Basta-me um pequeno gesto ...
Ao término do estágio, além das lembranças pessoais e
profissionais, carrego comigo reflexões que modificaram meus conceitos sobre as
relações humanas. Lembro de uma postagem de março de 2018, do meu Portfólio de
Aprendizagens onde sinalizava a contribuição da educação na formação e na
inclusão do indivíduo na sociedade. Com o título de EJA
- Realizando sonhos adormecidos, descrevi minha percepção inicial sobre a
Educação de Jovens e Adultos e caracterizei as possibilidades de crescimento
como direito de todos. Refletindo sobre minhas experiências no estágio com uma
turma da EJA, percebo que estas possibilidades realmente existem e que podem
ser ampliadas quando nos envolvemos no processo de aprendizagem dos alunos.
Inicialmente, trabalhar com uma turma heterogênea não foi
fácil, principalmente com adultos de identidades e de valores diferentes. Cada
aula, então, se tornou um experimento único, sobretudo para mim, professora, ao
incentivar a troca de conhecimentos entre eles. Desta forma, ao
oportunizar que os alunos associassem letras, constituíssem palavras e
encontrassem sentido nestas palavras, oportunizei tanto o raciocínio quanto a
expressão pessoal. Mesmo sendo uma construção pessoal para cada um, nossa
função está em mediar estas produções para que os próprios alunos possam
avançar ao entenderem a função social da escrita.
E foram estas trocas, estes debates e interações que me
fazem, hoje, valorizar muito mais as relações humanas na educação. Enfim, vivenciei
que alfabetizar é abrir caminhos para a comunicação significativa, onde a
colaboração do grupo na realização das atividades é essencial para se refletir
sobre a própria escrita. Conforme Russo (2012, p. 42):
De modo
geral, o professor precisa levar o alfabetizando a raciocinar sobre a escrita
e, para isso, deve criar um ambiente rico em materiais e em atos de leitura e
escrita. Deve, também, promover a interação entre os diferentes níveis,
principalmente os mais próximos. Assim, não é preciso, necessariamente,
trabalhar com cada aluno, mas permitir-lhes a comunicação, que é o principal
instrumento da didática da aprendizagem da alfabetização. (RUSSO, 2012, p. 42).
Assim, cada dia de convivência com uma turma consolida o
conhecimento humano do professor, fazendo-o reconhecer a pluralidade das
relações humanas e preparando-o para mediar conflitos de tempos e espaços, de
qualquer aluno, inclusive da EJA. No entanto, é preciso observar os alunos e
refletir sobre as experiências vivenciadas para que os novos planejamentos
sejam flexíveis a ponto de contemplar as diversidades constatadas. Em outras
palavras, é essencial observar para refletir, bem como, entender os alunos para
realmente planejar.
Para finalizar, destaco um poema de Cecília Meireles que, em
sua sensibilidade, representa qualquer indivíduo aprendente, incluindo o
professor, que faz das relações humanas sua fonte de aprendizagem.
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REFERÊNCIAS:
RUSSO, Maria de
Fatima. Alfabetização: um processo em
construção. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2012.

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