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| IDENTIFICAÇÃO NAS CULTURAS |
Todo grupo social se
constrói a partir de relações de identificação e de pertencimento a uma
cultura. Uma sociedade é o resultado de uma pluralidade de culturas que se
reafirmam diariamente nas relações com o outro. Sendo assim, a multiplicidade
de grupos étnicos enriquece a criatividade de um povo e necessita, ao mesmo
tempo, de um desejo de convivência harmoniosa em meio às diferenças. Então, se
identificar como parte de um grupo traz junto a responsabilidade de respeitar a
dimensão étnica do outro.
Estamos mais conscientes das
relações entre educação, sociedade e cultura. No entanto, precisamos ficar mais
atentos para compreender e valorizar as histórias de lutas e de afirmação de
espaço das diferentes etnias que compõem a dinâmica da nossa sociedade. Desde o
final da década de 1990, normatizações feitas pelo Ministério da Educação e
Cultura sinalizam a preocupação com a diversidade cultural e com a valorização
das relações étnico-raciais. Nas palavras de Mattos e Abreu (2012, p. 116): “É,
na verdade, um dos sinais mais significativos de um novo lugar político e
social conseguido pelos chamados movimentos negros e antirracistas no processo
político brasileiro e no campo educacional em especial”.
No que diz respeito às
relações sociais, elas concretizam a dimensão étnica, num jogo de poder, independente
do grupo social se encontrar ou não marginalizado. Conforme Kreutz (2011, p.
185):
Significa dizer que os
processos culturais são conflituosos e que em cada etnia há uma história de
luta pela determinação de seus valores, pela busca e afirmação de espaço. A
consciência de que a dinâmica de uma sociedade ocorre no entrecruzamento de
interesses, de conflitos, muitas vezes contrapostos, indica a necessidade de
buscar entender como a escola atua ou atuava diante do desafio da diversidade
de culturas. (KREUTZ, 2011, p. 185).
Desta forma, a escola
novamente se destaca como espaço de diálogo para esta pluralidade de sujeitos,
onde a educação precisa ser emancipatória, combatendo desigualdades e
discriminações, rompendo sentimentos de inferioridade e superioridade. É a
melhor forma de formar cidadãos, onde todos exercem seus direitos, fortalecendo
sua participação no espaço público.
REFERÊNCIAS:
KREUTZ, Lúcio. Escola de
imigrantes no Brasil. In: FONSECA, M. V.; SILVA, C. M. N. da; FERNANDES, A. B.
(org.). Relações étnico-raciais e
educação no Brasil. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2011.
MATTOS, H.; ABREU, M. Uma conversa com professores de história
sobre as “Diretrizes Curriculares Nacionais para as relações étnico-raciais e
para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana”. In: DANTAS, C.
V.; MATTOS, H.; ABREU, M. (org.). O negro
no Brasil: trajetórias e lutas em
dez aulas de história. 1ª ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.
https://novaescola.org.br/conteudo/1545/diversidade-etnico-racial-por-um-ensino-de-varias-cores
(Imagem)

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