Uma das atividades do curso
de Pedagogia, neste semestre, consistia em uma nova visitação às
interdisciplinas já cursadas, na busca de textos que servissem de referencial
teórico para as atividades atuais. Confesso que a minha primeira impressão foi
de que seria uma tarefa metódica, mais de pesquisa do que reflexão. No entanto,
ao rever os textos e reorganizar os temas e os conceitos trabalhados, percebi o
quanto minha formação foi enriquecida e subsidiada por autores competentes,
selecionados também pela competência dos professores do curso.
Ao acompanhar a trajetória
das interdisciplinas que cursei até aqui, acabei tecendo uma relação de
complexidade pois os assuntos interagem e se sobrepõem em uma nova visão de minha
docência. Assim como o período atual do estágio é um aprendizado, para chegar a
ele foi preciso construir uma base sustentada também por conhecimentos
construídos pela experimentação e reflexão. Experiências necessárias para
estimular percepções e interpretações, onde nós, indivíduos, nos expressamos através
de nossa corporeidade.
Ao falar em percepção,
então, destaco uma das primeiras interdisciplinas do curso: Corporeidade –
Epistemologia e vivências do aprender. Hoje, no oitavo semestre, desenvolvendo
o estágio com uma turma da EJA (Educação de Jovens e Adultos), cada vez mais encontro
reflexos da importância das dimensões corporais em minhas ações e intervenções durante
minha prática. Há, portanto, uma necessidade contínua de autoconhecimento tanto
do corpo quanto de seus movimentos, pois é através deles que percebemos e
expressamos nossos sentimentos. Conforme Santin (1987, p. 61):
O homem é essa
realidade que se manifesta e se expõe diariamente à óticas abrangentes nos
campos perceptivos, através da infinidade de suas possibilidades expressivas,
instauradas pela dinâmica da corporeidade. O homem é uma autoconstrução
corporal. (SANTIN, 1987, p. 61).
Como cada indivíduo constrói
sua imagem corporal, não podemos privar nossos alunos de vivências de
aprendizagem com o outro e com o meio, pois nas interações vividas o indivíduo
se torna consciente de si e do meio que o cerca. Embora “corpo” seja de certa
forma um conceito material, ele ultrapassa este patamar quando pensamos em
aprendizagens, visto que ao aprendermos algo novo, reconfiguramos todo um
sistema, reestabelecendo múltiplas conexões coordenadas por nosso cérebro/mente.
Esta explicação se justifica nas palavras de Assmann (1998, p. 41): “[...] é
que qualquer processo pedagógico somente será significativo para os aprendentes
na medida em que produz essa reconfiguração do sistema complexo cérebro/mente
(e corporeidade inteira).”
Assim, se é a aprendizagem
significativa que buscamos em nossas práticas pedagógicas, precisamos
oportunizar as relações entre alunos, natureza e cultura, pois a aprendizagem
humana acontece em corporeidades. Ao mesmo tempo, como professores, também devemos
participar destas relações, principalmente porque é através de vivências que o
processo educativo se estabelece.
REFERÊNCIAS:
ASSMANN, H. Reencantar a educação: rumo à sociedade
aprendente. RJ: Vozes, 1998.
SANTIN, S. Educação Física: Outros Caminhos. Ijuí:
UNIJUI, 1987.

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