sábado, 11 de novembro de 2017

IDENTIFICAÇÃO NAS CULTURAS

Todo grupo social se constrói a partir de relações de identificação e de pertencimento a uma cultura. Uma sociedade é o resultado de uma pluralidade de culturas que se reafirmam diariamente nas relações com o outro. Sendo assim, a multiplicidade de grupos étnicos enriquece a criatividade de um povo e necessita, ao mesmo tempo, de um desejo de convivência harmoniosa em meio às diferenças. Então, se identificar como parte de um grupo traz junto a responsabilidade de respeitar a dimensão étnica do outro.

Estamos mais conscientes das relações entre educação, sociedade e cultura. No entanto, precisamos ficar mais atentos para compreender e valorizar as histórias de lutas e de afirmação de espaço das diferentes etnias que compõem a dinâmica da nossa sociedade. Desde o final da década de 1990, normatizações feitas pelo Ministério da Educação e Cultura sinalizam a preocupação com a diversidade cultural e com a valorização das relações étnico-raciais. Nas palavras de Mattos e Abreu (2012, p. 116): “É, na verdade, um dos sinais mais significativos de um novo lugar político e social conseguido pelos chamados movimentos negros e antirracistas no processo político brasileiro e no campo educacional em especial”.

No que diz respeito às relações sociais, elas concretizam a dimensão étnica, num jogo de poder, independente do grupo social se encontrar ou não marginalizado. Conforme Kreutz (2011, p. 185):

Significa dizer que os processos culturais são conflituosos e que em cada etnia há uma história de luta pela determinação de seus valores, pela busca e afirmação de espaço. A consciência de que a dinâmica de uma sociedade ocorre no entrecruzamento de interesses, de conflitos, muitas vezes contrapostos, indica a necessidade de buscar entender como a escola atua ou atuava diante do desafio da diversidade de culturas. (KREUTZ, 2011, p. 185).


Desta forma, a escola novamente se destaca como espaço de diálogo para esta pluralidade de sujeitos, onde a educação precisa ser emancipatória, combatendo desigualdades e discriminações, rompendo sentimentos de inferioridade e superioridade. É a melhor forma de formar cidadãos, onde todos exercem seus direitos, fortalecendo sua participação no espaço público.


REFERÊNCIAS:

KREUTZ, Lúcio. Escola de imigrantes no Brasil. In: FONSECA, M. V.; SILVA, C. M. N. da; FERNANDES, A. B. (org.). Relações étnico-raciais e educação no Brasil. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2011.

MATTOS, H.; ABREU, M. Uma conversa com professores de história sobre as “Diretrizes Curriculares Nacionais para as relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana”. In: DANTAS, C. V.; MATTOS, H.; ABREU, M. (org.). O negro no Brasil: trajetórias e lutas em dez aulas de história. 1ª ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.


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