sexta-feira, 28 de junho de 2019

PRÁTICA INTERATIVA DO CONHECIMENTO

Como sujeitos sociais, nossas aprendizagens são moldadas por nossas interações com o outro, como abordei em meu Portfólio de Aprendizagens de setembro de 2017. Na postagem Conhecimento é Interação, refleti sobre o construtivismo na escola, com situações de aprendizagem oportunizadas pelo professor para que o aluno desenvolva suas estruturas mentais, base do pensamento e do raciocínio lógico.

Fazendo relação com meu estágio em uma turma da Educação de Jovens e Adultos (EJA), destaco a necessidade de uma visão sociointeracionista do professor, principalmente por, no caso da alfabetização, aproximar o conteúdo das práticas cotidianas do aluno. Como modelo pedagógico, a EJA é experimental e deve ser construída com a participação dos envolvidos, pois é a prática interativa dos conhecimentos adquiridos que fará o resgate dos direitos do indivíduo e seu engajamento na sociedade.

Nesse quesito, em termos de educação nacional, o acesso e domínio da leitura e escrita ainda enfrenta muitos obstáculos, pois, de acordo com Soares (1998, p. 19), "alfabetizado nomeia aquele que apenas aprendeu a ler e escrever, não aquele que adquiriu o estado ou a condição de quem se apropriou da leitura e da escrita". Como meu contexto do estágio não foi diferente de outros desta modalidade, considero que fazer uso do ler e escrever é imprescindível para constituir um cidadão consciente e atuante na sociedade.

Nessa questão de construir com os alunos as experiências pedagógicas diárias, ao trabalhar a escrita e o sentido das palavras, confirmei a necessidade de inseri-las no contexto social dos alunos para que estes valorizassem seu aprendizado. Relacionar a data (dia, mês e ano) com o município e/ou eventos da comunidade, por exemplo, tornou a tarefa mais concreta e justificou o esforço dos mesmos em registrar em seu caderno estes fatos. O papel do professor, então, está na escolha e na mediação dos fatos e dos conceitos relevantes para despertar o envolvimento dos alunos e predispô-los a entender o que é lido e escrito, incluindo suas experiências cotidianas. Conforme Fernandes (2010, p. 19): "O letramento é entendido como produto da participação em práticas sociais que usam a escrita como sistema simbólico e tecnologia."

Assim, se formos colocar nosso foco pedagógico no letramento, torna-se essencial que as práticas sociais sejam abordadas em sala de aula. Atividades e debates devem manifestar o universo dos alunos, mas com uma pitada de novos conhecimentos para que não se limitem a apenas reproduzir suas realidades.

REFERÊNCIAS:

FERNANDES, Maria. Os segredos da alfabetização. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2010.

SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte: CEALE/ Autêntica, 1998.

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