sábado, 15 de dezembro de 2018



VIVÊNCIAS COLETIVAS


Todo professor, para cumprir seu papel de educador, precisa desenvolver seu poder de observação. Um olhar adequado pode captar sentidos e prever atitudes dos sujeitos que protagonizam as relações sociais na escola, favorecendo a administração de conflitos, o que é essencial para um bom ambiente de aprendizagem. Este parecer está presente em uma postagem antiga do meu Portfólio de Aprendizagem, onde saliento a importância da construção da identidade na relação com o outro. Então, no texto Relações sociais na escola, evidencio o quanto o convívio entre as pessoas enriquece as relações e permite a construção da cidadania como um valor coletivo.  

Neste contexto, ser aluna do curso de Pedagogia da UFRGS me encaminhou para construir um perfil reflexivo, principalmente como observadora dos espaços e/ou ambientes escolares. Tornei-me mais flexível e estudiosa sobre o uso da psicologia genética como ferramenta para compreender a aprendizagem. Constatei, através de minhas práticas, a funcionalidade das interações entre professores e alunos, percorrendo, também, o mundo social das crianças e dos adolescentes. Uma caminhada que me fez valorizar não só o desenvolvimento intelectual, mas o crescimento do aluno como um todo, isto é, uma educação da pessoa completa. Essas ideias podem ser encontradas nas teorias de Henri Wallon, descritas nas palavras de Galvão (1999,p. 79):

Tendo por objeto a psicogênese da pessoa concreta, a teoria walloniana, se utilizada como instrumento para reflexão pedagógica, suscita uma prática que atenda as necessidades da criança nos planos afetivo, cognitivo e motor e que promova o seu desenvolvimento  em todos os níveis. (GALVÃO, 1999, p. 79).

Assim, ao falarmos da pessoa como um todo, estamos nos referindo a uma aprendizagem que permite a expressão do “eu” e a uma vivência do “nós”. Refere-se, também, a práticas de socialização em que todos aprendem juntos, desenvolvendo potenciais diversos, diferenciando ideias, mas unindo pessoas diferentes. É aqui, então, que um planejamento adequado de métodos e do próprio ambiente escolar, faz do professor um agente agregador das interações sociais necessárias para uma boa aprendizagem.

REFERÊNCIAS:

GALVÃO, Izabel. Henri Wallon: uma concepção dialética do desenvolvimento infantil. Petrópolis, RJ: Vozes, 1999.


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