sábado, 16 de setembro de 2017


Quando falamos em sociedade ética, estamos falando de uma sociedade para todos. Acreditando que o aprendizado da ética pode ser feito em qualquer lugar nós, educadores, precisamos estar conscientes desta necessidade para que possamos contribuir na formação de uma sociedade que valorize suas singularidades, sem desmerecer o caráter social.

Pensando na vida como um aprendizado comum a todos, é possível destacar o papel da educação na inserção do indivíduo neste mundo de crenças éticas e de valores e como orientá-lo para um equilíbrio entre a individualização e a socialização. Por exemplo, quando em sala de aula, nós, professores, trabalhamos com os alunos a construção de regras de convivência, não só promovemos uma reflexão sobre valores humanos ou costumes, mas também uma avaliação e um posicionamento sobre o que é melhor para todos. É o exercício da formação ética.

No entanto, não podemos esquecer que, para formar pessoas com capacidade de escolher e de conduzir suas vidas, há necessidade de equilibrar a razão e a emoção, com um senso crítico para regras comuns. Promover situações de reflexão com os alunos, permitindo que eles se imaginem no lugar do outro, estimula não só a sensibilidade, mas a análise dos princípios universais de convivência.

Uma prática crítica em sala de aula seria avaliar com os alunos se nossos hábitos, por serem costumes, devem ser considerados bons ou verdadeiros apenas por estarmos acostumados a eles. Enquanto a noção de moral está ligada ao hábito, a essência da ética está em pensar sobre o que faço. É a melhor forma de aprendermos a conviver uns com os outros. Nas palavras de Sousa (2007, p.226):

Em decorrência de um contexto social, político, econômico e cultural, a ética é universal, possibilitando o estabelecimento de um código regulador de condutas para todos os indivíduos que compõem certo grupo social. Nesse sentido, o código estabelecido pela ética é relativo ao contexto no qual os sujeitos éticos vivem e praticam suas ações de caráter moral. Em síntese, a ética pode iluminar a consciência do homem, fundamentando e dirigindo suas ações, no plano individual e social. (SOUSA, 2007, p. 226).

Então, se queremos promover uma sociedade ética, é através destas pequenas ações diárias que se estabelecem entre as pessoas que aprendem a valorizar o bem comum, que ela será construída. A escola é, então, um espaço especial para estas experiências, pois trabalhamos com o pensamento e será através dele que aprenderemos a nos posicionarmos corretamente no mundo.


REFERÊNCIAS:

SOUSA, José Vieira de. A identidade do sujeito social, ético e político e o projeto pedagógico da escola. In: VEIGA, Ilma Passos Alencastro e FONSECA, Marília. As dimensões do projeto político-pedagógico: novos desafios para a escola, 6ª ed (Orgs.). Campinas/SP: Papirus, 2007.

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