sábado, 13 de abril de 2019

INTEGRAÇÃO JÁ!


Conhecimento é poder, mas ele realmente tem valor quando compõe um significado na vida das pessoas. Como professora, sempre busquei razões para justificar o ensino dos conteúdos, bem como aprendi a encontrar relações entre eles para melhor articulá-los. Compartilho, então, minha postagem de dezembro de 2017, Diálogo entre os saberes , onde destaco a importância de ultrapassar o limite que a disciplina (conteúdo) nos impõe em busca das relações entre os conhecimentos. É na integração e não na fragmentação, conforme Edgar Morin (2003), que podemos interagir com diferentes realidades, expandindo a mente humana.

Com este perfil, vivenciei um estágio na Educação de Jovens e Adultos que me fez repensar sobre a formação dos professores que atuam nesta modalidade. Ao planejar e concretizar minhas aulas, precisei não só ter conhecimento do sujeito da EJA, mas também ampliar minha visão para compreender as diversas realidades mescladas em sala de aula. Constatei, então, que uma integração curricular atende de maneira mais eficaz como prática pedagógica, pautando no significado e não apenas em mais informações a serem memorizadas. Volto, assim, a valorizar a contextualização e a integração dos conceitos para que possam servir de identificação e crescimento para os alunos, evitando a alienação trazida pela compartimentação dos saberes.

Contudo, muita reflexão precisa ser feita, inclusive na busca de metodologias adequadas para a docência na EJA. Apesar de haver muitos exemplos de improvisação docente nesta área, é fundamental o compromisso de qualificação que o educador deve adotar para contribuir com o processo de aprendizagem significativa, bem como acreditar que pode potencializar os saberes de seus alunos e oportunizar sua verdadeira inclusão na sociedade. Nas palavras de Capucho (2012, p. 78):

A experiência em formação de professores(as) de jovens e adultos(as) tem revelado que dentre as inúmeras qualificações necessárias aos profissionais da EJA o comprometimento com um outro mundo possível se faz imprescindível. (CAPUCHO, 2012, p. 78).

Portanto, como professores, precisamos acreditar que é possível mudarmos o mundo quando trabalhamos para garantir os direitos de educação e de socialização para todas as pessoas que, como alunos, buscam estes direitos ao entrarem na escola. Enfim, estagiar na EJA fortaleceu meu compromisso profissional de sempre respeitar as diferenças, procurando conhecer e valorizar as singularidades para que o conhecimento possa ser integrado para poder ser construído por todos.


REFERÊNCIAS:

CAPUCHO, Vera. Educação de jovens e adultos: prática pedagógica e fortalecimento da cidadania. São Paulo: Cortez, 2012.

MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. 8ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.


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