Quando falamos em sociedade
ética, estamos falando de uma sociedade para todos. Acreditando que o
aprendizado da ética pode ser feito em qualquer lugar nós, educadores,
precisamos estar conscientes desta necessidade para que possamos contribuir na
formação de uma sociedade que valorize suas singularidades, sem desmerecer o
caráter social.
Pensando na vida como um
aprendizado comum a todos, é possível destacar o papel da educação na inserção
do indivíduo neste mundo de crenças éticas e de valores e como orientá-lo para
um equilíbrio entre a individualização e a socialização. Por exemplo, quando em
sala de aula, nós, professores, trabalhamos com os alunos a construção de
regras de convivência, não só promovemos uma reflexão sobre valores humanos ou
costumes, mas também uma avaliação e um posicionamento sobre o que é melhor
para todos. É o exercício da formação ética.
No entanto, não podemos
esquecer que, para formar pessoas com capacidade de escolher e de conduzir suas
vidas, há necessidade de equilibrar a razão e a emoção, com um senso crítico
para regras comuns. Promover situações de reflexão com os alunos, permitindo
que eles se imaginem no lugar do outro, estimula não só a sensibilidade, mas a
análise dos princípios universais de convivência.
Uma prática crítica em sala
de aula seria avaliar com os alunos se nossos hábitos, por serem costumes,
devem ser considerados bons ou verdadeiros apenas por estarmos acostumados a
eles. Enquanto a noção de moral está ligada ao hábito, a essência da ética está
em pensar sobre o que faço. É a melhor forma de aprendermos a conviver uns com
os outros. Nas palavras de Sousa (2007, p.226):
Em
decorrência de um contexto social, político, econômico e cultural, a ética é
universal, possibilitando o estabelecimento de um código regulador de condutas
para todos os indivíduos que compõem certo grupo social. Nesse sentido, o
código estabelecido pela ética é relativo ao contexto no qual os sujeitos
éticos vivem e praticam suas ações de caráter moral. Em síntese, a ética pode
iluminar a consciência do homem, fundamentando e dirigindo suas ações, no plano
individual e social. (SOUSA, 2007, p. 226).
Então, se queremos promover
uma sociedade ética, é através destas pequenas ações diárias que se estabelecem
entre as pessoas que aprendem a valorizar o bem comum, que ela será construída.
A escola é, então, um espaço especial para estas experiências, pois trabalhamos
com o pensamento e será através dele que aprenderemos a nos posicionarmos
corretamente no mundo.
REFERÊNCIAS:
SOUSA, José Vieira de. A
identidade do sujeito social, ético e político e o projeto pedagógico da
escola. In: VEIGA, Ilma Passos Alencastro e FONSECA, Marília. As dimensões do projeto político-pedagógico: novos desafios para a
escola, 6ª ed (Orgs.). Campinas/SP: Papirus, 2007.

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