quinta-feira, 27 de junho de 2019


Uma grande parte das minhas postagens no Portfólio de Aprendizagens fez referência à Educação de Jovens e Adultos e uma delas, a de setembro de 2018, compreende a EJA como um espaço de práticas pedagógicas de interação e diálogo. No caso da alfabetização de adultos, então, destaca a importância de dar sentido para a leitura e para a necessidade de expressão de cada indivíduo na sociedade em que vive.

Tomando como ponto de partida a própria sala de aula e o grupo social representado pelos alunos, aulas significativas precisam ter ênfase na leitura de tudo, desde placas de identificação até páginas de livros, para que os mesmos explorassem o conteúdo de imagens, propagandas, reportagens, receitas e embalagens de produtos, entre outros. Durante a alfabetização, ao incentivar a percepção da realidade, os professores constroem com os alunos os conceitos para compreender o que está a nossa volta.

Durante o letramento, alunos e professores convivem em um mundo de informações multifacetadas que exigem um filtro crítico que encaminhe para o crescimento do conhecimento, bem como de um posicionamento ético perante a vida em sociedade. Mas o que faz de uma leitura um processo crítico? Decodificar símbolos (letras) não dá significado, mas um pensamento interpretativo que insere o objeto do pensamento no contexto social não só carrega de significado, mas também identifica o indivíduo no mundo contemporâneo em que vive. Conforme Garcia; Silva e Felício (2012, p.135):

Um letramento crítico deve buscar exatamente isso: a constituição de sujeitos “éticos”, “democráticos” e “críticos”. Embora seja mais cômodo, é inadmissível ignorar as novas linguagens proliferadas no mundo contemporâneo e as necessidades de um letramento crítico que o mundo pede aos alunos. (GARCIA; SILVA; FELÍCIO, 2012, p.135).

Assim, é necessário aproveitarmos este momento atual de diversificação de linguagens no mundo e nas escolas, para que possamos aprender a conhecer e valorizar as culturas e trazer para a educação, formas construtivas de alcançar o conhecimento. E é esta especificidade de contexto que torna a EJA uma modalidade de educação básica que precisa ser pensada com um currículo aberto à diversidade, transformando um ambiente escolar convencional em um ambiente acolhedor para receber as pessoas que não tiveram acesso à educação formal, integral e permanente.


REFERÊNCIAS:

GARCIA, C.B.; SILVA, F.D.S.; FELÍCIO, R.P. Projet(o)arte: uma proposta didática. In: ROJO, R.; MOURA, E. (orgs.). Multiletramentos na escola. São Paulo: Parábola Editorial, 2012.

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