sábado, 20 de abril de 2019




Meu TCC

Na revisão de nossas postagens do Portfólio de Aprendizagens, sempre encontramos ligações com reflexões atuais, o que é coerente com a construção do nosso Trabalho de Conclusão do Curso. Um exemplo deste fato é uma postagem de outubro de 2017, Ética e Moral , onde reflito sobre valores humanos e o papel da escola como espaço social de aprendizagem. Assim, o assunto tratado na postagem sobre cultura social e seu papel na aprendizagem, pode ser relacionado com a reflexão que fiz durante meu estágio em uma turma da EJA, o qual transformei em problematização em meu TCC.

A aquisição da linguagem, a alfabetização e o letramento são processos que ocorrem em qualquer fase da vida do indivíduo, inclusive na fase adulta. Com esta perspectiva, torna-se fundamental destacar o papel mediador que o professor assume neste processo de aprendizagem, onde as funções psicológicas superiores são construídas na interação do indivíduo com outros indivíduos e com o meio. Então, para aprofundar esta temática do interacionismo, contida nos estudos de Vygotsky, minha proposta de investigação para o TCC abordará: “As contribuições da teoria de Vygotsky para a elaboração de um planejamento pedagógico contextualizado, na Educação de Jovens e Adultos”.

Procurando relações entre o interacionismo e a prática de sala de aula, vemos que ao fazer a “leitura do mundo”, cada indivíduo vai se inserindo ao contexto social, vivenciando e modificando a cultura, numa relação dialética que constitui sua aprendizagem permanente. Buscando a compreensão da natureza do comportamento humano, Vygotsky apresenta perspectivas consistentes para explicar esta aprendizagem como mudanças decorrentes da interação do homem com seu meio físico e social. Conforme Rego (1995, p. 95):

É possível constatar que o ponto de vista de Vygotsky é que o desenvolvimento humano é compreendido não como a decorrência de fatores ambientais que agem sobre o organismo controlando seu comportamento, mas sim através de trocas recíprocas, que se estabelecem durante toda a vida, entre indivíduo e meio, cada aspecto influindo sobre o outro. (REGO, 1995, p.95).

Assim, a sala de aula pode representar este espaço de trocas recíprocas entre os alunos, promovendo também o desenvolvimento humano. No entanto, estas relações necessitam de um mediador para fomentar as possibilidades de interpretação e de entendimento entre eles, isto é, necessitam de um professor que compartilhe a caminhada do "saber" com seus alunos, compondo um planejamento contextualizado. Enfim, somente interações verdadeiras promovem aprendizagens.


REFERÊNCIAS

REGO, Teresa Cristina. Vygotsky: uma perspectiva histórico-cultural da educação. Petrópolis, RJ: Vozes, 1995.

sábado, 13 de abril de 2019

INTEGRAÇÃO JÁ!


Conhecimento é poder, mas ele realmente tem valor quando compõe um significado na vida das pessoas. Como professora, sempre busquei razões para justificar o ensino dos conteúdos, bem como aprendi a encontrar relações entre eles para melhor articulá-los. Compartilho, então, minha postagem de dezembro de 2017, Diálogo entre os saberes , onde destaco a importância de ultrapassar o limite que a disciplina (conteúdo) nos impõe em busca das relações entre os conhecimentos. É na integração e não na fragmentação, conforme Edgar Morin (2003), que podemos interagir com diferentes realidades, expandindo a mente humana.

Com este perfil, vivenciei um estágio na Educação de Jovens e Adultos que me fez repensar sobre a formação dos professores que atuam nesta modalidade. Ao planejar e concretizar minhas aulas, precisei não só ter conhecimento do sujeito da EJA, mas também ampliar minha visão para compreender as diversas realidades mescladas em sala de aula. Constatei, então, que uma integração curricular atende de maneira mais eficaz como prática pedagógica, pautando no significado e não apenas em mais informações a serem memorizadas. Volto, assim, a valorizar a contextualização e a integração dos conceitos para que possam servir de identificação e crescimento para os alunos, evitando a alienação trazida pela compartimentação dos saberes.

Contudo, muita reflexão precisa ser feita, inclusive na busca de metodologias adequadas para a docência na EJA. Apesar de haver muitos exemplos de improvisação docente nesta área, é fundamental o compromisso de qualificação que o educador deve adotar para contribuir com o processo de aprendizagem significativa, bem como acreditar que pode potencializar os saberes de seus alunos e oportunizar sua verdadeira inclusão na sociedade. Nas palavras de Capucho (2012, p. 78):

A experiência em formação de professores(as) de jovens e adultos(as) tem revelado que dentre as inúmeras qualificações necessárias aos profissionais da EJA o comprometimento com um outro mundo possível se faz imprescindível. (CAPUCHO, 2012, p. 78).

Portanto, como professores, precisamos acreditar que é possível mudarmos o mundo quando trabalhamos para garantir os direitos de educação e de socialização para todas as pessoas que, como alunos, buscam estes direitos ao entrarem na escola. Enfim, estagiar na EJA fortaleceu meu compromisso profissional de sempre respeitar as diferenças, procurando conhecer e valorizar as singularidades para que o conhecimento possa ser integrado para poder ser construído por todos.


REFERÊNCIAS:

CAPUCHO, Vera. Educação de jovens e adultos: prática pedagógica e fortalecimento da cidadania. São Paulo: Cortez, 2012.

MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. 8ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.


domingo, 7 de abril de 2019


Basta-me um pequeno gesto ...

Ao término do estágio, além das lembranças pessoais e profissionais, carrego comigo reflexões que modificaram meus conceitos sobre as relações humanas. Lembro de uma postagem de março de 2018, do meu Portfólio de Aprendizagens onde sinalizava a contribuição da educação na formação e na inclusão do indivíduo na sociedade. Com o título de EJA - Realizando sonhos adormecidos, descrevi minha percepção inicial sobre a Educação de Jovens e Adultos e caracterizei as possibilidades de crescimento como direito de todos. Refletindo sobre minhas experiências no estágio com uma turma da EJA, percebo que estas possibilidades realmente existem e que podem ser ampliadas quando nos envolvemos no processo de aprendizagem dos alunos.


Inicialmente, trabalhar com uma turma heterogênea não foi fácil, principalmente com adultos de identidades e de valores diferentes. Cada aula, então, se tornou um experimento único, sobretudo para mim, professora, ao incentivar a troca de conhecimentos entre eles. Desta forma, ao oportunizar que os alunos associassem letras, constituíssem palavras e encontrassem sentido nestas palavras, oportunizei tanto o raciocínio quanto a expressão pessoal. Mesmo sendo uma construção pessoal para cada um, nossa função está em mediar estas produções para que os próprios alunos possam avançar ao entenderem a função social da escrita.

E foram estas trocas, estes debates e interações que me fazem, hoje, valorizar muito mais as relações humanas na educação. Enfim, vivenciei que alfabetizar é abrir caminhos para a comunicação significativa, onde a colaboração do grupo na realização das atividades é essencial para se refletir sobre a própria escrita. Conforme Russo (2012, p. 42):

De modo geral, o professor precisa levar o alfabetizando a raciocinar sobre a escrita e, para isso, deve criar um ambiente rico em materiais e em atos de leitura e escrita. Deve, também, promover a interação entre os diferentes níveis, principalmente os mais próximos. Assim, não é preciso, necessariamente, trabalhar com cada aluno, mas permitir-lhes a comunicação, que é o principal instrumento da didática da aprendizagem da alfabetização. (RUSSO, 2012, p. 42).

Assim, cada dia de convivência com uma turma consolida o conhecimento humano do professor, fazendo-o reconhecer a pluralidade das relações humanas e preparando-o para mediar conflitos de tempos e espaços, de qualquer aluno, inclusive da EJA. No entanto, é preciso observar os alunos e refletir sobre as experiências vivenciadas para que os novos planejamentos sejam flexíveis a ponto de contemplar as diversidades constatadas. Em outras palavras, é essencial observar para refletir, bem como, entender os alunos para realmente planejar.

Para finalizar, destaco um poema de Cecília Meireles que, em sua sensibilidade, representa qualquer indivíduo aprendente, incluindo o professor, que faz das relações humanas sua fonte de aprendizagem.





REFERÊNCIAS:

RUSSO, Maria de Fatima. Alfabetização: um processo em construção. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2012.