sábado, 17 de novembro de 2018


Uma das atividades do curso de Pedagogia, neste semestre, consistia em uma nova visitação às interdisciplinas já cursadas, na busca de textos que servissem de referencial teórico para as atividades atuais. Confesso que a minha primeira impressão foi de que seria uma tarefa metódica, mais de pesquisa do que reflexão. No entanto, ao rever os textos e reorganizar os temas e os conceitos trabalhados, percebi o quanto minha formação foi enriquecida e subsidiada por autores competentes, selecionados também pela competência dos professores do curso.

Ao acompanhar a trajetória das interdisciplinas que cursei até aqui, acabei tecendo uma relação de complexidade pois os assuntos interagem e se sobrepõem em uma nova visão de minha docência. Assim como o período atual do estágio é um aprendizado, para chegar a ele foi preciso construir uma base sustentada também por conhecimentos construídos pela experimentação e reflexão. Experiências necessárias para estimular percepções e interpretações, onde nós, indivíduos, nos expressamos através de nossa corporeidade.

Ao falar em percepção, então, destaco uma das primeiras interdisciplinas do curso: Corporeidade – Epistemologia e vivências do aprender. Hoje, no oitavo semestre, desenvolvendo o estágio com uma turma da EJA (Educação de Jovens e Adultos), cada vez mais encontro reflexos da importância das dimensões corporais em minhas ações e intervenções durante minha prática. Há, portanto, uma necessidade contínua de autoconhecimento tanto do corpo quanto de seus movimentos, pois é através deles que percebemos e expressamos nossos sentimentos. Conforme Santin (1987, p. 61):

O homem é essa realidade que se manifesta e se expõe diariamente à óticas abrangentes nos campos perceptivos, através da infinidade de suas possibilidades expressivas, instauradas pela dinâmica da corporeidade. O homem é uma autoconstrução corporal. (SANTIN, 1987, p. 61).

Como cada indivíduo constrói sua imagem corporal, não podemos privar nossos alunos de vivências de aprendizagem com o outro e com o meio, pois nas interações vividas o indivíduo se torna consciente de si e do meio que o cerca. Embora “corpo” seja de certa forma um conceito material, ele ultrapassa este patamar quando pensamos em aprendizagens, visto que ao aprendermos algo novo, reconfiguramos todo um sistema, reestabelecendo múltiplas conexões coordenadas por nosso cérebro/mente. Esta explicação se justifica nas palavras de Assmann (1998, p. 41): “[...] é que qualquer processo pedagógico somente será significativo para os aprendentes na medida em que produz essa reconfiguração do sistema complexo cérebro/mente (e corporeidade inteira).”

Assim, se é a aprendizagem significativa que buscamos em nossas práticas pedagógicas, precisamos oportunizar as relações entre alunos, natureza e cultura, pois a aprendizagem humana acontece em corporeidades. Ao mesmo tempo, como professores, também devemos participar destas relações, principalmente porque é através de vivências que o processo educativo se estabelece.

REFERÊNCIAS:

ASSMANN, H. Reencantar a educação: rumo à sociedade aprendente. RJ: Vozes, 1998.

SANTIN, S. Educação Física: Outros Caminhos. Ijuí: UNIJUI, 1987.



Nenhum comentário:

Postar um comentário