quarta-feira, 15 de maio de 2019

COMPARTILHAR PARA RECONSTRUIR


Por estar no final do curso de Pedagogia, ter uma postura reflexiva já faz parte de uma rotina de pensamentos. Nesta linha, busquei em meu blog a postagem Reflexões, de novembro de 2018, onde destaco a importância de interpretar as experiências vividas, no caso, no meu estágio na EJA (Educação de Jovens e Adultos).

Entre os comentários, abordei a visão de Demo (2000) sobre a aprendizagem reconstrutiva, onde a teoria e a prática se entrelaçam em projetos abertos e estimulados por desafios, o que se concretizou nas minhas experiências do estágio. Deste modo, a procura diária por uma didática adequada à diversidade dos alunos, promoveu comparações de métodos pedagógicos com a bagagem cultural dos alunos, incentivando-me a reconstruir concepções de educação com os próprios alunos. Coelho e Eiterer (2011, p. 172) associam essas experiências a desafios:

O desafio com o qual o educador em EJA tem que lidar assume a seguinte configuração: de um lado, as concepções interacionistas de ensino-aprendizagem que ele traz e, de outro, as concepções tradicionais que o aluno traz. Além do que, é preciso considerar ainda as dificuldades em torno da construção de novos conhecimentos: de um lado, as aquisições do conhecimento científico que o educador traz e, de outro, o conhecimento construído a partir das vivências que o educando traz. (COELHO; EITERER, 2011, p. 172).
  
Quando abrimos espaço para abordar os conhecimentos vividos pelos alunos, não só enriquecemos nossas aulas, como as tornamos mais flexíveis e identificadas com os valores pessoais e sociais do grupo. Compartilhar vivências e conhecimentos acumulados torna cada aluno um multiplicador de ideias, reconstruindo aprendizagens. 

Então, conhecimento científico deve estar associado a significados para a vida, bem como a uma abertura para a construção de novos pensamentos. Portanto, aprender a transitar entre o conhecimento formal e o informal, buscando relações e estabelecendo propostas de uma aprendizagem reconstrutiva, é o maior desafio de cada professor, sobretudo se ele trabalhar na EJA.

REFERÊNCIAS:

COELHO, A. M. S.; EITERER, C. L. A didática na EJA. In: SOARES, L.; GIOVANETTI, M. A.; GOMES, N. L. (orgs.) Diálogos na educação de jovens e adultos. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2011.

DEMO, Pedro. Conhecer & aprender: sabedoria dos limites e desafios. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.


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