domingo, 27 de novembro de 2016


Ciência + reflexão = Investigação 

Ao propormos atividades de investigação como prática comum nas aulas de Ciências, muitas vezes é composta uma rotina de tarefas que acabam desestimulando os alunos a buscarem respostas. A curiosidade impele desde que tenha continuidade. Assim, redescobertas abrem caminhos para novas hipóteses e a imaginação é alimentada. Querer saber algo nos encaminha para a construção do conhecimento, mas saber algo apenas encontrando uma resposta pronta nos mantém na superficialidade.

Nós, professores, tratamos o conhecimento com profundidade, mas no decorrer do planejamento das aulas, às vezes não dosamos as exigências, transitando entre o senso comum e a profundidade. Desta forma, é necessário que a metodologia da investigação seja trabalhada, não como método rígido e indutivo, mas com o aluno analisando de forma crítica suas hipóteses e propondo formas de testá-las. Conforme Campos e Nigro (2009, p. 24):

Deve-se salientar, contudo, que o objetivo do ensino como investigação não é formar verdadeiros cientistas, tampouco obter única e exclusivamente mudanças conceituais. O que se pretende, principalmente, é formar pessoas que pensem sobre os fenômenos do mundo de modo não superficial. (CAMPOS; NIGRO, 2009, p. 24)

Portanto, na relação professor, aluno e conhecimento, as práticas científicas devem estimular a investigação e a busca de soluções para problemas, não com o intuito de uma formação especializada, mas com uma profundidade que supere o senso comum. É neste aspecto que o aluno buscará a compreensão da natureza e se envolverá com um comportamento investigativo, encontrando novas possibilidades de explicar e solucionar os problemas do cotidiano.

REFERÊNCIAS:

CAMPOS, Maria Cristina da Cunha; NIGRO, Rogério Gonçalves. Teoria e prática em ciências na escola: o ensino-aprendizagem como investigação. São Paulo: FTD, 2009.

http://cienciasnaturaisquintoano.blogspot.com.br/ (Imagem)



domingo, 20 de novembro de 2016

Gravataí, década de 1960



História do nosso espaço




É importante conhecer o lugar, a cidade ou a aldeia onde se vive, para saber bem o que se deve por ele (ela) fazer, para melhor para todos! Portanto, reconhecer-se no lugar para nele identificar-se e situar-se com qualidade de vida é o processo a ser seguido. (BARROSO, 2011, p.27)





A citação acima me fez refletir o quanto é necessário buscar os significados que compõem o nosso espaço de vivências, no caso, o município de Gravataí onde vivo. Assim, conhecer nossas raízes aumenta a compreensão das relações presentes em nosso espaço e favorecem nossa busca pela cidadania.
Toda esta reflexão foi motivada pela proposta da construção de um portfólio, solicitada pela interdisciplina Representação do Mundo pelos Estudos Sociais. Como o tema era livre, minha escolha foi sentimental, visto que moro desde que nasci na “Aldeia dos Anjos”, isto é, em Gravataí.
Entre minhas pesquisas, um dado me surpreendeu: “Em sessenta anos, de 1950 a 2010, a população do município multiplicou por dez”. É fato que, como nasci na década de 1960, venho acompanhando estas transformações, mas não havia me detido ainda em quantificá-las, o que me despertou curiosidade em aprofundar mais este tema.
Assim, compreender a dinâmica do município, passado e presente delineando o futuro, será um dos objetivos de meu portfólio, embora, talvez, algumas memórias afetivas acabem prevalecendo nas minhas escolhas dos documentos relevantes a serem registrados.

REFERÊNCIAS:
BARROSO, V. L. M. Gravataí: lugar de memórias. In: JACHEMET, C. S.; BARROSO, V. L. M. (org.) Raízes de Gravataí: memória, história e cidadania. Gravataí: Prefeitura Municipal: Casa dos Açores do Rio Grande do Sul; Porto Alegre: EST: Evangraf, 2011.

https://enquantoissonaaldeia.wordpress.com/category/resgatando-o-passado/

sábado, 12 de novembro de 2016


O tempo e  a dimensão cultural

Através do ensino de História, os alunos desenvolvem uma percepção sobre as modificações sociais no tempo. Mas como garantir neste ensino a reflexão sobre a transformação cultural no tempo e não apenas sua versão cronológica?
Para responder esta pergunta, precisamos compreender que o tempo possui uma dimensão cultural, onde a intervenção do homem provoca transformações no espaço social. Assim, é na escola que o ensino de História constitui, então, um trabalho progressivo visando a capacitação do aluno a analisar de forma crítica estas transformações.
Com a utilização de fontes históricas em sala de aula, o professor amplia os recursos concretos para obter esta reflexão. Documentos, réplicas, mapas, pinturas, entrevistas, fotografias, entre outros, enriquecem os conhecimentos sobre o passado e oportuniza aos alunos ler, intervir e argumentar para vivenciar os valores de sua sociedade. É por este caminho que alcançaremos uma visão crítica de nossa História.
Como exemplo, uma atividade oportuna para a sala de aula é a análise histórica de uma pintura. Tomemos como sugestão a análise de alguns quadros da pintora brasileira Tarsila do Amaral (1886 – 1973). Diversos aspectos podem ser abordados com os alunos, principalmente com suas pinturas das primeiras décadas do século XX, onde o Brasil passou por um intenso processo de urbanização, migração e imigração e, sobretudo, de industrialização.  

Algumas considerações sobre pinturas de Tarsila do Amaral:







Estrada de Ferro Central do Brasil (1924) 
Paisagem urbana e a vida moderna












                   Carnaval em Madureira (1924)               Paisagens ligadas ao campo e à cidade,                    alusão a uma festa popular (Carnaval)













Operários (1933) – Uma visão social da pintora










Ao apresentarmos estas e outras obras de Tarsila aos alunos, podemos valorizar a participação feminina na sociedade da época e de hoje, bem como estimular questionamentos que relacionem o passado com o presente. Os alunos podem, então, confeccionar suas próprias releituras destas obras.
Portanto, independente do documento histórico analisado, uma parte da história consegue ser revista e talvez redimensionada para o presente. Assim, nesta visão, fontes históricas são fundamentais para auxiliar os alunos a relacionar tempos e espaços diferentes.

REFERÊNCIAS:

NEMI, A.L.L.; ESCANHUELA,D. L.; MARTINS, J.C. Ensino de história e experiências: o tempo vivido. São Paulo: FTD, 2009.

http://tarsiladoamaral.com.br/obras/antropofagica-1928-1930/

domingo, 6 de novembro de 2016


CIÊNCIA NA SALA DE AULA
Ciência envolve mundo e vida. Somos cercados por fenômenos e vivemos deles. Como não trazê-los para estudos em sala de aula? Como não interagir com as crianças e vivenciar estas descobertas? É claro que não podemos ficar alheios a esta necessidade de buscar respostas e entender o mundo. Nas palavras de Nigro (2012, p. 88):

Acontece que as coisas se passam ao nosso redor, mas frequentemente não olhamos para elas com o “olhar do cientista”. E isso não pode acontecer com nossos alunos. O pequeno cientista que mora dentro das crianças deve ser bem cultivado, irrigado, provocado, para sair do estado de dormência e poder germinar. (NIGRO, 2012, p. 88)


Com este espírito de investigação, a interdisciplina Representação do Mundo pelas Ciências Naturais vem propondo atividades que nos permitem vivenciar estes momentos criativos com os alunos.


 Por exemplo, para exercitar a Classificação, apresentei um conjunto de botões diferentes misturados para uma aluna (Bruna, 6 anos), da 1ª série. Entre comentários, solicitei que ela separasse os botões em grupos, conforme suas observações.

O interessante é que Bruna escolheu o critério da cor para formar os grupos de botões, mas ao perceber que os botões vermelhos tinham tamanhos diferentes, separou-os em mais grupos. Perguntei se ela poderia fazer outras separações, onde uma de suas sugestões foi separar os “grandes dos pequenos”, chamando minha atenção para alguns botões que tinham formato diferente (coração) ou para aqueles que não tinham furos (forrados com tecido).

Portanto, estas experiências com os alunos nos deixam mais sintonizados com os processos de aprendizagem e oportunizam reflexões sobre o desenvolvimento do raciocínio lógico nas crianças. Todos estes estímulos proporcionam aos alunos autonomia para formular hipóteses e construir o seu caminho de argumentação.


REFERÊNCIAS:
NIGRO, Rogério G. Ciências: soluções para dez desafios do professor, 1º ao 3º ano do ensino fundamental. São Paulo: Ática, 2012.