Em uma postagem de novembro
de 2017, Os
desafios da escola inclusiva , analisei a função social da escola em relação
à inclusão, onde não podemos mais considerar a turma inteira como um todo, mas
como um grupo diverso que busca na convivência, oportunidades de crescimento na
aprendizagem.
Ao destacar que a inclusão
se traduz numa mudança de paradigma educacional, valorizei a necessidade de
promovermos um estado de convivência entre os diferentes. Nesse contexto, surge
a pergunta: somos todos iguais ou somos todos diferentes? Para responder essa
questão, há necessidade de buscarmos a lógica contida na cultura atual, pois
hoje, o direito à diferença faz parte da identificação do indivíduo. Conforme
Pierucci (1999, p. 7):
Somos todos iguais ou
somos todos diferentes? Queremos ser iguais ou queremos ser diferentes? Houve
um tempo que a resposta se abrigava segura de si no primeiro termo da
disjuntiva. Já faz um quarto de século, porém, que a resposta se deslocou. A
começar da segunda metade dos anos 70, passamos a nos ver envoltos numa
atmosfera cultural e ideológica inteiramente nova, na qual parece
generalizar-se, em ritmo acelerado e perturbador, a consciência de que nós, os
humanos, somos diferentes de fato [...], mas somos também diferentes de
direito. É o chamado “direito à diferença”, o direito à diferença cultural, o
direito de ser, sendo diferente. The right to be different!, como se diz em
inglês, o direito à diferença. Não queremos mais a igualdade, parece. Ou a
queremos menos, motiva-nos muito mais, em nossa conduta, em nossas expectativas
de futuro e projetos de vida compartilhada, o direito de sermos pessoal e
coletivamente diferentes uns dos outros. (PIERUCCI, 1999, p. 7).
Voltando para a reflexão do
tema, talvez o mais importante não seja a afirmação da igualdade, tampouco a
afirmação da diferença, mas o direito de convivermos como grupo, em espaços que
permitam as articulações sociais. A escola, então, por refletir a cultura social,
se torna uma formadora de opinião, comprometendo-se com a cidadania, nos
movimentos de transformação social. Quanto mais informações são difundidas,
maiores são as possibilidades de evoluirmos em valores humanos, construindo
esse estado de convivência tão desejado.
REFERÊNCIAS:
PIERUCCI, A. F. Ciladas da
diferença. São Paulo: Editora 34, 1999.

