quinta-feira, 23 de maio de 2019



Em uma postagem de novembro de 2017, Os desafios da escola inclusiva , analisei a função social da escola em relação à inclusão, onde não podemos mais considerar a turma inteira como um todo, mas como um grupo diverso que busca na convivência, oportunidades de crescimento na aprendizagem.

Ao destacar que a inclusão se traduz numa mudança de paradigma educacional, valorizei a necessidade de promovermos um estado de convivência entre os diferentes. Nesse contexto, surge a pergunta: somos todos iguais ou somos todos diferentes? Para responder essa questão, há necessidade de buscarmos a lógica contida na cultura atual, pois hoje, o direito à diferença faz parte da identificação do indivíduo. Conforme Pierucci (1999, p. 7):

Somos todos iguais ou somos todos diferentes? Queremos ser iguais ou queremos ser diferentes? Houve um tempo que a resposta se abrigava segura de si no primeiro termo da disjuntiva. Já faz um quarto de século, porém, que a resposta se deslocou. A começar da segunda metade dos anos 70, passamos a nos ver envoltos numa atmosfera cultural e ideológica inteiramente nova, na qual parece generalizar-se, em ritmo acelerado e perturbador, a consciência de que nós, os humanos, somos diferentes de fato [...], mas somos também diferentes de direito. É o chamado “direito à diferença”, o direito à diferença cultural, o direito de ser, sendo diferente. The right to be different!, como se diz em inglês, o direito à diferença. Não queremos mais a igualdade, parece. Ou a queremos menos, motiva-nos muito mais, em nossa conduta, em nossas expectativas de futuro e projetos de vida compartilhada, o direito de sermos pessoal e coletivamente diferentes uns dos outros. (PIERUCCI, 1999, p. 7).

Voltando para a reflexão do tema, talvez o mais importante não seja a afirmação da igualdade, tampouco a afirmação da diferença, mas o direito de convivermos como grupo, em espaços que permitam as articulações sociais. A escola, então, por refletir a cultura social, se torna uma formadora de opinião, comprometendo-se com a cidadania, nos movimentos de transformação social. Quanto mais informações são difundidas, maiores são as possibilidades de evoluirmos em valores humanos, construindo esse estado de convivência tão desejado.


REFERÊNCIAS:

PIERUCCI, A. F. Ciladas da diferença. São Paulo: Editora 34, 1999.


quarta-feira, 15 de maio de 2019

COMPARTILHAR PARA RECONSTRUIR


Por estar no final do curso de Pedagogia, ter uma postura reflexiva já faz parte de uma rotina de pensamentos. Nesta linha, busquei em meu blog a postagem Reflexões, de novembro de 2018, onde destaco a importância de interpretar as experiências vividas, no caso, no meu estágio na EJA (Educação de Jovens e Adultos).

Entre os comentários, abordei a visão de Demo (2000) sobre a aprendizagem reconstrutiva, onde a teoria e a prática se entrelaçam em projetos abertos e estimulados por desafios, o que se concretizou nas minhas experiências do estágio. Deste modo, a procura diária por uma didática adequada à diversidade dos alunos, promoveu comparações de métodos pedagógicos com a bagagem cultural dos alunos, incentivando-me a reconstruir concepções de educação com os próprios alunos. Coelho e Eiterer (2011, p. 172) associam essas experiências a desafios:

O desafio com o qual o educador em EJA tem que lidar assume a seguinte configuração: de um lado, as concepções interacionistas de ensino-aprendizagem que ele traz e, de outro, as concepções tradicionais que o aluno traz. Além do que, é preciso considerar ainda as dificuldades em torno da construção de novos conhecimentos: de um lado, as aquisições do conhecimento científico que o educador traz e, de outro, o conhecimento construído a partir das vivências que o educando traz. (COELHO; EITERER, 2011, p. 172).
  
Quando abrimos espaço para abordar os conhecimentos vividos pelos alunos, não só enriquecemos nossas aulas, como as tornamos mais flexíveis e identificadas com os valores pessoais e sociais do grupo. Compartilhar vivências e conhecimentos acumulados torna cada aluno um multiplicador de ideias, reconstruindo aprendizagens. 

Então, conhecimento científico deve estar associado a significados para a vida, bem como a uma abertura para a construção de novos pensamentos. Portanto, aprender a transitar entre o conhecimento formal e o informal, buscando relações e estabelecendo propostas de uma aprendizagem reconstrutiva, é o maior desafio de cada professor, sobretudo se ele trabalhar na EJA.

REFERÊNCIAS:

COELHO, A. M. S.; EITERER, C. L. A didática na EJA. In: SOARES, L.; GIOVANETTI, M. A.; GOMES, N. L. (orgs.) Diálogos na educação de jovens e adultos. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2011.

DEMO, Pedro. Conhecer & aprender: sabedoria dos limites e desafios. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.