimento é o que nos faz sintonizados com a educação?

Nessa linha, a ideia de que somos seres “aprendentes” nos remete para um aprendizado experimental, onde vivenciar a construção e reconstrução do conhecimento alimenta não só a nossa formação, mas nos modela para as interações sociais, sobretudo com nossos alunos. Nas palavras de Assmann (1998, p. 35):

Hoje, o avanço das biociências nos foi mostrando que a vida é, essencialmente, aprender, e que isto se aplica aos mais diferentes níveis que se podem distinguir no fenômeno complexo da vida. Parece que se trata deveras de um princípio abrangente relacionado com a essência do “estar vivo”, que é sinônimo de estar interagindo, como aprendente, com a ecologia cognitiva na qual se está imerso, desde o plano estritamente biofísico até o mais abstrato plano mental.(ASSMANN, 1998, p. 35)

Assim, neste semestre no curso de Pedagogia, vivenciei inúmeras experiências de leitura e pesquisa que me prepararam para elaborar e aplicar atividades diferenciadas com meus alunos. Em um olhar mais amplo, as interdisciplinas de Representação do Mundo pela Matemática, Representação do Mundo pelas Ciências Naturais e Representação do Mundo pelos Estudos Sociais interagiram em minhas reflexões e formaram um mosaico de ideias que se complementavam a cada nova leitura.

Para exemplificar, escolhi três livros, entre tantos, que me fizeram tecer uma teia de aprendizagens e de interações com o conhecimento (Fotos: Arquivo Pessoal)
Matemática - Coleção Mathemoteca

História - PINTO e TURAZZI ; Ciências - NIGRO

No final, fica a certeza de que cada um de nós tem uma forma de aprender e de que ela precisa ser valorizada para apreciarmos os caminhos diferentes de aprendizagem que nos cercam. Leituras colaboram para conhecermos ideias novas e/ou reafirmar significados. Refletir sobre pensamentos de autores e de profissionais competentes em suas áreas nos faz repensar as certezas e formular novas dúvidas, o que acaba sendo a síntese do nosso aprendizado.

REFERÊNCIAS:

ASSMANN, Hugo. Reencantar a educação: rumo à sociedade aprendente. Petrópolis, RJ: Vozes, 1998.

GONÇALVES, F.A.; GOMES, L.B.; VIDIGAL, S.M.P. Materiais manipulativos para o ensino de figuras planas. Coleção Mathemoteca/ organizadoras: SMOLE, K.S.; DINIZ, M.I. São Paulo: Edições Mathema, 2012.

NIGRO, Rogério G. Ciências: soluções para dez desafios do professor, 1º ao 3º ano do ensino fundamental. São Paulo: Ática, 2012.

PINTO, Júlio Pimentel; TURAZZI, Maria Inez. Ensino de história: diálogos com a literatura e a fotografia. São Paulo: Moderna, 2012.

sábado, 17 de dezembro de 2016

UMA EXPERIÊNCIA DOCENTE

Numa simples adaptação do jogo “Faça 10” para sua aplicação em peças de um outro jogo, o dominó, foi possível explorar a compreensão da contagem e as noções de adição com alunos do 2º ano do Ensino Fundamental. Esta tarefa, lançada pela interdisciplina Representação do Mundo pela Matemática, proporcionou uma experiência docente enriquecedora, além de abrir novos campos de interpretação para resultados das atividades planejadas.

Durante a atividade, ao pedir que cada dupla de alunos selecionasse as peças do dominó necessárias para que o somatório dos pontos (bolinhas) fosse 10, a curiosidade inicial deu lugar à diversão durante as primeiras combinações. Os alunos contaram em voz alta as bolinhas de cada peça, usaram os dedinhos como auxílio, refizeram a contagem ou trocaram as peças para obterem a quantidade 10. Aos poucos, foi possível perceber que os mesmos  foram criando estratégias para acelerar o resultado certo, como no caso de manter uma peça conhecida e trocar as outras para formar novas combinações.

Contando bolinhas para obter 10

Esta atividade foi finalizada pela construção de algoritmos pelos alunos, que, ao organizarem as peças sobre uma folha, registraram estas operações, praticando o que já haviam anteriormente construído sobre a operação de adição em sala de aula.
   
            
Construção de um algoritmo para a adição


Analisando minha experiência, cada vez mais me convenço que o fundamental é dar significado para a prática ao valorizarmos as intervenções pedagógicas com nossos alunos. Na matemática, como nas demais disciplinas, os conteúdos são veículos para o desenvolvimento de habilidades e a participação do professor, do planejamento à execução, condiciona a trajetória de seus alunos. É o que encontramos nas palavras de Zabala (1998, p. 29), “É preciso insistir que tudo quanto fazemos em aula, por menor que seja, incide em maior ou menor grau na formação de nossos alunos”.

Assim, as relações interativas em sala de aula sempre fornecerão subsídios de interpretação para os professores. No caso da minha experiência, observar as formas de contagem, as estratégias de raciocínio e a verbalização dos pensamentos matemáticos dos alunos, me fez repensar o papel do professor não só no planejamento das atividades, mas, sobretudo, na intenção educativa que propomos para cada prática pedagógica.


REFERÊNCIAS:


ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: ARTMED Editora, 1998.

Imagens: Acervo pessoal.

sábado, 10 de dezembro de 2016

O olhar da Fotografia
A educação de nossas crianças e jovens está alicerçada na formação de valores e atitudes em defesa da paz entre as pessoas e do respeito às diferenças. A fotografia, como forma de expressão e de conhecimento humano, também pode fazer parte desta construção de cidadania. Segundo Pinto e Turazzi (2012, p. 164):

Alargando fronteiras geográficas, tecnológicas e sociais, a cultura associada à criação, circulação e consumo de fotografias, com quase dois séculos de existência, transformou a capacidade perceptiva do homem contemporâneo e seus meios de se fazer representar, para si próprio e para a coletividade. (PINTO; TURAZZI, p.164)

Assim, toda fotografia tem uma história a ser narrada. Expressa um momento de seu autor ou do seu olhar sobre o mundo. Pode ser a representação de fatos e de relações entre os indivíduos, expondo convivências e até situações que precisam ser conhecidas para serem denunciadas. É uma força social de representatividade da realidade e a marca de um presente que poderá ser modificado no futuro.

Portanto, uma imagem tem papel social como bem coletivo, visto que participa da construção do conhecimento dos grupos sociais. Ao mesmo tempo, ao constituir o patrimônio histórico e artístico de um povo, documenta as relações humanas que se consolidam na diversidade.

REFERÊNCIAS:

PINTO, Júlio Pimentel; TURAZZI, Maria Inez. Ensino de história: diálogos com a literatura e a fotografia. São Paulo: Moderna, 2012.

http://pointdaarte.webnode.com.br/news/a-historia-da-fotografia/ (Imagem)

domingo, 4 de dezembro de 2016

REAL E CONCRETO

Trabalhar a Geometria no cotidiano sempre torna a Matemática mais concreta. A necessidade de usar materiais manipulativos é essencial para iniciar a sistematização do conhecimento. Ao manipularem objetos reais, os alunos comentam e discutem ideias, oportunizando a construção de significados e desencadeando noções mais complexas dentro da Matemática. Nesta linha, o Geoplano, a malha pontilhada e/ou papel quadriculado, são aliados que favorecem a compreensão da reta e do ponto, bem como das figuras planas. O Tangram também é um recurso criativo para desenvolver as habilidades de percepção espacial. Nas palavras de Gonçalves, Gomes e Vidigal (2012, p.20):

O ensino de matemática no qual os alunos aprendem pela construção de significados pode ter como aliado o recurso aos materiais manipulativos, desde que as atividades propostas permitam a reflexão por meio de boas perguntas e pelo registro oral ou escrito das aprendizagens. (GONÇALVES; GOMES; VIDIGAL, 2012, p.20)


Neste contexto, é importante aproveitar as relações que a criança constrói com o espaço durante sua aprendizagem, não perdendo de vista o cuidado em dar continuidade com atividades coerentes que estimulem o seu raciocínio. Objetos reais servem de modelo para a criança e sua manipulação constituirá a base das representações mentais que a levará a compreender e sistematizar as propriedades que compõem a Matemática. Noções de distância, direção e sentido, entre outros, vão sendo internalizados pela experiência e pela reflexão, o que favorecerá o pensamento geométrico.

Portanto, a percepção espacial é fundamental como habilidade para a criança se posicionar no mundo e resolver problemas. Assim, é possível que ela, desde cedo, manipule objetos reais como forma de construção do pensamento geométrico e possa, na sequência, desenvolver suas habilidades espaciais também através de representações mentais.


REFERÊNCIAS:

GONÇALVES, F.A.; GOMES, L.B.; VIDIGAL, S.M.P. Materiais manipulativos para o ensino de figuras planas. Coleção Mathemoteca/ organizadoras: SMOLE, K.S.; DINIZ, M.I. São Paulo: Edições Mathema, 2012.