sábado, 25 de novembro de 2017



Importância do Censo Escolar

A coleta de dados estatísticos traz subsídios para planejamentos e ações pedagógicas nas escolas. No entanto, ela pode ser mais qualitativa, isto é, pode servir também para reconhecer e valorizar as singularidades dos alunos, desenvolvendo sentimentos de pertencimento ao grupo, desde que os educadores aproveitem para refletir sobre as desigualdades raciais. Conforme as Orientações para Educação das Relações Étnico-raciais (Brasil, 2006, p. 62):

Enfatizar as relações entre negros, brancos e outros grupos étnico-raciais no Ensino Fundamental não nos leva necessariamente a conflitos ou impasses. Há a possibilidade de mediações, de acertos, que permitam uma aproximação de interesses ao mesmo tempo comuns e não-comuns, mas que se fundem na negociação. (BRASIL, 2006, p. 62).

Quando refletimos sobre a diversidade étnico-racial brasileira, percebemos que nos levantamentos estatísticos estão presentes as desigualdades sociais. Entre levantamentos oficiais, o Censo Escolar é considerado o principal instrumento de coleta de informações da educação básica. Sendo assim, ao pesquisar os dados coletados nas matrículas de uma escola, ou seja, as mesmas informações registradas no Censo Escolar, poderemos ter um diagnóstico para analisar a influência da desigualdade étnico-racial na trajetória dos alunos da escola.

Cinco categorias (cor/raça) fazem parte de instrumentos de pesquisa do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), como no Censo Escolar, onde podemos estabelecer relações com os dados coletados em todo o país e aprofundar o conhecimento da realidade étnico-racial de nossa comunidade escolar.

No entanto, para conhecer a realidade escolar, não basta termos ciência da realidade étnico-racial local, mas ela nos sinaliza diversos conflitos, inclusive sociais, de discriminação ou segregação de oportunidades na educação a que todos têm acesso. Condições de moradia e saneamento básico, emprego e saúde determinam o desenvolvimento qualitativo de uma comunidade. Todos estes fatores fazem parte de necessidades básicas de qualquer indivíduo, independente da comunidade ou de seu grupo social.

Como as políticas públicas, inclusive as educacionais, são criadas a partir de necessidades da população, conhecer a composição étnico-racial dos alunos, será um grande passo para buscar estratégias que garantam uma educação igualitária, onde todos tenham condições de acesso e permanência na escola, independente de uma caracterização ou de pertencimento a um determinado grupo étnico.

REFERÊNCIAS:

BRASIL. Orientações e  Ações para a Educação das relações Étnico-raciais. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. Brasília: MEC, SECAD, 2006.


sábado, 18 de novembro de 2017



CONHECENDO O MODO COMO A CRIANÇA APRENDE

Ao estudarmos a Epistemologia Genética de Piaget é possível ter, como professores, muitas ferramentas para conhecer o nosso aluno, isto é, conhecer o modo como ele aprende. Aplicando provas operatórias do Método Clínico, por exemplo, poderemos perceber como a criança entrevistada age em determinadas situações e como responde para solucionar problemas.

Com o Método Clínico, poderemos investigar o pensamento da criança em diferentes etapas do seu desenvolvimento e refletir sobre os tipos de respostas dadas. Através de entrevistas, o pesquisador interage com o sujeito, orientado por hipóteses iniciais. Desta forma, pode-se complementar as perguntas para que se façam melhores interpretações das respostas. Estes procedimentos seguem objetivos específicos, relacionados a hipóteses de respostas que os sujeitos darão. É uma forma organizada de conhecer o raciocínio lógico da criança. Nas palavras de Delval (2002, p.67):

[...] o método clínico é um procedimento para investigar como as crianças pensam, agem e sentem, que procura descobrir o que não é evidente no que os sujeitos fazem ou dizem, o que está por trás da aparência de sua conduta, seja em ações ou palavras. (DELVAL, 2002, p.67).

Todo professor precisa amparar sua metodologia de trabalho na compreensão do raciocínio lógico-matemático do aluno. É através deste conhecimento que seu planejamento deve ser embasado para propor estratégias que facilitem as aprendizagens. O desenvolvimento cognitivo depende de condições para que a criança experimente e interaja com o objeto, assimile e transforme em conhecimento. Assim, quando o Método Clínico é utilizado como diagnóstico do desenvolvimento cognitivo, mais subsídios terá o professor para entender o pensamento do seu aluno.


REFERÊNCIAS:

DELVAL, Juan. Introdução à prática do Método Clínico – descobrindo o pensamento das crianças. Porto Alegre: Artmed, 2002.

sábado, 11 de novembro de 2017

IDENTIFICAÇÃO NAS CULTURAS

Todo grupo social se constrói a partir de relações de identificação e de pertencimento a uma cultura. Uma sociedade é o resultado de uma pluralidade de culturas que se reafirmam diariamente nas relações com o outro. Sendo assim, a multiplicidade de grupos étnicos enriquece a criatividade de um povo e necessita, ao mesmo tempo, de um desejo de convivência harmoniosa em meio às diferenças. Então, se identificar como parte de um grupo traz junto a responsabilidade de respeitar a dimensão étnica do outro.

Estamos mais conscientes das relações entre educação, sociedade e cultura. No entanto, precisamos ficar mais atentos para compreender e valorizar as histórias de lutas e de afirmação de espaço das diferentes etnias que compõem a dinâmica da nossa sociedade. Desde o final da década de 1990, normatizações feitas pelo Ministério da Educação e Cultura sinalizam a preocupação com a diversidade cultural e com a valorização das relações étnico-raciais. Nas palavras de Mattos e Abreu (2012, p. 116): “É, na verdade, um dos sinais mais significativos de um novo lugar político e social conseguido pelos chamados movimentos negros e antirracistas no processo político brasileiro e no campo educacional em especial”.

No que diz respeito às relações sociais, elas concretizam a dimensão étnica, num jogo de poder, independente do grupo social se encontrar ou não marginalizado. Conforme Kreutz (2011, p. 185):

Significa dizer que os processos culturais são conflituosos e que em cada etnia há uma história de luta pela determinação de seus valores, pela busca e afirmação de espaço. A consciência de que a dinâmica de uma sociedade ocorre no entrecruzamento de interesses, de conflitos, muitas vezes contrapostos, indica a necessidade de buscar entender como a escola atua ou atuava diante do desafio da diversidade de culturas. (KREUTZ, 2011, p. 185).


Desta forma, a escola novamente se destaca como espaço de diálogo para esta pluralidade de sujeitos, onde a educação precisa ser emancipatória, combatendo desigualdades e discriminações, rompendo sentimentos de inferioridade e superioridade. É a melhor forma de formar cidadãos, onde todos exercem seus direitos, fortalecendo sua participação no espaço público.


REFERÊNCIAS:

KREUTZ, Lúcio. Escola de imigrantes no Brasil. In: FONSECA, M. V.; SILVA, C. M. N. da; FERNANDES, A. B. (org.). Relações étnico-raciais e educação no Brasil. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2011.

MATTOS, H.; ABREU, M. Uma conversa com professores de história sobre as “Diretrizes Curriculares Nacionais para as relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana”. In: DANTAS, C. V.; MATTOS, H.; ABREU, M. (org.). O negro no Brasil: trajetórias e lutas em dez aulas de história. 1ª ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.


sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Os desafios da Escola Inclusiva

Nas leituras sobre Educação Especial, percebemos que a legislação do Ministério da Educação sustenta que, independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, entre outras, toda criança deve ser atendida em uma escola regular. Chegou a hora, então, de repensar o modelo educacional vigente e diversificar nosso olhar para encontrar formas de fugir da padronização habitual, pois cada um tem sua essência e esta precisa ser potencializada.

Este desafio faz parte não só da escola, mas de toda sociedade cujos cidadãos buscam direitos e dignidade. Como cada um é um sujeito, sua identidade deve ser respeitada e, a ele, devem ser oportunizadas as condições para seu  desenvolvimento. A escola, em sua função social, organiza na inclusão, os meios para atender e favorecer a todos os alunos. É na valorização das diferenças, então, que a convivência da diversidade se estabelece e todos ganham com isso. Nas palavras de Cavallero (2010, p.52):

Nos últimos tempos, questões que envolvem a inclusão e a exclusão entraram na pauta de muitas instituições educativas, formais e não formais, dentro e fora de nosso país. Isso reflete a urgência de se repensar o papel da educação diante das grandes transformações sociais da atualidade, para que nós, educadores, possamos efetivar uma educação mais abrangente e mais próxima de nosso tempo. Um dos grandes desafios consiste na promoção de um estado de convivência entre os diferentes, de modo que as singularidades de cada um possam se apresentar e dialogar no espaço coletivo. (CAVALLERO, 2010, p.52).

Para que uma proposta inclusiva se concretize na escola, o  olhar de professor deve ser um olhar realmente inclusivo. A educação deve ser pensada como metodologias diversificadas, pois não há mais como considerarmos a turma inteira como um todo, mas como um grupo diverso que busca na convivência, oportunidades de crescimento na aprendizagem. Para resumir este momento, uma fala de Mantoan (2011, p.67): "Precisamos nos conscientizar de que as turmas escolares, queiramos ou não, são e serão sempre desiguais."

Portanto, a inclusão se traduz numa mudança de paradigma educacional, com alterações nas metodologias e processos educacionais. No entanto, precisa ser uma mudança de mentalidades, onde todos da escola devem estar comprometidos para que ela seja acessível e preparada para receber o aluno, seja ele quem for.

REFERÊNCIAS:

CAVALLERO, J. Programa singular. In: GITAHY, A.M.;  CAVALLERO, J.; MENDES, R. H. Artes visuais na educação inclusiva: metodologia e práticas do Instituto Rodrigo Mendes. São Paulo: Petrópolis, 2010.

MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar: caminhos, descaminhos, desafios, perspectivas. In: MANTOAN, Maria Teresa Eglér. (org.) O desafio das diferenças na escola. 4ª ed. – Petrópolis, RJ: Vozes, 2011.