Importância do Censo Escolar
A coleta de dados estatísticos traz subsídios
para planejamentos e ações pedagógicas nas escolas. No entanto, ela pode ser
mais qualitativa, isto é, pode servir também para reconhecer e valorizar as singularidades
dos alunos, desenvolvendo sentimentos de pertencimento ao grupo, desde que os
educadores aproveitem para refletir sobre as desigualdades raciais. Conforme as
Orientações para Educação das Relações Étnico-raciais (Brasil, 2006, p. 62):
Enfatizar as relações
entre negros, brancos e outros grupos étnico-raciais no Ensino Fundamental não
nos leva necessariamente a conflitos ou impasses. Há a possibilidade de
mediações, de acertos, que permitam uma aproximação de interesses ao mesmo
tempo comuns e não-comuns, mas que se fundem na negociação. (BRASIL, 2006, p.
62).
Quando refletimos sobre a diversidade
étnico-racial brasileira, percebemos que nos levantamentos estatísticos estão
presentes as desigualdades sociais. Entre levantamentos oficiais, o Censo
Escolar é considerado o principal instrumento de coleta de informações da
educação básica. Sendo assim, ao pesquisar os dados coletados nas matrículas de
uma escola, ou seja, as mesmas informações registradas no Censo Escolar,
poderemos ter um diagnóstico para analisar a influência da desigualdade
étnico-racial na trajetória dos alunos da escola.
Cinco categorias (cor/raça) fazem parte de
instrumentos de pesquisa do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais Anísio Teixeira), como no Censo Escolar, onde podemos estabelecer
relações com os dados coletados em todo o país e aprofundar o conhecimento da
realidade étnico-racial de nossa comunidade escolar.
No entanto, para conhecer a realidade escolar, não basta
termos ciência da realidade étnico-racial local, mas ela nos sinaliza diversos
conflitos, inclusive sociais, de discriminação ou segregação de oportunidades
na educação a que todos têm acesso. Condições de moradia e saneamento básico,
emprego e saúde determinam o desenvolvimento qualitativo de uma comunidade. Todos estes fatores fazem parte de necessidades básicas de qualquer indivíduo, independente da comunidade ou de seu grupo social.
Como as políticas públicas, inclusive as
educacionais, são criadas a partir de necessidades da população, conhecer a
composição étnico-racial dos alunos, será um grande passo para buscar
estratégias que garantam uma educação igualitária, onde todos tenham condições
de acesso e permanência na escola, independente de uma caracterização ou de
pertencimento a um determinado grupo étnico.
REFERÊNCIAS:
BRASIL. Orientações e Ações para a Educação das relações Étnico-raciais. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. Brasília: MEC, SECAD, 2006.
BRASIL. Orientações e Ações para a Educação das relações Étnico-raciais. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. Brasília: MEC, SECAD, 2006.



