domingo, 7 de abril de 2019


Basta-me um pequeno gesto ...

Ao término do estágio, além das lembranças pessoais e profissionais, carrego comigo reflexões que modificaram meus conceitos sobre as relações humanas. Lembro de uma postagem de março de 2018, do meu Portfólio de Aprendizagens onde sinalizava a contribuição da educação na formação e na inclusão do indivíduo na sociedade. Com o título de EJA - Realizando sonhos adormecidos, descrevi minha percepção inicial sobre a Educação de Jovens e Adultos e caracterizei as possibilidades de crescimento como direito de todos. Refletindo sobre minhas experiências no estágio com uma turma da EJA, percebo que estas possibilidades realmente existem e que podem ser ampliadas quando nos envolvemos no processo de aprendizagem dos alunos.


Inicialmente, trabalhar com uma turma heterogênea não foi fácil, principalmente com adultos de identidades e de valores diferentes. Cada aula, então, se tornou um experimento único, sobretudo para mim, professora, ao incentivar a troca de conhecimentos entre eles. Desta forma, ao oportunizar que os alunos associassem letras, constituíssem palavras e encontrassem sentido nestas palavras, oportunizei tanto o raciocínio quanto a expressão pessoal. Mesmo sendo uma construção pessoal para cada um, nossa função está em mediar estas produções para que os próprios alunos possam avançar ao entenderem a função social da escrita.

E foram estas trocas, estes debates e interações que me fazem, hoje, valorizar muito mais as relações humanas na educação. Enfim, vivenciei que alfabetizar é abrir caminhos para a comunicação significativa, onde a colaboração do grupo na realização das atividades é essencial para se refletir sobre a própria escrita. Conforme Russo (2012, p. 42):

De modo geral, o professor precisa levar o alfabetizando a raciocinar sobre a escrita e, para isso, deve criar um ambiente rico em materiais e em atos de leitura e escrita. Deve, também, promover a interação entre os diferentes níveis, principalmente os mais próximos. Assim, não é preciso, necessariamente, trabalhar com cada aluno, mas permitir-lhes a comunicação, que é o principal instrumento da didática da aprendizagem da alfabetização. (RUSSO, 2012, p. 42).

Assim, cada dia de convivência com uma turma consolida o conhecimento humano do professor, fazendo-o reconhecer a pluralidade das relações humanas e preparando-o para mediar conflitos de tempos e espaços, de qualquer aluno, inclusive da EJA. No entanto, é preciso observar os alunos e refletir sobre as experiências vivenciadas para que os novos planejamentos sejam flexíveis a ponto de contemplar as diversidades constatadas. Em outras palavras, é essencial observar para refletir, bem como, entender os alunos para realmente planejar.

Para finalizar, destaco um poema de Cecília Meireles que, em sua sensibilidade, representa qualquer indivíduo aprendente, incluindo o professor, que faz das relações humanas sua fonte de aprendizagem.





REFERÊNCIAS:

RUSSO, Maria de Fatima. Alfabetização: um processo em construção. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2012.

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