sexta-feira, 23 de dezembro de 2016




ESTAR VIVO É APRENDER ...

Trabalhar em educação é estar constantemente inquieto. As mudanças diárias no mundo e as demandas da tecnologia necessitam de uma atualização permanente do professor. Mas como tornar isso uma potência e não um fardo, já que o conhecimento é o que nos faz sintonizados com a educação?

Nessa linha, a ideia de que somos seres “aprendentes” nos remete para um aprendizado experimental, onde vivenciar a construção e reconstrução do conhecimento alimenta não só a nossa formação, mas nos modela para as interações sociais, sobretudo com nossos alunos. Nas palavras de Assmann (1998, p. 35):

Hoje, o avanço das biociências nos foi mostrando que a vida é, essencialmente, aprender, e que isto se aplica aos mais diferentes níveis que se podem distinguir no fenômeno complexo da vida. Parece que se trata deveras de um princípio abrangente relacionado com a essência do “estar vivo”, que é sinônimo de estar interagindo, como aprendente, com a ecologia cognitiva na qual se está imerso, desde o plano estritamente biofísico até o mais abstrato plano mental.(ASSMANN, 1998, p. 35)

Assim, neste semestre no curso de Pedagogia, vivenciei inúmeras experiências de leitura e pesquisa que me prepararam para elaborar e aplicar atividades diferenciadas com meus alunos. Em um olhar mais amplo, as interdisciplinas de Representação do Mundo pela Matemática, Representação do Mundo pelas Ciências Naturais e Representação do Mundo pelos Estudos Sociais interagiram em minhas reflexões e formaram um mosaico de ideias que se complementavam a cada nova leitura.

Para exemplificar, escolhi três livros, entre tantos, que me fizeram tecer uma teia de aprendizagens e de interações com o conhecimento (Fotos: Arquivo Pessoal)
Matemática - Coleção Mathemoteca

História - PINTO e TURAZZI ; Ciências - NIGRO

No final, fica a certeza de que cada um de nós tem uma forma de aprender e de que ela precisa ser valorizada para apreciarmos os caminhos diferentes de aprendizagem que nos cercam. Leituras colaboram para conhecermos ideias novas e/ou reafirmar significados. Refletir sobre pensamentos de autores e de profissionais competentes em suas áreas nos faz repensar as certezas e formular novas dúvidas, o que acaba sendo a síntese do nosso aprendizado.

REFERÊNCIAS:

ASSMANN, Hugo. Reencantar a educação: rumo à sociedade aprendente. Petrópolis, RJ: Vozes, 1998.

GONÇALVES, F.A.; GOMES, L.B.; VIDIGAL, S.M.P. Materiais manipulativos para o ensino de figuras planas. Coleção Mathemoteca/ organizadoras: SMOLE, K.S.; DINIZ, M.I. São Paulo: Edições Mathema, 2012.

NIGRO, Rogério G. Ciências: soluções para dez desafios do professor, 1º ao 3º ano do ensino fundamental. São Paulo: Ática, 2012.

PINTO, Júlio Pimentel; TURAZZI, Maria Inez. Ensino de história: diálogos com a literatura e a fotografia. São Paulo: Moderna, 2012.

sábado, 17 de dezembro de 2016

UMA EXPERIÊNCIA DOCENTE

Numa simples adaptação do jogo “Faça 10” para sua aplicação em peças de um outro jogo, o dominó, foi possível explorar a compreensão da contagem e as noções de adição com alunos do 2º ano do Ensino Fundamental. Esta tarefa, lançada pela interdisciplina Representação do Mundo pela Matemática, proporcionou uma experiência docente enriquecedora, além de abrir novos campos de interpretação para resultados das atividades planejadas.

Durante a atividade, ao pedir que cada dupla de alunos selecionasse as peças do dominó necessárias para que o somatório dos pontos (bolinhas) fosse 10, a curiosidade inicial deu lugar à diversão durante as primeiras combinações. Os alunos contaram em voz alta as bolinhas de cada peça, usaram os dedinhos como auxílio, refizeram a contagem ou trocaram as peças para obterem a quantidade 10. Aos poucos, foi possível perceber que os mesmos  foram criando estratégias para acelerar o resultado certo, como no caso de manter uma peça conhecida e trocar as outras para formar novas combinações.

Contando bolinhas para obter 10

Esta atividade foi finalizada pela construção de algoritmos pelos alunos, que, ao organizarem as peças sobre uma folha, registraram estas operações, praticando o que já haviam anteriormente construído sobre a operação de adição em sala de aula.
   
            
Construção de um algoritmo para a adição


Analisando minha experiência, cada vez mais me convenço que o fundamental é dar significado para a prática ao valorizarmos as intervenções pedagógicas com nossos alunos. Na matemática, como nas demais disciplinas, os conteúdos são veículos para o desenvolvimento de habilidades e a participação do professor, do planejamento à execução, condiciona a trajetória de seus alunos. É o que encontramos nas palavras de Zabala (1998, p. 29), “É preciso insistir que tudo quanto fazemos em aula, por menor que seja, incide em maior ou menor grau na formação de nossos alunos”.

Assim, as relações interativas em sala de aula sempre fornecerão subsídios de interpretação para os professores. No caso da minha experiência, observar as formas de contagem, as estratégias de raciocínio e a verbalização dos pensamentos matemáticos dos alunos, me fez repensar o papel do professor não só no planejamento das atividades, mas, sobretudo, na intenção educativa que propomos para cada prática pedagógica.


REFERÊNCIAS:


ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: ARTMED Editora, 1998.

Imagens: Acervo pessoal.

sábado, 10 de dezembro de 2016

O olhar da Fotografia
A educação de nossas crianças e jovens está alicerçada na formação de valores e atitudes em defesa da paz entre as pessoas e do respeito às diferenças. A fotografia, como forma de expressão e de conhecimento humano, também pode fazer parte desta construção de cidadania. Segundo Pinto e Turazzi (2012, p. 164):

Alargando fronteiras geográficas, tecnológicas e sociais, a cultura associada à criação, circulação e consumo de fotografias, com quase dois séculos de existência, transformou a capacidade perceptiva do homem contemporâneo e seus meios de se fazer representar, para si próprio e para a coletividade. (PINTO; TURAZZI, p.164)

Assim, toda fotografia tem uma história a ser narrada. Expressa um momento de seu autor ou do seu olhar sobre o mundo. Pode ser a representação de fatos e de relações entre os indivíduos, expondo convivências e até situações que precisam ser conhecidas para serem denunciadas. É uma força social de representatividade da realidade e a marca de um presente que poderá ser modificado no futuro.

Portanto, uma imagem tem papel social como bem coletivo, visto que participa da construção do conhecimento dos grupos sociais. Ao mesmo tempo, ao constituir o patrimônio histórico e artístico de um povo, documenta as relações humanas que se consolidam na diversidade.

REFERÊNCIAS:

PINTO, Júlio Pimentel; TURAZZI, Maria Inez. Ensino de história: diálogos com a literatura e a fotografia. São Paulo: Moderna, 2012.

http://pointdaarte.webnode.com.br/news/a-historia-da-fotografia/ (Imagem)

domingo, 4 de dezembro de 2016

REAL E CONCRETO

Trabalhar a Geometria no cotidiano sempre torna a Matemática mais concreta. A necessidade de usar materiais manipulativos é essencial para iniciar a sistematização do conhecimento. Ao manipularem objetos reais, os alunos comentam e discutem ideias, oportunizando a construção de significados e desencadeando noções mais complexas dentro da Matemática. Nesta linha, o Geoplano, a malha pontilhada e/ou papel quadriculado, são aliados que favorecem a compreensão da reta e do ponto, bem como das figuras planas. O Tangram também é um recurso criativo para desenvolver as habilidades de percepção espacial. Nas palavras de Gonçalves, Gomes e Vidigal (2012, p.20):

O ensino de matemática no qual os alunos aprendem pela construção de significados pode ter como aliado o recurso aos materiais manipulativos, desde que as atividades propostas permitam a reflexão por meio de boas perguntas e pelo registro oral ou escrito das aprendizagens. (GONÇALVES; GOMES; VIDIGAL, 2012, p.20)


Neste contexto, é importante aproveitar as relações que a criança constrói com o espaço durante sua aprendizagem, não perdendo de vista o cuidado em dar continuidade com atividades coerentes que estimulem o seu raciocínio. Objetos reais servem de modelo para a criança e sua manipulação constituirá a base das representações mentais que a levará a compreender e sistematizar as propriedades que compõem a Matemática. Noções de distância, direção e sentido, entre outros, vão sendo internalizados pela experiência e pela reflexão, o que favorecerá o pensamento geométrico.

Portanto, a percepção espacial é fundamental como habilidade para a criança se posicionar no mundo e resolver problemas. Assim, é possível que ela, desde cedo, manipule objetos reais como forma de construção do pensamento geométrico e possa, na sequência, desenvolver suas habilidades espaciais também através de representações mentais.


REFERÊNCIAS:

GONÇALVES, F.A.; GOMES, L.B.; VIDIGAL, S.M.P. Materiais manipulativos para o ensino de figuras planas. Coleção Mathemoteca/ organizadoras: SMOLE, K.S.; DINIZ, M.I. São Paulo: Edições Mathema, 2012.




domingo, 27 de novembro de 2016


Ciência + reflexão = Investigação 

Ao propormos atividades de investigação como prática comum nas aulas de Ciências, muitas vezes é composta uma rotina de tarefas que acabam desestimulando os alunos a buscarem respostas. A curiosidade impele desde que tenha continuidade. Assim, redescobertas abrem caminhos para novas hipóteses e a imaginação é alimentada. Querer saber algo nos encaminha para a construção do conhecimento, mas saber algo apenas encontrando uma resposta pronta nos mantém na superficialidade.

Nós, professores, tratamos o conhecimento com profundidade, mas no decorrer do planejamento das aulas, às vezes não dosamos as exigências, transitando entre o senso comum e a profundidade. Desta forma, é necessário que a metodologia da investigação seja trabalhada, não como método rígido e indutivo, mas com o aluno analisando de forma crítica suas hipóteses e propondo formas de testá-las. Conforme Campos e Nigro (2009, p. 24):

Deve-se salientar, contudo, que o objetivo do ensino como investigação não é formar verdadeiros cientistas, tampouco obter única e exclusivamente mudanças conceituais. O que se pretende, principalmente, é formar pessoas que pensem sobre os fenômenos do mundo de modo não superficial. (CAMPOS; NIGRO, 2009, p. 24)

Portanto, na relação professor, aluno e conhecimento, as práticas científicas devem estimular a investigação e a busca de soluções para problemas, não com o intuito de uma formação especializada, mas com uma profundidade que supere o senso comum. É neste aspecto que o aluno buscará a compreensão da natureza e se envolverá com um comportamento investigativo, encontrando novas possibilidades de explicar e solucionar os problemas do cotidiano.

REFERÊNCIAS:

CAMPOS, Maria Cristina da Cunha; NIGRO, Rogério Gonçalves. Teoria e prática em ciências na escola: o ensino-aprendizagem como investigação. São Paulo: FTD, 2009.

http://cienciasnaturaisquintoano.blogspot.com.br/ (Imagem)



domingo, 20 de novembro de 2016

Gravataí, década de 1960



História do nosso espaço




É importante conhecer o lugar, a cidade ou a aldeia onde se vive, para saber bem o que se deve por ele (ela) fazer, para melhor para todos! Portanto, reconhecer-se no lugar para nele identificar-se e situar-se com qualidade de vida é o processo a ser seguido. (BARROSO, 2011, p.27)





A citação acima me fez refletir o quanto é necessário buscar os significados que compõem o nosso espaço de vivências, no caso, o município de Gravataí onde vivo. Assim, conhecer nossas raízes aumenta a compreensão das relações presentes em nosso espaço e favorecem nossa busca pela cidadania.
Toda esta reflexão foi motivada pela proposta da construção de um portfólio, solicitada pela interdisciplina Representação do Mundo pelos Estudos Sociais. Como o tema era livre, minha escolha foi sentimental, visto que moro desde que nasci na “Aldeia dos Anjos”, isto é, em Gravataí.
Entre minhas pesquisas, um dado me surpreendeu: “Em sessenta anos, de 1950 a 2010, a população do município multiplicou por dez”. É fato que, como nasci na década de 1960, venho acompanhando estas transformações, mas não havia me detido ainda em quantificá-las, o que me despertou curiosidade em aprofundar mais este tema.
Assim, compreender a dinâmica do município, passado e presente delineando o futuro, será um dos objetivos de meu portfólio, embora, talvez, algumas memórias afetivas acabem prevalecendo nas minhas escolhas dos documentos relevantes a serem registrados.

REFERÊNCIAS:
BARROSO, V. L. M. Gravataí: lugar de memórias. In: JACHEMET, C. S.; BARROSO, V. L. M. (org.) Raízes de Gravataí: memória, história e cidadania. Gravataí: Prefeitura Municipal: Casa dos Açores do Rio Grande do Sul; Porto Alegre: EST: Evangraf, 2011.

https://enquantoissonaaldeia.wordpress.com/category/resgatando-o-passado/

sábado, 12 de novembro de 2016


O tempo e  a dimensão cultural

Através do ensino de História, os alunos desenvolvem uma percepção sobre as modificações sociais no tempo. Mas como garantir neste ensino a reflexão sobre a transformação cultural no tempo e não apenas sua versão cronológica?
Para responder esta pergunta, precisamos compreender que o tempo possui uma dimensão cultural, onde a intervenção do homem provoca transformações no espaço social. Assim, é na escola que o ensino de História constitui, então, um trabalho progressivo visando a capacitação do aluno a analisar de forma crítica estas transformações.
Com a utilização de fontes históricas em sala de aula, o professor amplia os recursos concretos para obter esta reflexão. Documentos, réplicas, mapas, pinturas, entrevistas, fotografias, entre outros, enriquecem os conhecimentos sobre o passado e oportuniza aos alunos ler, intervir e argumentar para vivenciar os valores de sua sociedade. É por este caminho que alcançaremos uma visão crítica de nossa História.
Como exemplo, uma atividade oportuna para a sala de aula é a análise histórica de uma pintura. Tomemos como sugestão a análise de alguns quadros da pintora brasileira Tarsila do Amaral (1886 – 1973). Diversos aspectos podem ser abordados com os alunos, principalmente com suas pinturas das primeiras décadas do século XX, onde o Brasil passou por um intenso processo de urbanização, migração e imigração e, sobretudo, de industrialização.  

Algumas considerações sobre pinturas de Tarsila do Amaral:







Estrada de Ferro Central do Brasil (1924) 
Paisagem urbana e a vida moderna












                   Carnaval em Madureira (1924)               Paisagens ligadas ao campo e à cidade,                    alusão a uma festa popular (Carnaval)













Operários (1933) – Uma visão social da pintora










Ao apresentarmos estas e outras obras de Tarsila aos alunos, podemos valorizar a participação feminina na sociedade da época e de hoje, bem como estimular questionamentos que relacionem o passado com o presente. Os alunos podem, então, confeccionar suas próprias releituras destas obras.
Portanto, independente do documento histórico analisado, uma parte da história consegue ser revista e talvez redimensionada para o presente. Assim, nesta visão, fontes históricas são fundamentais para auxiliar os alunos a relacionar tempos e espaços diferentes.

REFERÊNCIAS:

NEMI, A.L.L.; ESCANHUELA,D. L.; MARTINS, J.C. Ensino de história e experiências: o tempo vivido. São Paulo: FTD, 2009.

http://tarsiladoamaral.com.br/obras/antropofagica-1928-1930/

domingo, 6 de novembro de 2016


CIÊNCIA NA SALA DE AULA
Ciência envolve mundo e vida. Somos cercados por fenômenos e vivemos deles. Como não trazê-los para estudos em sala de aula? Como não interagir com as crianças e vivenciar estas descobertas? É claro que não podemos ficar alheios a esta necessidade de buscar respostas e entender o mundo. Nas palavras de Nigro (2012, p. 88):

Acontece que as coisas se passam ao nosso redor, mas frequentemente não olhamos para elas com o “olhar do cientista”. E isso não pode acontecer com nossos alunos. O pequeno cientista que mora dentro das crianças deve ser bem cultivado, irrigado, provocado, para sair do estado de dormência e poder germinar. (NIGRO, 2012, p. 88)


Com este espírito de investigação, a interdisciplina Representação do Mundo pelas Ciências Naturais vem propondo atividades que nos permitem vivenciar estes momentos criativos com os alunos.


 Por exemplo, para exercitar a Classificação, apresentei um conjunto de botões diferentes misturados para uma aluna (Bruna, 6 anos), da 1ª série. Entre comentários, solicitei que ela separasse os botões em grupos, conforme suas observações.

O interessante é que Bruna escolheu o critério da cor para formar os grupos de botões, mas ao perceber que os botões vermelhos tinham tamanhos diferentes, separou-os em mais grupos. Perguntei se ela poderia fazer outras separações, onde uma de suas sugestões foi separar os “grandes dos pequenos”, chamando minha atenção para alguns botões que tinham formato diferente (coração) ou para aqueles que não tinham furos (forrados com tecido).

Portanto, estas experiências com os alunos nos deixam mais sintonizados com os processos de aprendizagem e oportunizam reflexões sobre o desenvolvimento do raciocínio lógico nas crianças. Todos estes estímulos proporcionam aos alunos autonomia para formular hipóteses e construir o seu caminho de argumentação.


REFERÊNCIAS:
NIGRO, Rogério G. Ciências: soluções para dez desafios do professor, 1º ao 3º ano do ensino fundamental. São Paulo: Ática, 2012.

domingo, 30 de outubro de 2016

FAZER CIÊNCIAS

Como professora, participar de atividades que instigam os alunos a pensar me deixou motivada a experimentar cada vez mais novas possibilidades de aprendizagem. Esta proposta foi encaminhada pela interdisciplina de Representação do Mundo pelas Ciências Naturais, onde realizar uma experiência com os alunos trouxe novas expectativas para a minha rotina escolar.

Ao pesquisar novamente um mesmo tema, é possível encontrar outras interpretações e novos enfoques podem ser dados para estimular os alunos a formular hipóteses e buscar explicações para os fenômenos. É todo um ambiente de aprendizagem que acaba se formando, onde o professor estabelece uma parceria de investigação com os alunos e estes se apropriam dos conhecimentos. Para tanto, é necessário um planejamento que desperte o processo investigativo nos alunos. Nas palavras de Nigro (2012, p.72):

“Fazer ciências” em sala de aula significa proporcionar diversas situações nas quais os alunos possam se portar como verdadeiros cientistas. Eles devem adotar procedimentos típicos desses profissionais – como observar, tomar dados, fazer anotações e registros, analisá-los etc. – e desenvolver “hábitos de mente” como a curiosidade, a criatividade, o rigor e a disciplina, para assim tentar vislumbrar como o conhecimento científico pode ser construído. NIGRO (2012, p. 72)


Assim, se a curiosidade dos alunos continuar aguçada e o interesse em observar e transformar em investigação as dúvidas diárias ainda está presente, então as nossas aulas estão produtivas e nosso objetivo de “fazer ciências” está sendo alcançado.

REFERÊNCIAS:

NIGRO, Rogério G. Ciências: soluções para dez desafios do professor, 1º ao 3º ano do ensino fundamental. São Paulo: Ática, 2012.


domingo, 23 de outubro de 2016


MATEMÁTICA NA VIDA

A matemática na escola é formalizada, abstrata, genérica, simbólica e costuma ser apresentada através de regras e modelos rígidos. Partindo da intuição, do concreto, da linguagem usual para depois utilizar a linguagem usual para depois utilizar a linguagem matemática e permitindo que os alunos construam seus próprios modelos, é possível que eles cheguem aos significados da matemática escolar de maneira mais eficiente e prazerosa. (CARRASCO, 1999, p.88)

A partir da citação acima, novos questionamentos podem ser formulados, como por exemplo, de que maneira as experiências informais dos alunos são recebidas e contextualizadas na escola, sobretudo dos conhecimentos matemáticos.
O conhecimento matemático pode ser construído dentro e fora da escola, o que torna um desafio aos professores fazer este intercâmbio e dar significado às práticas escolares. A matemática que se aprende na escola não pode se restringir a exercícios formais e destituídos de importância para a vida do aluno. Ela precisa promover situações onde os alunos possam estabelecer relações lógico matemáticas e alcançar novos modelos, outras formas de observar e resolver problemas.
Toda criança, ao entrar na escola, já passou e continua passando por experiências que a fazem entender o mundo e desenvolver sua inteligência. A escola, ao recebê-la, precisa aceitar estas experiências e transpô-las para a formalidade, incentivando a reflexão lógica e a tomada de decisões. É necessário evitar a dicotomia entre a matemática que se aprende fora da escola e os modelos escolares.
Portanto, todo o conhecimento, inclusive o lógico matemático, necessita de uma vivência concreta para se constituir e servir de base para novos conhecimentos. A escola, neste processo, deve servir de ponte e não de barreira, promovendo a reciprocidade entre a matemática institucionalizada e a resolução de problemas da vida.

REFERÊNCIAS:
CARRASCO, L.H.M. Matemática nas séries iniciais. In: teoria & fazeres: caminhos da educação popular. Secretaria Municipal de Educação e Cultura. Gravataí, 1999.




sábado, 15 de outubro de 2016


MATEMÁTICA: PRÁTICA NA VIDA

Como professora, vivo selecionando materiais pedagógicos e planejando novas atividades. Qualquer objeto ou descarte pode servir de material concreto para evidenciar e/ou construir algum conceito com os alunos. Nesta perspectiva, a interdisciplina Representação do Mundo pela Matemática me fez refletir que sempre é possível renovar uma atividade e torná-la mais dinâmica, mobilizando os alunos para a aprendizagem.

Então, é na prática diária que o professor vai redefinindo o seu trabalho, propondo atividades, adaptando metodologias e acompanhando resultados. Nas palavras de Soares (2009, p. 18):

É preciso, portanto, refletir sobre o objetivo do trabalho e procurar aprender com a prática de sala de aula. Isso requer tempo e disposição e, certamente, uma articulação com outros profissionais. Os conhecimentos que adquirimos com a prática têm sempre novidades, que vão surgindo na própria prática, e serão melhor aproveitados se houver espaço para que essas novidades sejam debatidas. (SOARES, 2009, p.18)

Assim, é importante que a matemática seja aplicada como parte do cotidiano das pessoas e não apenas como conteúdo ou programa escolar. Outra necessidade, diz respeito a uma postura investigativa do professor, onde articular com colegas hipóteses e soluções, renova práticas e favorece a compreensão do papel de cada um na sociedade.


REFERÊNCIAS:

SOARES, Eduardo Sarquis. Ensinar Matemática – desafios e possibilidades. Belo Horizonte: Dimensão, 2009.

sábado, 8 de outubro de 2016


DESPERTAR CURIOSIDADES

Ciência é conhecimento. Mas o conhecimento só é alcançado quando satisfaz uma curiosidade. Então, despertar a curiosidade do aluno é fundamental para o professor encaminhar a construção do conhecimento em suas aulas.
Saberes alternativos advindos de experiências diárias recheiam a vida escolar dos alunos e professores. Estes saberes podem servir de alicerce para a compreensão de informações científicas e conceitos que fundamentam as leis da natureza. Estas inter-relações provocam novas perspectivas de solução de problemas, o que favorece a busca de novas informações.
Então, é com este caráter educativo que devemos pensar nossas aulas, principalmente as de Ciências, explorando as relações entre o todo e as partes, buscando novas formas de ver os mesmos problemas, instigando os alunos a observar e pensar. Conforme Morin (2002, p. 39):

A educação deve favorecer a aptidão natural da mente em formular e resolver problemas essenciais e, de forma correlata, estimular o uso total da inteligência geral. Este uso total pede o livre exercício da curiosidade, a faculdade mais expandida e a mais viva durante a infância e a adolescência, que com frequência a instrução extingue e que, ao contrário, se trata de estimular ou, caso esteja adormecida, de despertar. (MORIN, 2002, p. 39)


Portanto, conhecimento e curiosidade se intercalam na busca de significados da vida. A escola deve servir de espaço para, desde a Educação Infantil, abrir caminhos concretos de experimentação, onde os alunos sejam estimulados a buscar conhecimentos e se adaptarem às incertezas do nosso tempo.


REFERÊNCIAS:

MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2002.

domingo, 2 de outubro de 2016



PERCEPÇÃO DO MUNDO

É possível construir um conhecimento histórico na escola? Este é um questionamento frequente enquanto escola tradicional, onde os conceitos “prontos” são privilegiados. Nos deparamos com acontecimentos que devem ser compreendidos em ordem cronológica e registrados, analisados rotineiramente na forma de causas e consequências.

No entanto, ao mesmo tempo, é viável ter uma visão mais crítica, partindo do local para o geral e vice-versa, isto é, situando também os fatos em relação ao mundo, estabelecendo diálogos entre o estudo e as comunidades. É com este parâmetro que o professor de História deve pensar as suas aulas, planejando um diálogo da sua disciplina com as outras da escola. Conforme Nemi, Martins, Escanhuela (2009, p. 47):

Cabe ao professor de História, em conjunto com os outros professores da escola, planejar de forma a integrar os conhecimentos que o aluno traz da sua vivência a experiências e desafios que contribuam para aprofundar sua percepção e leitura do mundo. Enfim, é para articular a experiência dos alunos e professores com o mundo que se ensina História. (NEMI, MARTINS, ESCANHUELA, 2009, P. 47)

Assim, para superar uma visão ultrapassada de ensino, a História deve fazer parte da formação dos alunos desde os anos iniciais do Ensino Fundamental. Esta formação é simultânea à construção da cidadania, pois envolve a percepção e interação do indivíduo com o seu mundo, por vivências e diálogos com sua própria comunidade.

REFERÊNCIAS:

NEMI, Ana; MARTINS, João Carlos; ESCANHUELA, Diego Luiz. Ensino de história e experiências: o tempo vivido. 1.ed. São Paulo: FTD, 2009.

  

domingo, 25 de setembro de 2016


Todo meio é um campo de conhecimento e interação para o desenvolvimento do indivíduo. Desde o seu nascimento, no convívio familiar, a criança mergulha na cultura do ambiente e vai construindo sua personalidade em seu grupo social. A escola continua esta sequência ao introduzir a formalização deste conhecimento e a institucionalização da linguagem oral e escrita.

Mas a aprendizagem não se restringe a conteúdos ou atividades relevantes. Ela envolve um planejamento contextualizado do espaço escolar para que o aluno se reconheça no grupo e avance em seu crescimento. Recursos materiais, espaços definidos, tempos adequados, tudo pode estar entrelaçado oportunizando interações sociais construtivas. Conforme Galvão (1995, p.101-102):

É bom lembrar que a escola, ao possibilitar uma vivência social diferente do grupo familiar, desempenha um importante papel na formação da personalidade da criança. Ao participar de grupos variados a criança assume papéis diferenciados e obtém uma noção mais objetiva de si própria. (GALVÃO, 1995, p.101-102)

A escola, portanto, exerce um papel fundamental no desenvolvimento do indivíduo, necessitando estar engajada na cultura e na sociedade local. Desta forma, a organização do ambiente escolar, com reflexão constante das ações dos envolvidos, favorece a diversidade de relações e enriquece a construção da personalidade da criança na escola.


REFERÊNCIAS:

GALVÃO, Izabel. Henri Wallon: uma concepção dialética do desenvolvimento infantil. Petrópolis, RJ: Vozes, 1995.

http: //profpaulabento.blogspot.com.br/2015/09/sejam-bem-vindos-escola.html (Imagem)

domingo, 18 de setembro de 2016


O ato de ler não é passivo, pois envolve interpretações, relações com nossas memórias e vivências, além de uma boa dose de questionamentos com os valores que nos representam. O professor, ao planejar e selecionar leituras para estabelecer diálogos entre seu aluno, o leitor, e o texto previsto, precisa estar ciente do compromisso de ampliar o universo cultural dos educandos. Conforme Gregorin Filho (2009, p.72):

Acima de tudo, ao escolher um livro para o seu aluno, seja de literatura ou não, o educador deve perceber a importância de sua função como agente transformador da realidade social e buscar sempre o questionamento de atividades e instrumentos não condizentes com os valores de liberdade de pensamento e tolerância às diferenças. (GREGORIN FILHO, 2009, p.72)

Assim, múltiplas linguagens constroem as relações humanas, nem sempre expressas nas perspectivas de leituras formatadas em atividades escolares tradicionais. Então, é importante que o professor tenha um olhar para a identidade do aluno e de seus interesses, buscando obras literárias que despertem curiosidade e reflexão, capacitando-o como aprendiz da cultura.
Portanto, ler parte de um processo cognitivo, mas abrange também a imaginação e as emoções, provocando um posicionamento do leitor perante o seu mundo. Um prazer de decodificar os símbolos e encontrar significados. É desta forma que todo leitor, a cada nova leitura, fomenta a análise e diversifica seu poder de argumentação. E como através da palavra dialogamos com a pluralidade, podemos dizer: não é possível parar de ler...

REFERÊNCIAS:

GREGORIN FILHO, José Nicolau. Literatura Infantil: múltiplas linguagens na formação de leitores. São Paulo: Editora Melhoramentos, 2009.

domingo, 11 de setembro de 2016


O prazer da leitura
Todo leitor busca em um livro a satisfação proporcionada por um encantamento. A vida perpassa entre as frases do texto e enuncia um contexto do mundo em que vivemos. A prender a ler e dominar o todo da história não só encanta, mas autoriza o leitor a construir também o seu significado. Esta trajetória que inicia na infância pode se perpetuar ao longo da vida sempre que a escola cumprir seu papel ao oportunizar vivências literárias que estimulem escolhas e valorizem a leitura como construção social.

Ler não depende necessariamente de disciplinas escolares ou práticas repetitivas. O gosto pela leitura, isto é, a construção de um verdadeiro leitor exige uma curiosidade permanente que busca não só informações, mas também um autoconhecimento na interpretação de significados. Nas palavras de Alves (2004):

A aprendizagem da leitura começa antes da aprendizagem das letras: quando alguém lê e a criança escuta com prazer. A criança volta-se para aqueles sinais misteriosos chamados letras. Deseja decifrá-los, compreendê-los – porque eles são a chave que abre o mundo das delícias que moram no livro! Deseja autonomia: ser capaz de chegar ao prazer do texto sem precisar da mediação da pessoa que o está a ler. ALVES (2004).

Assim, é importante que o professor não perca a essência do poder da leitura: conquistar novos leitores e introduzi-los no caminho mágico das letras. A escola é um espaço desta prática, mas, sobretudo, é um local onde seus representantes, professores e alunos podem exemplificar diariamente o quanto a literatura faz parte do conhecimento cultural do mundo.

REFERÊNCIAS:

ALVES, Rubem. Gaiolas ou Asas – A arte do vôo ou a busca da alegria de aprender. Porto, Ed. Asa, 2004. Disponível em: http://pagina-de-vida.blogspot.com.br/2007/05/o-prazer-da-leitura-rubem-alves.html. Acesso em: 11/09/16

sábado, 3 de setembro de 2016

SER LEITOR

Em todo processo de alfabetização, a criança vai descobrindo o mundo das letras, seus significados e o universo de possibilidades para a construção e interpretação de mensagens. O professor tece uma rede de experiências e conduz seus alunos para a prática da leitura e da escrita. Mas até que ponto os alunos serão verdadeiros leitores?
Uma leitura simples, não interage com os significados e com as ideias do autor, apenas decodifica palavras. Para um verdadeiro leitor, a reflexão esmiúça as intenções do autor, transporta-as para a sua realidade e as contextualiza em ressignificados. É um diálogo com a obra, numa leitura pessoal construída pelas experiências de vida.


O professor e psicopedagogo Celso Antunes fala em “construtor de leitores” ao se referir ao professor que faz da sua prática diária um exercício contínuo de valorizar cada descoberta, cada notícia, cada frase ou tema que promova o pensamento de seu aluno. Ao mesmo tempo, é fundamental a percepção que a leitura é universal, interdisciplinar, onde qualquer texto pode ter milhares de leituras possíveis.
Assim, o ato de ler sempre abre caminhos para um novo pensamento. Vai além de traduzir a mensagem de um autor. É compartilhar ideias, aceitando-as ou não, questionando-as ou não.  É fazer de um texto no papel, um pensamento vivo.