sábado, 15 de dezembro de 2018



VIVÊNCIAS COLETIVAS


Todo professor, para cumprir seu papel de educador, precisa desenvolver seu poder de observação. Um olhar adequado pode captar sentidos e prever atitudes dos sujeitos que protagonizam as relações sociais na escola, favorecendo a administração de conflitos, o que é essencial para um bom ambiente de aprendizagem. Este parecer está presente em uma postagem antiga do meu Portfólio de Aprendizagem, onde saliento a importância da construção da identidade na relação com o outro. Então, no texto Relações sociais na escola, evidencio o quanto o convívio entre as pessoas enriquece as relações e permite a construção da cidadania como um valor coletivo.  

Neste contexto, ser aluna do curso de Pedagogia da UFRGS me encaminhou para construir um perfil reflexivo, principalmente como observadora dos espaços e/ou ambientes escolares. Tornei-me mais flexível e estudiosa sobre o uso da psicologia genética como ferramenta para compreender a aprendizagem. Constatei, através de minhas práticas, a funcionalidade das interações entre professores e alunos, percorrendo, também, o mundo social das crianças e dos adolescentes. Uma caminhada que me fez valorizar não só o desenvolvimento intelectual, mas o crescimento do aluno como um todo, isto é, uma educação da pessoa completa. Essas ideias podem ser encontradas nas teorias de Henri Wallon, descritas nas palavras de Galvão (1999,p. 79):

Tendo por objeto a psicogênese da pessoa concreta, a teoria walloniana, se utilizada como instrumento para reflexão pedagógica, suscita uma prática que atenda as necessidades da criança nos planos afetivo, cognitivo e motor e que promova o seu desenvolvimento  em todos os níveis. (GALVÃO, 1999, p. 79).

Assim, ao falarmos da pessoa como um todo, estamos nos referindo a uma aprendizagem que permite a expressão do “eu” e a uma vivência do “nós”. Refere-se, também, a práticas de socialização em que todos aprendem juntos, desenvolvendo potenciais diversos, diferenciando ideias, mas unindo pessoas diferentes. É aqui, então, que um planejamento adequado de métodos e do próprio ambiente escolar, faz do professor um agente agregador das interações sociais necessárias para uma boa aprendizagem.

REFERÊNCIAS:

GALVÃO, Izabel. Henri Wallon: uma concepção dialética do desenvolvimento infantil. Petrópolis, RJ: Vozes, 1999.


sábado, 8 de dezembro de 2018



EXPERIMENTAR É ESSENCIAL

Em educação, principalmente em uma sala de aula, experimentar é essencial. Por mais que organizemos planejamentos, a pitada do inesperado que uma experimentação proporciona é o que tempera as relações na aprendizagem com os alunos. Hoje, tanto nas atividades do estágio do curso de Pedagogia, quanto em minhas aulas de Matemática e de Ciências nas séries finais do Ensino Fundamental, o movimento de testar práticas e interagir com os alunos abre um leque de interpretações. Em nossas observações com foco nas aprendizagens, é possível ter mais flexibilidade na compreensão da construção pessoal do conhecimento.

Revendo meu Portfólio de Aprendizagens (blog), encontrei uma descrição de uma das minhas práticas pedagógicas de Classificação (processo mental básico) que evidencia esta forma experimental de acompanhar o raciocínio lógico dos alunos. Na postagem Ciência na Sala de Aula, de novembro de 2016, destaquei algumas palavras de Nigro (2012), onde ele fala da importância de cultivar nas crianças o espírito investigativo de um cientista. Buscando novas falas deste autor, doutor em ensino de Ciências e Matemática, renovei minhas expectativas quanto a criar novas rotinas nas aulas, como Nigro (2012, p. 89) sugere:

Mantenha seu espírito “para cima” e você aproveitará melhor tudo que é sugerido. Começará até a criar outras atividades. O fascínio pelo mundo natural e pelas criações humanas é a munição dos cientistas e também a nossa, como professores de ciências, para manter o entusiasmo. Em contrapartida, a satisfação de despertar nas crianças esse maravilhamento é nossa maior recompensa. (NIGRO, 2012, p. 89).

Então, onde nós, professores, depositamos nosso entusiasmo: na curiosidade despertada de um aluno ou na evidência de uma aprendizagem concretizada? Na realidade, não existe um resultado único para nos entusiasmar. Todo este movimento oportunizado pelas interações com os alunos, todas as experiências e processos de construção do saber servem para alimentar a chama que mantém viva nossa vontade de ensinar, o que nos faz aprender permanentemente.

Assim, relacionar cotidiano e sala de aula já não é novidade, mas uma necessidade para abordar questões práticas e significativas para os alunos. Aproximar a realidade do contexto escolar faz da aula uma continuidade da vida e uma percepção dos fenômenos que, apesar de corriqueiros, carecem de observação e compreensão de sua real finalidade.

REFERÊNCIAS:

NIGRO, Rogério G. Ciências: soluções para dez desafios do professor. São Paulo: Ática, 2012.



sábado, 1 de dezembro de 2018


SE EU ENSINO, NÓS APRENDEMOS


Ensinar é uma prática assim como o aprender também o é. No entanto, vivemos procurando fórmulas prontas que direcionem nossos caminhos de aprendizagem quando basta percorrê-los com interesse e disposição para construir nossa própria proposta de busca para o conhecimento.

Durante todo o curso de Pedagogia nos deparamos com ideias e interpretações de diversos autores sobre educação e ensino, identificadas na forma de conceitos. Sempre que analisamos e contextualizamos novos conceitos, acabamos incorporando uma prática reflexiva que se caracteriza por uma mudança em nossa prática, principalmente pela necessidade de materializarmos nossas interpretações. Nas experiências pedagógicas em sala de aula, então, confirmamos ou contestamos nossas novas aprendizagens.

Com esta visão, tenho percorrido minhas postagens antigas no meu Portfólio de Aprendizagens do curso, fazendo paralelos com minha escrita atual. Este exercício de análise tem colaborado para reafirmar minhas expectativas como aluna, embora tenha convicção de que, como professora, serei eternamente aprendiz. Confirmando esta ideia, meu texto Uma experiência docente, traz abordagens sobre o quanto nossas intervenções podem potencializar os resultados de uma aula, visto que os próprios resultados são decorrentes das intenções educativas que propomos para a nossa prática pedagógica. Evidenciando a importância das nossas intenções pedagógicas, Zabala (1998, p. 29) diz:

Mas, de qualquer forma, ter um conhecimento rigoroso de nossa tarefa implica saber identificar os fatores que incidem no crescimento dos alunos. O segundo passo consistirá em aceitar ou não o papel que podemos ter neste crescimento e avaliar se nossa intervenção é coerente com a ideia que temos da função da escola e, portanto, de nossa função social como educadores. (ZABALA, 1998, p. 29).

Convém salientar, também, que escolher e avaliar nossas ações faz parte de um processo interativo entre professor e alunos, onde suas decisões já não são uma questão individual, mas uma questão que envolve a todos. Conforme Franchi (2012, p. 37):

Planejar não é prever uma rotina, mas um ato de imaginação; e coordenar é saber criar as condições para uma atividade conjunta em torno dos problemas que o professor prevê e que ele sabe adequados aos objetivos que se propõe; aproveitar-se dos movimentos dinâmicos desse processo participativo em que cada um se situa com suas peculiaridades. (FRANCHI, 2012, p. 37).

É claro que ao fazermos referência ao planejamento, esta vem carregada de intenções, pois, ainda que planejar seja essencial no ensino, a flexibilidade deste planejamento atende ao caráter interativo da aprendizagem, permitindo a participação de todos no processo, o que é fundamental no próprio ensino. Assim, nossas experiências diárias de sala de aula agregam valores imensuráveis a uma aprendizagem permanente, onde “atos de imaginação” vão compondo nossas ações pedagógicas em busca do tesouro da educação: a aprendizagem significativa de nossos alunos.


REFERÊNCIAS:

FRANCHI, Eglê. Pedagogia do alfabetizar letrando: da oralidade à escrita. 9a. ed. São Paulo: Cortez Editora, 2012.

ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Art Med, 1998.


sábado, 24 de novembro de 2018



A P R E N D E R

Escrever em um blog, no caso um Portfólio de Aprendizagens, rotina de um aluno do curso de Pedagogia da UFRGS, tornou-me uma estudiosa no campo da reflexão. Relendo minhas postagens, sempre encontro referências para  questionamentos atuais, comprovando que a aprendizagem é permanente, principalmente porque, para nos atualizar, buscamos novos olhares para refazer nossas dúvidas.

Nesta linha, destaco uma postagem anterior, a “Estar vivo é aprender... ” onde, em 2016, eu já transitava neste tema da aprendizagem permanente. Em minha escrita, salientava a necessidade da leitura e da pesquisa, ambas fundamentadas na experimentação, o que validaria a compreensão dos fatos. Argumentar, então, tornou-se uma prática, cada vez mais explorada dentro do nosso curso.

Voltando à postagem antiga, percebo que nosso desenvolvimento como educadores foi embasado em reflexões sobre pensamentos de autores e profissionais competentes em suas áreas, o que justifica nosso crescimento pedagógico atual. Sendo assim, é essencial mantermos a visão de que a aprendizagem nos move e que sua busca torna nossa vida mais significativa e engajada neste mundo, conforme as palavras de Brandão (2005, p. 86):

Não somos quem somos, como seres humanos, porque somos racionais. Somos humanos e somos racionais porque somos aprendentes. Somos seres dependentes por completo do que aprendemos. Aprendemos bem mais do que os simples adestramentos dos animais com quem compartimos o planeta Terra. Aprendemos não apenas os saberes do mundo natural, mas a complexa teia de símbolos, de sentidos e de significados que constituem o mundo da cultura. (BRANDÃO, 2005, p. 86).


Por fazermos parte, então, deste mundo da cultura, ou melhor, de um mundo multicultural, os saberes se entrelaçam perante os encontros e diálogos entre as pessoas, o que se confirma em uma aprendizagem constante, não havendo como fugir disto. Portanto, é preciso saber reconhecer o valor de partilhar a vida e aproveitá-lo para sermos pessoas melhores, repercutindo, inclusive, em nossa profissão.

REFERÊNCIAS:

BRANDÃO, Carlos Rodrigues. Comunidades aprendentes. In: FERRARO JÚNIOR, Luiz Antonio. (org.). Encontros e caminhos: formação de educadoras(es) ambientais e coletivos educadores. Brasília: MMA, Diretoria de Educação Ambiental, 2005.




sábado, 17 de novembro de 2018


Uma das atividades do curso de Pedagogia, neste semestre, consistia em uma nova visitação às interdisciplinas já cursadas, na busca de textos que servissem de referencial teórico para as atividades atuais. Confesso que a minha primeira impressão foi de que seria uma tarefa metódica, mais de pesquisa do que reflexão. No entanto, ao rever os textos e reorganizar os temas e os conceitos trabalhados, percebi o quanto minha formação foi enriquecida e subsidiada por autores competentes, selecionados também pela competência dos professores do curso.

Ao acompanhar a trajetória das interdisciplinas que cursei até aqui, acabei tecendo uma relação de complexidade pois os assuntos interagem e se sobrepõem em uma nova visão de minha docência. Assim como o período atual do estágio é um aprendizado, para chegar a ele foi preciso construir uma base sustentada também por conhecimentos construídos pela experimentação e reflexão. Experiências necessárias para estimular percepções e interpretações, onde nós, indivíduos, nos expressamos através de nossa corporeidade.

Ao falar em percepção, então, destaco uma das primeiras interdisciplinas do curso: Corporeidade – Epistemologia e vivências do aprender. Hoje, no oitavo semestre, desenvolvendo o estágio com uma turma da EJA (Educação de Jovens e Adultos), cada vez mais encontro reflexos da importância das dimensões corporais em minhas ações e intervenções durante minha prática. Há, portanto, uma necessidade contínua de autoconhecimento tanto do corpo quanto de seus movimentos, pois é através deles que percebemos e expressamos nossos sentimentos. Conforme Santin (1987, p. 61):

O homem é essa realidade que se manifesta e se expõe diariamente à óticas abrangentes nos campos perceptivos, através da infinidade de suas possibilidades expressivas, instauradas pela dinâmica da corporeidade. O homem é uma autoconstrução corporal. (SANTIN, 1987, p. 61).

Como cada indivíduo constrói sua imagem corporal, não podemos privar nossos alunos de vivências de aprendizagem com o outro e com o meio, pois nas interações vividas o indivíduo se torna consciente de si e do meio que o cerca. Embora “corpo” seja de certa forma um conceito material, ele ultrapassa este patamar quando pensamos em aprendizagens, visto que ao aprendermos algo novo, reconfiguramos todo um sistema, reestabelecendo múltiplas conexões coordenadas por nosso cérebro/mente. Esta explicação se justifica nas palavras de Assmann (1998, p. 41): “[...] é que qualquer processo pedagógico somente será significativo para os aprendentes na medida em que produz essa reconfiguração do sistema complexo cérebro/mente (e corporeidade inteira).”

Assim, se é a aprendizagem significativa que buscamos em nossas práticas pedagógicas, precisamos oportunizar as relações entre alunos, natureza e cultura, pois a aprendizagem humana acontece em corporeidades. Ao mesmo tempo, como professores, também devemos participar destas relações, principalmente porque é através de vivências que o processo educativo se estabelece.

REFERÊNCIAS:

ASSMANN, H. Reencantar a educação: rumo à sociedade aprendente. RJ: Vozes, 1998.

SANTIN, S. Educação Física: Outros Caminhos. Ijuí: UNIJUI, 1987.



sábado, 10 de novembro de 2018

Música que encanta por trazer metáforas sobre a vida.

Cada dia pode trazer novidades se estamos dispostos a experimentar. Nesta semana, a tarefa da interdisciplina de Matemática para os anos iniciais abordava vídeos com versões diferentes para a música Aquarela, da autoria de Toquinho, Vinícius de Moraes, G. Morra e M. Fabrizio. A tarefa era simples, mas o fato de assistir aos vídeos e ouvir novamente esta música aguçou minhas memórias, despertando a vontade de inserir novamente em minhas aulas, esta obra-prima de sensibilidade e criatividade humana. No caso da atividade da interdisciplina, foi interessante aproveitar as linhas e formas e as metáforas da vida evidenciadas na música, para propor uma oficina de aprendizagem com estes temas na Matemática. Ao mesmo tempo, a utilização de cores e a relação com a natureza torna o aprendizado mais concreto e significativo ao aluno, ultrapassando o que ele considera como limites da Matemática.


Voltando à questão da experimentação, releituras de obras clássicas sempre abrem portas para novas interpretações, muitas vezes atemporais. A maior vantagem, neste caso para o professor, é a possibilidade de se reinventar, seja na adaptação de suas memórias visuais ou na adaptação das auditivas, o que diversifica suas intenções pedagógicas. Conforme Buoro (2002, p. 23):

Sendo assim, por releitura entende-se aqui a tradução da significação do objeto como fundamento de uma nova construção, buscando-se nessa ação a ressignificação do mesmo objeto: reler para aprofundar significados. Dessa forma, considera-se que toda nova produção oriunda de uma imagem referente é construção de um novo texto, no qual o sujeito produtor elabora uma interpretação, podendo até mesmo partir para a criação. (BUORO, 2002, p. 23).


Então, ao interpretarmos uma imagem, um som, um movimento, entre outros, estamos construindo um significado para cada conceito, e a reunião deles constitui o contexto das nossas aprendizagens. Por outro lado, ao ampliarmos estas aprendizagens também para nossos alunos, estaremos proporcionando novas leituras da realidade, explorando com eles a análise crítica tanto como fonte de criatividade quanto de expressão.  


REFERÊNCIAS:

BUORO, A. B. Olhos que pintam: a leitura da imagem e o ensino da arte. São Paulo: Educ/FAPESP/Cortez, 2002.


sábado, 3 de novembro de 2018


REFLEXÕES


A cada nova reflexão, um novo questionamento se constrói na medida em que vamos avançando no curso de Pedagogia. Quando pensamos que construímos um conceito, novos significados são agregados e lá vem uma nova dúvida. Assim como a aprendizagem constitui uma competência humana fundamental, faz parte dela o questionamento constante de seus resultados. Ninguém está pronto para um conhecimento. Ele sempre pode ser ampliado, expandido em suas abordagens, o que torna a aprendizagem tão desafiadora.

Como professora, voltar a fazer estágio não é refazer um caminho de aprendizagens na profissão, é percorrer uma nova estrada pedagógica onde os obstáculos tecnológicos e conceituais das novas gerações também são fontes de aprendizagem, sobretudo reconstrutiva. Conforme Demo (2000, p.59):

Para a teoria e a prática da aprendizagem reconstrutiva é fundamental a concepção de conhecimento como projeto aberto, entre outras coisas, porque aproxima o conhecimento da sabedoria à medida que se trata de tomar os limites como desafios e os desafios como horizontes limitados. Não vamos aqui discutir o que é sabedoria. Aceitamos como a arte de lidar com limites e desafios de maneira inteligente, de modo flexível, maleável, aproximativo, como todo processo aberto de aprendizagem. (DEMO, 2000, p. 59).


No contexto do meu estágio na EJA (Educação de Jovens e Adultos) os desafios sinalizam a transposição da teoria para a minha prática. Minhas experiências anteriores são importantes mas, como foi citado acima, saber lidar com nossos limites e com a diversidade dos alunos de forma flexível, maleável, nos coloca no caminho da sabedoria da vida, ou melhor, na busca do conhecimento das relações humanas.

Então, nas reflexões semanais sobre meu planejamento do estágio, fatos e interpretações das experiências vividas parecem instrumentos que compõem uma música para meu trabalho. Todas as dificuldades se justificam quando percebo que, seja na alfabetização ou na formação de valores com os adultos, sempre há espaço para novas aprendizagens, inclusive dos dois lados.


REFERÊNCIAS:

DEMO, Pedro. Conhecer & aprender: sabedoria dos limites e desafios. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.


sábado, 27 de outubro de 2018

Meu Curso e Eu

Agora que estamos no oitavo semestre do curso de Pedagogia, percebo o quanto o movimento de pesquisa – reflexão – ação determinou uma consistência nas minhas aprendizagens. No início era uma tarefa exaustiva, principalmente pela necessidade de usar as ferramentas digitais que também fariam parte do meu aprendizado. Neste período, meu Portfólio contou com comentários curtos e/ou descrições das minhas impressões de vivências das interdisciplinas do curso. Aos poucos, em virtude dos embasamentos teóricos, minhas postagens foram alimentadas com experiências e interpretações, tanto da realidade quanto da pedagogia escolar. Um mosaico entre teoria e prática foi sendo composto, agora não tão difícil de materializar no blog.

Desta forma, fui aprendendo a ter um olhar multicultural, evidenciado na interdisciplina Escola, Cultura e Sociedade, bem como a revisitar as memórias de uma escola através de uma perspectiva histórica. Na sequência, estudar sobre a infância e sobre o lúdico na educação, perpassados por uma corporeidade humana, me fez crescer como pessoa e como profissional. Interdisciplinas que nos fizeram repensar a representação do mundo, seja na Matemática ou nas Ciências Naturais, também ampliaram nossos horizontes e se somaram ao nosso novo perfil de professor: o reflexivo. Encontro justificativa para este perfil nas palavras de Alarcão (2005, p. 99): “Uma prática reflexiva leva à (re)construção de saberes, atenua a separação entre teoria e prática e assenta na construção de uma circularidade em que a teoria ilumina a prática e a prática questiona a teoria”.

Assim, tanto a teoria quanto a prática precisam andar juntas e é por esta razão que minha concepção atual de docência passa por uma compreensão reflexiva. Aqui também destaco a importância dos estudos de Psicologia no curso, pois a aprendizagem envolve relações humanas e o professor deve saber fazer uso delas. Então, conhecer nossos alunos vai além das observações, percorrendo as interações, incluindo as afetivas, que tanto nos confortam para conviver com as diferenças.

Neste momento, retorno no tempo e relembro meu início profissional. Há muitos anos, quando escolhi ser professora, acreditava que ter domínio sobre conteúdos era a chave para ensinar meus alunos. Hoje, no entanto, creio que cada dia é uma aprendizagem e que na interação com os alunos o ensino se estabelece, onde tanto alunos quanto professores aprendem. Várias vezes sinalizei esta compreensão em meu Portfólio e, ao reler a postagem Meu blog e eu , realimentei meus ideais do curso.

Felizmente, é possível mudarmos nossas concepções e cada vez mais buscarmos respostas para novos questionamentos, inclusive para tornar nosso trabalho mais significativo. Portanto, nossa evolução pedagógica é o resultado de uma caminhada contínua na busca de uma reflexão permanente em nossos projetos de vida.

REFERÊNCIAS:

ALARCÃO, Isabel. (Coord.). Formação reflexiva de professores: estratégias de supervisão. Porto: Porto Editora, 2005.




sábado, 20 de outubro de 2018

FLEXIBILIDADE
Refletir sobre nossas aprendizagens traz, além de uma conscientização, um estímulo para nos aventurarmos em novos desafios, como no planejamento de uma aula. Quando planejamos, visualizamos futuros resultados, o que nos direciona na escolha de métodos o de ações para alcançá-los. Enquanto o planejamento é teórico, sua aplicação está no campo da prática, onde a flexibilidade se torna necessária para explorar as interpretações dos alunos.

Com este intuito, percebemos que ser flexível é uma habilidade a ser desenvolvida por cada professor no decorrer de sua prática pedagógica. Nas palavras de Rojo (2012, p. 27):

Vivemos em um mundo em que se espera (empregadores, professores, cidadãos, dirigentes) que as pessoas saibam guiar suas próprias aprendizagens na direção do possível, do necessário e do desejável, que tenham autonomia e saibam buscar como e o que aprender, que tenham flexibilidade e consigam colaborar com urbanidade. (ROJO, 2012, p. 27).


Contextualizando essa necessidade de flexibilidade nas aulas, trago um exemplo de como devemos estar abertos a novas aprendizagens, inclusive se vierem como sugestões de alunos. Foi o caso de uma revisão que fiz sobre figuras geométricas com os alunos de 7 e 8º anos, nas aulas de Matemática, inspirada nas comparações entre formas bi e tridimensionais realizadas nas atividades da interdisciplina Matemática nos Anos Iniciais, do curso de Pedagogia. Através de um simples planejamento de representação de contornos e superfícies, utilizando blocos lógicos, interpretações foram desencadeadas nos alunos, culminando em uma nova proposta envolvendo também arte e criatividade: desenhos criados a partir de composição de figuras. O interessante é que novos elementos vieram para o debate, como os objetos do cotidiano e até um jogo eletrônico construído com blocos, o Minecraft.

Toda esta reflexão revisita a ideia de que a aula é um momento ímpar de aprendizagem visto que, dependendo das interações entre alunos e professores, é possível transformar conceitos e discursos em novos modos de interpretar o mundo. Ser um professor flexível, então, é aproveitar as ferramentas disponíveis, incluindo os estímulos advindos dos alunos, para direcionar a própria prática.


REFERÊNCIAS:

ROJO, Roxane. Pedagogia dos multiletramentos: diversidade cultural e de linguagens na escola. In: ROJO, Roxane; MOURA, Eduardo. (orgs.). Multiletramentos na escola. São Paulo: Parábola Editorial, 2012.


sábado, 13 de outubro de 2018

SIGNIFICADOS - Valores Educacionais


Como estagiária de Pedagogia, cada leitura nova é fonte de interpretações. Com base nisto, tenho procurado estudar novamente os métodos de ensino para comparar com minhas experiências e repensar a validade ou não de determinada técnica. Revisitei alguns autores que tratam dos processos de ensino e encontrei algumas reflexões pertinentes ao meu trabalho de estágio com alunos da EJA (Educação de Jovens e Adultos), principalmente em um estudo sobre o processo ensino-aprendizagem. Embora seja um tratado antigo, muitas considerações se refletem na escola atual, como quando Kuethe (1978, p. 152) diz:

Os métodos de ensino empregados pelos educadores determinam em parte o ambiente da escola. Os estudantes ajustam-se a esse ambiente com vários graus de êxito, dependendo, em parte, da natureza do ambiente. Os métodos de ensino bem sucedidos produzem um ambiente em que tanto as metas como os valores educacionais são preservados. Ao mesmo tempo, o ambiente deve ser de tal natureza que os estudantes possam ser motivados a “engajar-se” e sentir que tem uma garantia razoável de sucesso. (KUETHE, 1978, p. 152).


Quando reflito sobre minha turma da EJA, percebo que não basta conhecer os alunos, é preciso também encontrar métodos que atendam os objetivos da aprendizagem conforme as intenções pedagógicas e os interesses da turma. Criar um ambiente de aprendizagem é uma conquista diária e envolve a integração do grupo. Cada professor precisa selecionar e adaptar estratégias que sirvam para promover a aprendizagem e que tragam com ela o autoconhecimento para o aluno.

Com esta visão, cada vez mais necessitamos compreender o desenvolvimento da inteligência humana e experimentar meios de construir uma aprendizagem significativa. Conforme Antunes (2001, p. 8): “Conhecer as novas descobertas sobre a inteligência constitui um caminho seguro para fazer da sala de aula uma oficina de pensamentos significativos.” Como professores pesquisadores, então, buscamos também ressignificar a aprendizagem para que ela sirva de transformação humana para nossos alunos.

Assim, desenvolver habilidades  e construir conceitos constitui metas de um planejamento educacional, o qual visa preparar o aluno para atuar em sociedade. Não existe um método único, tampouco superioridade de novos métodos sobre os velhos. A educação é muito mais que uma sequência de procedimentos didáticos. Ela é, certamente, uma coesão de intenções pedagógicas onde todos visam uma aprendizagem qualitativa, dando significado para as interações humanas.

REFERÊNCIAS:

ANTUNES, Celso. Trabalhando habilidades: construindo ideias. São Paulo: Scipione, 2001.

KUETHE, James L. O processo ensino-aprendizagem. Porto Alegre: Editora Globo, 1978.


sábado, 6 de outubro de 2018




Esta semana iniciei meu estágio do curso de Pedagogia em uma turma na EJA (Educação de Jovens e Adultos), etapas iniciais (alfabetização). Após um período de observações, elaborei um planejamento procurando atender as singularidades identificadas na turma. Com quinze adultos de idades diferentes, a turma se caracteriza por uma heterogeneidade de conceitos e valores, o que me trouxe momentos de insegurança quanto aos métodos inicialmente adotados. No entanto, por estar na fase de estágio, este também é meu momento de aprendizado, devendo, portanto, aproveitar estas experiências para refletir tanto sobre o processo de alfabetização quanto de construção do conhecimento como um todo.

Como a turma tem perfil de uma escolarização inclusiva, cada aluno tem sua história de vida e seu processo muito peculiar de aprendizagem. Aprendi, neste início de estágio, a formatar um planejamento flexível, com abordagens diversificadas para atender melhor as diferenças, sejam ela intelectuais, práticas ou de valores. Percebi, também, que não existem métodos prontos, nem atividades definitivas para a aprendizagem. É na experimentação e no erro que achamos novos caminhos para direcionar um processo que visa construir conhecimento. Ao mesmo tempo, o papel do grupo é fundamental. Os colegas se reforçam nas atitudes de colaboração e de uma rotina diária que os une como turma e como parceiros de aprendizagens. Nas palavras de Machado (2011, p. 72):

No processo de escolarização inclusivo, o erro deve ser considerado parte integrante da aprendizagem, não pode ser sinônimo de nota baixa ou de “caneta vermelha” nas produções dos alunos. A aprendizagem sugere dúvidas, acertos, erros, avanços, descobertas. Suas fases não são lineares e constituem processos coletivos e/ou individuais, daí a importância do grupo e da colaboração entre os alunos da turma. Quando o conhecimento está imerso em uma rede de significações, o aluno efetivamente aprende, seja em grupo, seja individualmente. (MACHADO, 2011, p. 72).

E por falar em rede de significações, acredito que este seja o ponto de referência para minhas aulas. Buscar abordagens que promovam associações entre a vida dos alunos com a necessidade de aprender novas habilidades, sendo que eles possam, através delas, construir seu próprio conhecimento. Assim, prevejo muita pesquisa, interpretação e interatividade durante toda minha trajetória do estágio, o que justifica minha escolha profissional: a de ser uma educadora.

REFERÊNCIAS:

MACHADO, Rosângela. Educação inclusiva: revisar e refazer a cultura escolar. In: MANTOAN, Maria Teresa Eglér. (org.). O desafio das diferenças na escola. 4ª ed. - Petrópolis, RJ: Vozes, 2011.


sexta-feira, 28 de setembro de 2018



Como estagiária do curso de Pedagogia, me coloco como observadora de um grupo de alunos que, nas suas diferenças, encontram motivos comuns para fazerem parte de uma turma da EJA (Educação de Jovens e Adultos). Observar e refletir sobre os fatos constatados é fundamental para qualquer planejamento de um professor. Cada dia de convivência com uma turma enriquece o conhecimento humano necessário para reconhecer a pluralidade de relações, tempos e espaços dos sujeitos da EJA. Neste contexto, práticas pedagógicas flexíveis permitem a inclusão das diversidades e, no caso da alfabetização de jovens e adultos, também usar como referência as realidades e experiências de seus alunos. Conforme Paula e Oliveira (2011, p. 80):

Uma prática pedagógica comprometida com a educação dos jovens e adultos demanda uma construção permanente e coletiva. Ao conceber essa ação como dialógica, em interação, a linguagem torna-se instrumento potencial de expressão e de comunicação. Através dela os sujeitos expressam suas experiências, seus saberes e suas emoções e produzem cultura. (PAULA; OLIVEIRA, 2011, p. 80).

Então, no meu caso, conhecer os alunos implica em saber sobre suas histórias de vida e suas motivações para aprender. Como professora, represento uma pesquisadora da minha turma, alguém que elaborará seu planejamento pensando em um processo tanto formal quanto informal de aprendizagem.

Para alfabetizar é preciso dar significado para uma prática da língua materna que vai além de uma comunicação oral. É dar sentido para uma leitura que se faz necessária para todos, dentro e fora da escola, isto é, a leitura do mundo real em que vivemos. A construção de uma leitura e escrita coerentes com os direitos e deveres de um cidadão consolida a autonomia, o que promove a nossa inclusão na sociedade. Sendo assim, a razão maior de ser estagiária na EJA é tornar minha aprendizagem uma experiência de renovação profissional, onde ser professora ainda é minha maior motivação.

REFERÊNCIAS:

PAULA, Cláudia Regina de; OLIVEIRA, Maria Cristina de. Educação de Jovens e Adultos: a educação ao longo da vida. Curitiba: Ibpex, 2011.


sábado, 22 de setembro de 2018


CONHECIMENTOS PRÉVIOS

Todo aluno traz conhecimentos prévios que precisam ser conhecidos e aproveitados pelos professores. Considerei esta premissa ao elaborar a atividade final de um curso de extensão promovido pelo Planetário EAD, da UFRGS. Como o tema era o Sistema Solar na Sala de Aula, analisei os conteúdos das aulas de Ciências e elaborei um planejamento para a 6ª série do Ensino Fundamental.

Supõe-se que um aluno de 6º ano já tenha noções sobre dia e noite e que as relacione com o movimento de Rotação da Terra, bem como conheça as estações do ano, tendo no movimento de Translação as explicações para estes fenômenos. No entanto, é importante que o professor use estratégias para saber como os alunos relacionam os conceitos já estruturados, o que me fez revisar meus próprios conceitos, assunto para minha reflexão a seguir.

Sempre que tivermos como objetivo a construção de conceitos, devemos considerar que nossos alunos já apresentam concepções, mesmo simples ou primitivas, que determinarão a compreensão ou não da ciência formal. Estas concepções dos alunos que diferem da concepção científica para dado conceito são denominadas concepções alternativas ou conhecimentos prévios. Conhecer estas concepções e discuti-las com os alunos alinha o processo de ensino-aprendizagem, permitindo a reconstrução de conceitos. No entanto, o acúmulo de informações no ensino formal não garante que “explicações científicas” substituam estas concepções alternativas, visto que a interpretação dos fenômenos é pessoal. Conforme Campos e Nigro (2009, p. 70): “...o processo de organização dessas ideias é único, ou seja, as concepções alternativas que as crianças constroem são criações pessoais.”

Assim, as aulas de Ciências também trabalham com informações universais. Ao promover comparações nas aulas entre as explicações formais e as concepções dos alunos, estaremos oportunizando a eles a reflexão sobre os pontos falhos de suas próprias concepções. Seria uma estratégia para tornar as informações científicas mais significativas para os alunos, pois, ao ficarem insatisfeitos com os resultados, sentiriam a necessidade de modificar suas ideias para melhorar as explicações dos fatos, o que desencadearia a construção de um conhecimento. 

REFERÊNCIAS:

CAMPOS, Maria Cristina da Cunha; NIGRO, Rogério Gonçalves. Teoria e prática em ciências na escola: o ensino-aprendizagem como investigação. São Paulo: FTD, 2009.


sábado, 15 de setembro de 2018



Como professora de Matemática, considero que a criança aprende o que faz sentido para ela. Sendo assim, manipular objetos configura a vivência para aprender, onde o aluno faz a transposição entre as representações implícitas nos materiais concretos e as ideias matemáticas. Quando proporcionamos situações-problema em nossas aulas, estimulamos os alunos com desafios e os fazemos construir uma ideia ou um procedimento pela reflexão, o processo de aprendizagem se torna significativo e a nossa prática competente.

Neste contexto, trabalhar Geometria é aliar observação com ação e reflexão. É buscar nos materiais manipulativos recursos para despertar significados para a construção dos conceitos matemáticos. Nas palavras de Smole (1999, p.173):

Um material pode ser utilizado tanto porque a partir dele podemos desenvolver novos tópicos ou ideias matemáticas, quanto para dar oportunidade ao aluno de aplicar conhecimentos que ele já possui num outro contexto, mais complexo ou desafiador. O ideal é que haja um objetivo para ser desenvolvido, embasando e dando suporte ao uso. (SMOLE, 1999, p. 173).

Ao mesmo tempo, oportunizar as trocas e as discussões entre os alunos favorece a comunicação, o que enriquece os registros individuais e coletivos. Os relatos das impressões das experiências com os materiais socializam ideias que, mediadas pelo professor, constituem subsídios para a compreensão dos procedimentos trabalhados. Quando usamos uma simples régua para realizar medidas, por exemplo, não é apenas o comprimento de algo que calculamos, também consolidamos o procedimento de comparar unidades para identificar tamanhos diferentes e, posteriormente, construir representações mentais a partir de conceitos.

Além da régua, inúmeros materiais podem ser utilizados para despertar reflexões sobre espaço e forma. Destaco o geoplano­­­­ (placa de madeira de forma quadrada ou retangular onde são cravados pregos ou pinos formando uma malha quadriculada), onde, a partir dele, podemos fazer representações geométricas utilizando elásticos coloridos ou cordões. Como o geoplano permite a exploração das formas e propriedades das figuras planas, podemos utilizá-lo para construir conceitos de perímetro e de área.

Outra forma de explorar figuras planas é a manipulação de peças de um mosaico (conjunto de figuras planas coloridas que possuem várias relações umas com as outras). O fato de poder realizar composição e decomposição de figuras na busca de padrões desafia os alunos a buscar uma lógica, o que exige uma análise das figuras. 

Nesta linha, o Tangram ( quebra-cabeça chinês formado pela decomposição de um quadrado em 7 peças: 5 triângulos, 1 quadrado e 1 paralelogramo) também funciona como objeto de análise, permitindo a reflexão sobre as relações de forma e tamanho, contribuindo para o desenvolvimento de habilidades de percepção espacial.

Então, cabe a nós, professores, selecionar materiais que possam apoiar atividades que se destinem a construção de conhecimentos. Para aprender é preciso envolvimento, onde o aluno encontra justificativa para buscar um significado, inclusive o matemático.


REFERÊNCIAS:

SMOLE, Kátia C. S. A matemática na educação infantil: a Teoria das Inteligências Múltiplas na prática escolar. Porto Alegre: Artmed, 1999.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018


Ao trabalharmos com educação, nos envolvemos nas relações humanas enquanto promovemos a formação da cidadania. No entanto, esta formação vai além dos muros da escola, pois vivemos na medida em que interagimos com o mundo. A cidadania, então, é o reflexo de comportamentos sociais, políticos e econômicos que regem uma sociedade na busca de um bem comum. Escola e sociedade, portanto, são indissociáveis em todas as formações humanas.

Sendo assim, quando pensamos em Educação de Jovens e Adultos (EJA), precisamos superar a prática de transmissão de direitos e deveres formalizados, para buscar uma prática pedagógica mais humanizadora, onde a cidadania popular se torne ativa. Nas palavras de Capucho (2012, p. 37-38):

A formação nessa perspectiva não pode circunscrever-se ao espaço escolar, mas também não podemos desconsiderar que este seja o espaço privilegiado para que jovens e adultos(as), das camadas populares, tenham acesso ao conhecimento historicamente produzido e também a vivências marcadas pelo entendimento mútuo, respeito e luta por direitos, ou seja, espaços com potencial para o fortalecimento da democracia e promoção da cidadania. (CAPUCHO, 2012, p. 37-38).

Falando em vivências, o direito à educação, independentemente da idade, é um qualificador social, principalmente quando o indivíduo tem na escola, sua referência de conhecimento e de formação. Partimos daí, então, para a ideia de que a EJA deve ser pensada como promotora dos direitos humanos, onde a construção da cidadania é a base do respeito à dignidade humana. Em consequência, educação gera conhecimento, que por sua vez pode promover conscientização, o que, no final, acaba convertendo para nosso objetivo como educadores: a construção da cidadania.

Mais do que gestor de conhecimentos, o espaço escolar pode representar um local de construção coletiva da cidadania, desenvolvendo e incentivando possibilidades de crescimento e de valorização histórica e cultural das relações humanas.

REFERÊNCIAS:

CAPUCHO, Vera. Educação de jovens e adultos: prática pedagógica e fortalecimento da cidadania. São Paulo: Cortez, 2012.