sábado, 16 de dezembro de 2017


FILME E REALIDADE


Como ponto de partida para a elaboração da síntese reflexiva das aprendizagens do semestre, assistimos ao filme indiano “Como estrelas na terra”, produção de 2007, dirigida por Aamir Khan. Na medida em que o filme trata da história de vida de um menino e de sua convivência familiar e escolar, estabelecer paralelos com nossa realidade, embora sejam culturas diferentes, é muito pertinente. As dificuldades de aprendizagem de Ishaan acabam desencadeando um preconceito por ele ser diferente dos demais, construído nas relações familiares e na escola em que frequenta. 

O filme também aborda os desafios de um professor que se importa com seus alunos. Refletindo sobre nossa postura pedagógica, é possível verificar o quanto o professor precisa ter um olhar pesquisador, como evidenciado na figura do professor do menino indiano, que não desistiu de seu aluno e buscou formas de incluí-lo no processo de aprendizagem.

Pensando na escola, ela, em sua função social, organiza na inclusão, os meios para atender e favorecer a todos os alunos, sem discriminá-los. Nas palavras de Cavallero (2010, p. 52): “Um dos grandes desafios consiste na promoção de um estado de convivência entre os diferentes, de modo que as singularidades de cada um possam se apresentar e dialogar no espaço coletivo”.  Em outras palavras, é a nossa aceitação do outro. Muitas vezes, pequenas medidas, como as tomadas pelo professor visto no filme, podem minimizar as dificuldades e abrir caminhos para que o aluno com dificuldades significativas possa desenvolver suas potencialidades.

REFERÊNCIAS:

CAVALLERO, J.  Programa singular. In: GITAHY, A. M. ;  CAVALLERO J. ; MENDES, R. H. Artes visuais na educação inclusiva: metodologia e práticas do Instituto Rodrigo Mendes. São Paulo: Petrópolis, 2010.


domingo, 10 de dezembro de 2017



CONHECIMENTO

Finalizando o sexto semestre do curso de Pedagogia, olhar para os semestres anteriores é um exercício de reflexão. Percebemos o quanto cada passo (ou etapa) foi responsável pela nossa formação atual. De uma escrita simples, embora autoral, hoje escrevemos com argumentações e referências, realizando conexões antes nunca pensadas.

Todo este movimento faz parte de uma aprendizagem consolidada numa prática de pesquisa, delimitada por uma interdisciplina que orienta, mas que exige argumentação, o que foi fundamental para conceituarmos nossos valores educacionais. Esta interdisciplina, o Seminário Integrador, preparou este semestre em etapas a serem cumpridas, ao mesmo tempo em que nos deu mais autonomia para exercitá-las. Ter autonomia é muito gratificante, mas no meu caso em específico, por uma interpretação equivocada, fiquei insegura por sentir falta de um acompanhamento como nos semestres anteriores. Talvez, se soubesse que era esta a proposta, isto é, que tínhamos liberdade para experimentar, as tarefas não seriam tão complicadas de executar.  Como tudo é aprendizado, carregarei este para o próximo semestre e, com certeza, minhas experiências me darão subsídios para aprender ainda mais.

Trazendo minhas experiências para a argumentação, como alunos, precisamos ter o conhecimento do que sabemos e também do que não sabemos, para que possamos administrar nossos próprios processos cognitivos de aprendizagem. Segundo Ribeiro (2003, p.110):

O conhecimento que o aluno possui sobre o que sabe e o que desconhece acerca do seu conhecimento e dos seus processos parece fundamental, por um lado, para o entendimento da utilização de estratégias de estudo, pois se presume que tal conhecimento auxilia o sujeito a decidir quando e que estratégias utilizar e, por outro, ou consequentemente, para a melhoria do desempenho escolar. (RIBEIRO, 2003, p. 110).


Assim, para aprender é preciso interagir com a informação e ser transformado por ela. Todas as experiências são válidas se nos apropriarmos delas para compor nosso conhecimento. É a forma, também, de servimos de exemplo para nossos alunos e estimulá-los a aprender cada vez mais.


REFERÊNCIAS:

RIBEIRO, Célia. Metacognição: um apoio ao processo de aprendizagem. In: Psicologia: reflexão e crítica, 2003, 16(1), p. 109-16

sábado, 2 de dezembro de 2017


Diálogo entre os saberes

Como professora, falar sobre o pensamento complexo, idealizado nos estudos do filósofo Morin, é refletir sobre nosso papel na educação do futuro. Partir de um modelo fragmentado como se dispõe hoje o ensino e dialogar com as partes para integrar os conhecimentos é preparar o aluno para compreender e interagir com uma cultura do mundo como um todo.

Nossa realidade é diversificada por natureza. Conviver com múltiplas informações nos encaminha a uma padronização de ações para facilitar a compreensão do todo. No entanto, é na singularidade e na interação entre estas informações diferentes que o pensamento complexo se estabelece e qualifica um conhecimento funcional que transcende o padrão estabelecido e cria algo novo, realimentando o próprio pensamento.

Assim, escola e sociedade representam um todo que vai além da soma das partes. São resultados  singulares da integração de pensamentos diferentes, mas que encontram funções afins quando dialogam com os seus saberes. Ter um padrão facilita as ações, mas dificulta a espontaneidade do novo e do diferente, tão importantes para diversificar nossa visão de mundo. E é na escola que encontramos os conhecimentos padronizados em disciplinas que, se tivessem suas barreiras rompidas, poderiam dialogar entre si e tornar um conhecimento mais configurado de realidade.  Conforme Morin (2003, p. 16):

Devemos, pois, pensar o problema o ensino, considerando, por um lado, os efeitos cada vez mais graves da compartimentação dos saberes e da incapacidade de articulá-los, uns aos outros; por outro lado, considerando que a aptidão para contextualizar e integrar é uma qualidade fundamental da mente humana, que precisa ser desenvolvida, e não atrofiada. (MORIN, 2003, p. 16).


Desta forma, ultrapassando o limite que a disciplina nos impõe e buscando relações entre mais conhecimentos através da transdisciplinaridade, é possível articular novos saberes e tornar nossa vida de aprendiz cada vez mais significativa. Então, quando aceitarmos a transdisciplinaridade como uma prática natural e necessária nas escolas, acabaremos nos permitindo, e ao aluno também, interagir com diferentes realidades que se somam e acabam criando algo maior, um novo conhecimento.


REFERÊNCIAS:

MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. 8ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.

sábado, 25 de novembro de 2017



Importância do Censo Escolar

A coleta de dados estatísticos traz subsídios para planejamentos e ações pedagógicas nas escolas. No entanto, ela pode ser mais qualitativa, isto é, pode servir também para reconhecer e valorizar as singularidades dos alunos, desenvolvendo sentimentos de pertencimento ao grupo, desde que os educadores aproveitem para refletir sobre as desigualdades raciais. Conforme as Orientações para Educação das Relações Étnico-raciais (Brasil, 2006, p. 62):

Enfatizar as relações entre negros, brancos e outros grupos étnico-raciais no Ensino Fundamental não nos leva necessariamente a conflitos ou impasses. Há a possibilidade de mediações, de acertos, que permitam uma aproximação de interesses ao mesmo tempo comuns e não-comuns, mas que se fundem na negociação. (BRASIL, 2006, p. 62).

Quando refletimos sobre a diversidade étnico-racial brasileira, percebemos que nos levantamentos estatísticos estão presentes as desigualdades sociais. Entre levantamentos oficiais, o Censo Escolar é considerado o principal instrumento de coleta de informações da educação básica. Sendo assim, ao pesquisar os dados coletados nas matrículas de uma escola, ou seja, as mesmas informações registradas no Censo Escolar, poderemos ter um diagnóstico para analisar a influência da desigualdade étnico-racial na trajetória dos alunos da escola.

Cinco categorias (cor/raça) fazem parte de instrumentos de pesquisa do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), como no Censo Escolar, onde podemos estabelecer relações com os dados coletados em todo o país e aprofundar o conhecimento da realidade étnico-racial de nossa comunidade escolar.

No entanto, para conhecer a realidade escolar, não basta termos ciência da realidade étnico-racial local, mas ela nos sinaliza diversos conflitos, inclusive sociais, de discriminação ou segregação de oportunidades na educação a que todos têm acesso. Condições de moradia e saneamento básico, emprego e saúde determinam o desenvolvimento qualitativo de uma comunidade. Todos estes fatores fazem parte de necessidades básicas de qualquer indivíduo, independente da comunidade ou de seu grupo social.

Como as políticas públicas, inclusive as educacionais, são criadas a partir de necessidades da população, conhecer a composição étnico-racial dos alunos, será um grande passo para buscar estratégias que garantam uma educação igualitária, onde todos tenham condições de acesso e permanência na escola, independente de uma caracterização ou de pertencimento a um determinado grupo étnico.

REFERÊNCIAS:

BRASIL. Orientações e  Ações para a Educação das relações Étnico-raciais. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. Brasília: MEC, SECAD, 2006.


sábado, 18 de novembro de 2017



CONHECENDO O MODO COMO A CRIANÇA APRENDE

Ao estudarmos a Epistemologia Genética de Piaget é possível ter, como professores, muitas ferramentas para conhecer o nosso aluno, isto é, conhecer o modo como ele aprende. Aplicando provas operatórias do Método Clínico, por exemplo, poderemos perceber como a criança entrevistada age em determinadas situações e como responde para solucionar problemas.

Com o Método Clínico, poderemos investigar o pensamento da criança em diferentes etapas do seu desenvolvimento e refletir sobre os tipos de respostas dadas. Através de entrevistas, o pesquisador interage com o sujeito, orientado por hipóteses iniciais. Desta forma, pode-se complementar as perguntas para que se façam melhores interpretações das respostas. Estes procedimentos seguem objetivos específicos, relacionados a hipóteses de respostas que os sujeitos darão. É uma forma organizada de conhecer o raciocínio lógico da criança. Nas palavras de Delval (2002, p.67):

[...] o método clínico é um procedimento para investigar como as crianças pensam, agem e sentem, que procura descobrir o que não é evidente no que os sujeitos fazem ou dizem, o que está por trás da aparência de sua conduta, seja em ações ou palavras. (DELVAL, 2002, p.67).

Todo professor precisa amparar sua metodologia de trabalho na compreensão do raciocínio lógico-matemático do aluno. É através deste conhecimento que seu planejamento deve ser embasado para propor estratégias que facilitem as aprendizagens. O desenvolvimento cognitivo depende de condições para que a criança experimente e interaja com o objeto, assimile e transforme em conhecimento. Assim, quando o Método Clínico é utilizado como diagnóstico do desenvolvimento cognitivo, mais subsídios terá o professor para entender o pensamento do seu aluno.


REFERÊNCIAS:

DELVAL, Juan. Introdução à prática do Método Clínico – descobrindo o pensamento das crianças. Porto Alegre: Artmed, 2002.

sábado, 11 de novembro de 2017

IDENTIFICAÇÃO NAS CULTURAS

Todo grupo social se constrói a partir de relações de identificação e de pertencimento a uma cultura. Uma sociedade é o resultado de uma pluralidade de culturas que se reafirmam diariamente nas relações com o outro. Sendo assim, a multiplicidade de grupos étnicos enriquece a criatividade de um povo e necessita, ao mesmo tempo, de um desejo de convivência harmoniosa em meio às diferenças. Então, se identificar como parte de um grupo traz junto a responsabilidade de respeitar a dimensão étnica do outro.

Estamos mais conscientes das relações entre educação, sociedade e cultura. No entanto, precisamos ficar mais atentos para compreender e valorizar as histórias de lutas e de afirmação de espaço das diferentes etnias que compõem a dinâmica da nossa sociedade. Desde o final da década de 1990, normatizações feitas pelo Ministério da Educação e Cultura sinalizam a preocupação com a diversidade cultural e com a valorização das relações étnico-raciais. Nas palavras de Mattos e Abreu (2012, p. 116): “É, na verdade, um dos sinais mais significativos de um novo lugar político e social conseguido pelos chamados movimentos negros e antirracistas no processo político brasileiro e no campo educacional em especial”.

No que diz respeito às relações sociais, elas concretizam a dimensão étnica, num jogo de poder, independente do grupo social se encontrar ou não marginalizado. Conforme Kreutz (2011, p. 185):

Significa dizer que os processos culturais são conflituosos e que em cada etnia há uma história de luta pela determinação de seus valores, pela busca e afirmação de espaço. A consciência de que a dinâmica de uma sociedade ocorre no entrecruzamento de interesses, de conflitos, muitas vezes contrapostos, indica a necessidade de buscar entender como a escola atua ou atuava diante do desafio da diversidade de culturas. (KREUTZ, 2011, p. 185).


Desta forma, a escola novamente se destaca como espaço de diálogo para esta pluralidade de sujeitos, onde a educação precisa ser emancipatória, combatendo desigualdades e discriminações, rompendo sentimentos de inferioridade e superioridade. É a melhor forma de formar cidadãos, onde todos exercem seus direitos, fortalecendo sua participação no espaço público.


REFERÊNCIAS:

KREUTZ, Lúcio. Escola de imigrantes no Brasil. In: FONSECA, M. V.; SILVA, C. M. N. da; FERNANDES, A. B. (org.). Relações étnico-raciais e educação no Brasil. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2011.

MATTOS, H.; ABREU, M. Uma conversa com professores de história sobre as “Diretrizes Curriculares Nacionais para as relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana”. In: DANTAS, C. V.; MATTOS, H.; ABREU, M. (org.). O negro no Brasil: trajetórias e lutas em dez aulas de história. 1ª ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.


sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Os desafios da Escola Inclusiva

Nas leituras sobre Educação Especial, percebemos que a legislação do Ministério da Educação sustenta que, independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, entre outras, toda criança deve ser atendida em uma escola regular. Chegou a hora, então, de repensar o modelo educacional vigente e diversificar nosso olhar para encontrar formas de fugir da padronização habitual, pois cada um tem sua essência e esta precisa ser potencializada.

Este desafio faz parte não só da escola, mas de toda sociedade cujos cidadãos buscam direitos e dignidade. Como cada um é um sujeito, sua identidade deve ser respeitada e, a ele, devem ser oportunizadas as condições para seu  desenvolvimento. A escola, em sua função social, organiza na inclusão, os meios para atender e favorecer a todos os alunos. É na valorização das diferenças, então, que a convivência da diversidade se estabelece e todos ganham com isso. Nas palavras de Cavallero (2010, p.52):

Nos últimos tempos, questões que envolvem a inclusão e a exclusão entraram na pauta de muitas instituições educativas, formais e não formais, dentro e fora de nosso país. Isso reflete a urgência de se repensar o papel da educação diante das grandes transformações sociais da atualidade, para que nós, educadores, possamos efetivar uma educação mais abrangente e mais próxima de nosso tempo. Um dos grandes desafios consiste na promoção de um estado de convivência entre os diferentes, de modo que as singularidades de cada um possam se apresentar e dialogar no espaço coletivo. (CAVALLERO, 2010, p.52).

Para que uma proposta inclusiva se concretize na escola, o  olhar de professor deve ser um olhar realmente inclusivo. A educação deve ser pensada como metodologias diversificadas, pois não há mais como considerarmos a turma inteira como um todo, mas como um grupo diverso que busca na convivência, oportunidades de crescimento na aprendizagem. Para resumir este momento, uma fala de Mantoan (2011, p.67): "Precisamos nos conscientizar de que as turmas escolares, queiramos ou não, são e serão sempre desiguais."

Portanto, a inclusão se traduz numa mudança de paradigma educacional, com alterações nas metodologias e processos educacionais. No entanto, precisa ser uma mudança de mentalidades, onde todos da escola devem estar comprometidos para que ela seja acessível e preparada para receber o aluno, seja ele quem for.

REFERÊNCIAS:

CAVALLERO, J. Programa singular. In: GITAHY, A.M.;  CAVALLERO, J.; MENDES, R. H. Artes visuais na educação inclusiva: metodologia e práticas do Instituto Rodrigo Mendes. São Paulo: Petrópolis, 2010.

MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar: caminhos, descaminhos, desafios, perspectivas. In: MANTOAN, Maria Teresa Eglér. (org.) O desafio das diferenças na escola. 4ª ed. – Petrópolis, RJ: Vozes, 2011.


domingo, 29 de outubro de 2017



EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS

Um dos principais objetivos da defesa dos Direitos Humanos é a construção de sociedades que valorizem e desenvolvam condições para a garantia da dignidade humana. Nesse marco, o objetivo da Educação em Direitos Humanos é que a pessoa e/ou grupo social se reconheça como sujeito de direitos, assim como seja capaz de exercê-los e promovê-los ao mesmo tempo em que reconheça e respeite os direitos do outro. (BRASIL, 2013, p.523)




A citação acima traz uma abordagem da educação voltada para a convivência. Cada vez mais a escola é um espaço social onde uma comunidade inteira convive e multiplica interações. Cada interação pode vir com uma carga de diversidade nem sempre bem aceita por todos. Diversidade não é sinônimo de desigualdade. No entanto, conviver com o diferente deve estar associado a uma construção de tolerância, onde aprendemos a nos colocar no lugar do outro.

A escola representa um marco no pensamento conciliador e na fomentação da construção de condutas que valorizem os direitos humanos. Todos os dias alunos e professores debatem e refletem sobre questões do cotidiano e de como melhorar nossa sociedade. No entanto, é preciso que cada sujeito reconheça seu compromisso em fazer parte de uma sociedade que, para se tornar igualitária, necessita da participação de todos para se consolidar.

Quando falamos em dignidade humana, pensamos em direitos e oportunidades de uma vida melhor. Ao mesmo tempo é um valor fundamental para a coletividade, visto que todos merecem ser iguais perante a lei. E o direito à Educação, então, afirma-se como uma garantia de oportunidades para que se busque esta igualdade que constitui o Estado Democrático que queremos para o nosso país.

Portanto, toda escola deve estar engajada nesta proposta de educação para garantir os direitos humanos, permitindo que cada indivíduo evolua em suas potencialidades. Em contrapartida, a sociedade em que a escola está inserida, deve dar continuidade e oportunizar para que todos os indivíduos possam afirmar sua dignidade ao exercer sua cidadania.


REFERÊNCIAS:

BRASIL. Diretrizes curriculares nacionais gerais para a educação básica. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Básica. Diretoria de Currículos e Educação Integral. Brasília: MEC, SEB, DICEI, 2013.

domingo, 22 de outubro de 2017



Na convivência escolar, as relações são construídas a partir dos valores de cada aluno, os quais dependem da cultura social em que a escola está inserida. No entanto, a construção destes valores humanos, passa por uma ética universal e necessitam, na escola, de educadores conscientes que façam mediações para a efetivação destes valores em seus alunos.

Debater moral e ética faz repensar e contextualiza nossas ações. Trazer para o ambiente escolar esse debate, incentiva a autonomia do pensamento e a conscientização do próprio conhecimento. Sabemos que a educação não pode impor valores, mas deve esclarecer os princípios que regem a sociedade para que cada um faça suas escolhas e busque respostas que o localizem no mundo. Nas palavras de Hernandez (1998, p. 98):

O homem vive em sociedade, convive com outros homens e, portanto, cabe-lhe pensar e responder à seguinte pergunta: “Como devo agir perante os outros?”. Trata-se de uma pergunta fácil de ser formulada, mas difícil de ser respondida. Ora, esta é a questão central da Moral e da Ética. Enfim, a ética é julgamento do caráter moral de uma determinada pessoa (HERNANDEZ, 1998, p. 98).

Assim, cada educador tem a responsabilidade de promover ações educativas voltadas para o autoconhecimento em seus alunos, onde valores éticos serão compreendidos e vivenciados para que façam parte de suas escolhas no meio social. Ao mesmo tempo, deve se perguntar como cada indivíduo opta por uma conduta seguindo determinadas regras. A partir daí, saberá contextualizar suas ações para que as regras seguidas realmente contemplem o bem comum.

Cabe, também, a todos na escola, fazerem parte de um cotidiano que valorize não só as relações humanas, mas sobretudo a construção de uma ética pessoal que respeite a todos. Então, as relações humanas produtivas serão legitimadas e a escola cumprirá com seu papel social na educação.



REFERÊNCIAS:

HERNANDEZ, Fernando. Transgressão e mudança na educação: os projetos de trabalho. Porto Alegre: ARTMED, 1998.

http://blog.maxieduca.com.br/diferenca-moral-etica/ (Imagem) 

sábado, 14 de outubro de 2017


É PRECISO COMPREENDER A APRENDIZAGEM

Para compreender a aprendizagem é preciso conhecer como ocorre o processo de desenvolvimento do conhecimento.  Acompanhando os estádios de desenvolvimento cognitivo, teoria piagetiana, alguns fatores explicam o desenvolvimento de um conjunto de estruturas para outras: a maturação, o papel da experiência, a transmissão social e, o mais importante, a equilibração. Todos estes elementos devem constituir o estudo de cada professor para acompanhar e também conhecer como ocorre a construção das estruturas cognitivas nas crianças, oportunizando a escolha de práticas que instiguem estas ações em seus alunos.

Ao mesmo tempo, compreendemos que a aprendizagem está subordinada ao desenvolvimento, isto é, ela só é possível se basearmos a formação de uma estrutura complexa a partir de estruturas mais simples. Assim, a relação fundamental envolvida em todo desenvolvimento e toda aprendizagem é a assimilação, onde a atividade do próprio sujeito transforma o estímulo em um novo aprendizado (assimilação ativa). Em contrapartida, quando o sujeito apenas repete ações sem construções individuais, o conhecimento não avança, constituindo somente representações da realidade.

Percebemos, então, que a escola deve pautar a aprendizagem no desenvolvimento da capacidade de aprender do aluno, para que ele possa ter condições de desencadear novas assimilações e transformações em novos conhecimentos. Nas palavras de Becker e Marques (2012, p.162): “O certo é que não se chega a construções cognitivas novas sem envolvimento da ação do sujeito; ação praticada, em seguida apropriada e, então, transformada em algo novo.”

Assim, cada professor tem, entre suas funções, estudar o seu aluno e sua turma para conhecê-los, principalmente para entender como cada um vai adquirindo e transformando suas capacidades, levando em consideração os aspectos cognitivo, afetivo, social e psicomotor. É um trabalho diário e consequente, mas que amplia as possibilidades de intervenções para a busca de um ideal comum na educação: a concretização da aprendizagem.


REFERÊNCIAS:

BECKER,F.; MARQUES,T. Estádios do Desenvolvimento. In: BECKER,F. Educação e construção do conhecimento, 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2012.

sábado, 7 de outubro de 2017



DEMOCRACIA RACIAL

Dentre os estudos da interdisciplina Questões Étnico-Raciais na Educação: Sociologia e História, encontramos depoimentos em vídeos e textos sobre os  Movimentos Sociais de resistência e da busca de direito à igualdade de condições. Comprovamos o quanto o Movimento Negro fez história na luta por políticas públicas que consolidassem a integração racial apesar das barreiras do preconceito e da intolerância social.

O Brasil é o país com maior população negra fora da África. Só com esta informação, poderíamos imaginar que o nosso país pratica a Democracia Racial. No entanto, ela é considerada um mito, visto que, nosso contexto social muitas vezes amplia as desigualdades, valorizando uma cultura que privilegia alguns em função das relações de poder. Preconceito racial e discriminação, mesmo que proibidos por leis protetoras de cidadania, ainda estão disseminados entre as pessoas que cultuam o individualismo e desrespeitam a cultura social. Nas palavras de Silva (2011, p. 31):

Que é com o corpo inteiro – o físico, a inteligência, os sentimentos, as emoções, a espiritualidade – que ensinamos e aprendemos, que descobrimos o mundo. Corpos negros, brancos indígenas, mestiços, doentes, sadios, gordos, magros, com deficiências, produzem conhecimentos distintos, todos igualmente humanos e, por isso, ricos em significados. (SILVA, 2011, p. 31).

Portanto, vivemos em uma sociedade plural, mas que ainda não se reconhece totalmente como igualitária. Convivemos com a diversidade, mas ainda precisamos rever nossas concepções e aceitar, sem restrições, que podemos ser diferentes em constituição, mas que somos iguais em direitos e em acesso a oportunidades.

REFERÊNCIAS:

SILVA, P. B. G. Aprender, ensinar e relações étnico-raciais no Brasil. In: FONSECA, M.V.; SILVA, C.M.N. da; FERNANDES, A.B. (organizadores). Relações étnico-raciais e educação no Brasil. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2011.

domingo, 1 de outubro de 2017




Segundo a Organização Mundial da Saúde, deficiência se refere a toda alteração do corpo ou da aparência física, de um órgão ou de uma função, independente da causa. Sendo assim, muitas vezes confundimos deficiência com incapacidade e acabamos prejudicando o acesso ou as oportunidades de aprendizagem de crianças que esperam alternativas para serem inseridas no contexto escolar.

Na escola, como em qualquer lugar, conviver com as diferenças exige reflexão e autoconhecimento. Normalmente, somos inseguros para lidar com o que consideramos fora do padrão ou anormal. Quando estas diferenças são significativamente diferentes, isto é, quando caracterizam uma deficiência que compromete a aprendizagem, precisamos, como professores, rever nossa postura tanto educacional como pessoal.

No convívio escolar, é importante levar em consideração as desvantagens acarretadas por uma deficiência que prejudicam o avanço de uma aprendizagem. Muitas vezes, pequenas medidas podem minimizar as dificuldades e abrir caminhos para que o aluno com dificuldades significativas possa desenvolver suas potencialidades. No entanto, é frequente que usemos de mecanismos de defesa, atenuando ou negando estas barreiras, principalmente por não sabermos como enfrentá-las. Ao mesmo tempo, vivemos imersos em preconceitos e estigmas que criamos ou aceitamos apenas para nos afastarmos de ações que precisam ser realizadas.

Então, é um momento de reflexão permanente nas escolas. Nas palavras de Mantoan (2011, p. 40): “Em síntese, a inclusão escolar é um forte chamamento para que sejam revistas as direções em que estamos alinhando nosso leme, na condução de nossos papéis como cidadãos, educadores, pais.” E é neste contexto que o desafio de repensar e experimentar uma educação inclusiva se faz cada vez mais necessário, incluindo a nossa identificação com esta realidade feita de diversidades, não de um padrão ideal.


REFERÊNCIAS:

MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar: caminhos, descaminhos, desafios, perspectivas. In: MANTOAN, Maria Teresa Eglér. (org.) O desafio das diferenças na escola. 4ª ed. – Petrópolis, RJ: Vozes, 2011.




sábado, 23 de setembro de 2017

Conhecimento é interação!
Ao trabalhar com a aprendizagem de nossos alunos, também aprendemos que a cognição é construída na troca do organismo com o meio. O desenvolvimento do conhecimento possibilita esta aprendizagem, o que é explorado na teoria do desenvolvimento cognitivo, de Jean Piaget. Esta teoria, baseada nos pressupostos epistemológicos do Construtivismo, destaca que o conhecimento ocorre a partir da interação do sujeito com o objeto (meio). Afirma, então, que o conhecimento não vem pronto, nem é imposto pelo meio, mas é construído a partir de uma interação com o meio em que o indivíduo vive.

Quando refletimos sobre a aplicação do Construtivismo na escola, percebemos que a aprendizagem se torna ativa para o aluno, pois o professor oportuniza situações problema que desacomodam e promovem o desenvolvimento de suas capacidades de pensamento, raciocínio lógico, análise, entre outras. Na busca de um equilíbrio para se adaptar a estas situações, o aluno vai desenvolvendo suas estruturas mentais. Portanto, o desenvolvimento é uma equilibração progressiva. Nas palavras de La Taille (1992, p.18): “De fato, cada um de nós precisa construir conhecimentos em resposta a uma demanda social de algum tipo, e também precisa comunicar seu pensamento, cuja correção e coerência serão avaliados pelos outros.”

Portanto, por sermos sujeitos sociais, temos necessidades estimuladas pelo grupo em que vivemos, que se tornam estímulos para buscarmos respostas, o que acabam se tornando elementos novos de assimilação e, por consequência, acomodação. Estabelece-se o equilíbrio onde a aprendizagem se estabelece. Quando toda esta caminhada for incorporada pelos professores em seu planejamento, certamente o Construtivismo atingirá seu objetivo na obtenção de uma educação de qualidade.


REFERÊNCIAS:
La TAILLE, Yves de. O lugar da interação social na concepção de Jean Piaget. In: La TAILLE, Yves de; OLIVEIRA, Marta Kohl de; DANTAS, Heloysa. Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. São Paulo: Summus, 1992.

sábado, 16 de setembro de 2017


Quando falamos em sociedade ética, estamos falando de uma sociedade para todos. Acreditando que o aprendizado da ética pode ser feito em qualquer lugar nós, educadores, precisamos estar conscientes desta necessidade para que possamos contribuir na formação de uma sociedade que valorize suas singularidades, sem desmerecer o caráter social.

Pensando na vida como um aprendizado comum a todos, é possível destacar o papel da educação na inserção do indivíduo neste mundo de crenças éticas e de valores e como orientá-lo para um equilíbrio entre a individualização e a socialização. Por exemplo, quando em sala de aula, nós, professores, trabalhamos com os alunos a construção de regras de convivência, não só promovemos uma reflexão sobre valores humanos ou costumes, mas também uma avaliação e um posicionamento sobre o que é melhor para todos. É o exercício da formação ética.

No entanto, não podemos esquecer que, para formar pessoas com capacidade de escolher e de conduzir suas vidas, há necessidade de equilibrar a razão e a emoção, com um senso crítico para regras comuns. Promover situações de reflexão com os alunos, permitindo que eles se imaginem no lugar do outro, estimula não só a sensibilidade, mas a análise dos princípios universais de convivência.

Uma prática crítica em sala de aula seria avaliar com os alunos se nossos hábitos, por serem costumes, devem ser considerados bons ou verdadeiros apenas por estarmos acostumados a eles. Enquanto a noção de moral está ligada ao hábito, a essência da ética está em pensar sobre o que faço. É a melhor forma de aprendermos a conviver uns com os outros. Nas palavras de Sousa (2007, p.226):

Em decorrência de um contexto social, político, econômico e cultural, a ética é universal, possibilitando o estabelecimento de um código regulador de condutas para todos os indivíduos que compõem certo grupo social. Nesse sentido, o código estabelecido pela ética é relativo ao contexto no qual os sujeitos éticos vivem e praticam suas ações de caráter moral. Em síntese, a ética pode iluminar a consciência do homem, fundamentando e dirigindo suas ações, no plano individual e social. (SOUSA, 2007, p. 226).

Então, se queremos promover uma sociedade ética, é através destas pequenas ações diárias que se estabelecem entre as pessoas que aprendem a valorizar o bem comum, que ela será construída. A escola é, então, um espaço especial para estas experiências, pois trabalhamos com o pensamento e será através dele que aprenderemos a nos posicionarmos corretamente no mundo.


REFERÊNCIAS:

SOUSA, José Vieira de. A identidade do sujeito social, ético e político e o projeto pedagógico da escola. In: VEIGA, Ilma Passos Alencastro e FONSECA, Marília. As dimensões do projeto político-pedagógico: novos desafios para a escola, 6ª ed (Orgs.). Campinas/SP: Papirus, 2007.

sábado, 9 de setembro de 2017

BUSCAR POTENCIALIDADES NA APRENDIZAGEM

Esta semana, os temas tratados na interdisciplina Educação de Pessoas com necessidades Educacionais Especiais promoveram uma grande reflexão em nossos estudos. Falar em Educação Especial é destacar muitos desafios e conquistas ao longo dos anos e uma história de reivindicações por direitos e não privilégios.

Nossa escola é um espaço para resguardar os direitos de todos, sobretudo o direito à educação. Cada vez que estudamos estes assuntos, percebemos o quanto precisamos derrubar barreiras e mudar atitudes para tornar nossa escola verdadeiramente inclusiva. Se na Constituição Federal de 1988 a educação é um direito fundamental de todos, a escola deve agregar as condições, incluindo um atendimento educacional especializado para quem precisa, proporcionando o atendimento a todos os alunos.

Ao mesmo tempo, nos perguntamos diariamente, como trabalhar com as dificuldades de aprendizagem, sejam elas físicas ou cognitivas. Ou, então, como oportunizar o acesso a todos e mantê-los em um ambiente receptivo para esta aprendizagem? Na realidade, o primeiro passo é considerar a pessoa antes da deficiência, buscar potencialidades e não apenas diagnosticar as dificuldades. Segundo Rossato e Martínez (2011, p.72):

A compreensão das dificuldades de aprendizagem escolar não pode ser considerada de forma universal, uma vez que abrange um conjunto de fatores que são distintos em cada sujeito. Dificuldade de aprendizagem escolar não significa impedimento em geral para aprender – afinal, existem muitos outros espaços em que a aprendizagem ocorre –, mas a dificuldade em dominar um sistema de conceitos científicos dentro do tempo e dos padrões avaliativos utilizados na escola. (ROSSATO; MARTÍNEZ, 2011, p.72).

Sendo assim, como superar esta padronização de planejamentos e ações realizadas na escola? Cada vez mais precisamos superar também nossa dificuldade em trabalhar com as diversidades, nos espelhando na coragem e na determinação dos movimentos sociais atuais que lutam pela dignidade humana. O ideal, então, seria que a sociedade fosse um movimento único em favor de todas as pessoas, derrubando barreiras, obstáculos e atitudes que insistem em não valorizar a essência de cada um.


REFERÊNCIAS:

ROSSATO, M.; MARTÍNEZ, A.M. A superação das dificuldades de aprendizagem e as mudanças na subjetividades. In: MARTÍNEZ, A. M.; TACCA, M.C.V.R. (organizadoras). Possibilidades de aprendizagem: ações pedagógicas para alunos com dificuldade e deficiência. Campinas, SP: Editora Alínea, 2011.


sábado, 2 de setembro de 2017




SOCIEDADE PLURAL



A sociedade brasileira, dialogando há 120 anos com os ideais republicanos e democráticos, ainda enfrenta o desafio da integração social e racial. Efetivamente, a organização hierárquica e autoritária da sociedade é colocada em cheque nos momentos de reconstrução da democracia, pressionando pela apresentação de uma resposta não apenas à questão da pobreza, mas à questão da desigualdade racial. (JACCOUD, 2008, p.64).
     




A citação acima nos faz refletir, perpassando um olhar pelo espaço escolar, o quanto é importante promover o diálogo nas aulas, tendo como foco a identidade social. Racismo, preconceito e desigualdade social fazem parte de um contexto a combater na construção da cidadania, não como um conteúdo educativo obrigatório, mas como uma visão de sociedade igualitária em oportunidades de reconhecimento e valorização das identidades.

Quando oportunizamos debates sobre as realidades sociais, os alunos são apresentados às políticas públicas e reconhecem na escola a sua função social. São chamados, portanto,  a refletirem sobre seu lugar no mundo e a buscarem, pela conscientização, seu desenvolvimento humano.

Etnia, idade, gênero, entre outros, nos diferenciam mas também nos unem em grupos, o que nos fazem constituintes de uma  sociedade plural. Sociedade que só pode se manter viva se todos tiverem oportunidades de participar e de promover mudanças, fazendo com que o coletivo se reforce e valorize a pluralidade cultural. 

REFERÊNCIAS:
JACCOUD, Luciana. Racismo e república: o debate sobre o branqueamento e a discriminação racial no Brasil. In: THEODORO, Mário(org.). As políticas públicas e a desigualdade racial no Brasil: 120 anos após a abolição. Brasília: IPEA, 2008.