APRENDER
A
mente aberta sabe aprender, virtualmente, a partir de todas as teorias, porque
a nenhuma se filia e a todas reconstrói; sobretudo constrói a própria. Assim,
engajamento político não significa necessariamente posição “tapada”, como se
fora dela não houvesse salvação. O compromisso político não pode ser drenado
para a defesa de teorias, mas para a defesa da aprendizagem dos alunos. [...]
Teorias e ideologias precisam abrir caminhos, questionar todas as outras e
sobretudo a si mesmas, olhar para o outro lado – isto é aprender. (DEMO, 2000,
p.56)
Em nossa sociedade
contemporânea, conhecimento é poder. No entanto, não se pode apenas querer
conhecer; é necessário, em contrapartida, querer aprender. Hoje, a ciência lida
com a certeza da incerteza, desafiando-se a buscar outras respostas para as
mesmas perguntas. É uma sabedoria que se instala desafiando os limites como
forma de superação dos mesmos.
Em um mundo multifacetado, o
conhecimento especializado ainda tem o seu valor, mas cada vez mais a interdisciplinaridade
vem preencher um espaço de reforço, não para um discurso único, mas para uma
rede conjunta de soluções. A realidade é problematizada com vários enfoques e
os questionamentos são permanentes. Saber pensar é essencialmente saber
questionar, o que promove a desacomodação do ser humano e sua busca incessante
de um novo conhecimento, inclusive na desconstrução e reconstrução de novas
ideias.
Voltando o olhar para a
escola, é preciso encontrar espaço para a importância dos erros, pois
aprendemos através deles que somos falíveis, e que sempre é necessário refazer
nossos passos e olhar mais longe, isto é, aprender mais. Portanto, professores
em constante processo de formação são aqueles que promovem a desconstrução e a
reconstrução da aprendizagem com seus alunos, problematizando para melhor
desproblematizar.
REFERÊNCIA:
DEMO, Pedro. Conhecer &
aprender: sabedoria dos limites e desafios. Porto Alegre: Artes Médicas Sul,
2000.

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