Uma
grande parte das minhas postagens no Portfólio de Aprendizagens fez referência
à Educação de Jovens e Adultos e uma delas, a de setembro de 2018, compreende a
EJA
como um espaço de práticas pedagógicas de interação e diálogo. No caso da
alfabetização de adultos, então, destaca a importância de dar sentido para a
leitura e para a necessidade de expressão de cada indivíduo na sociedade em que
vive.
Tomando
como ponto de partida a própria sala de aula e o grupo social representado
pelos alunos, aulas significativas precisam ter ênfase na leitura de tudo,
desde placas de identificação até páginas de livros, para que os mesmos
explorassem o conteúdo de imagens, propagandas, reportagens, receitas e
embalagens de produtos, entre outros. Durante a alfabetização, ao incentivar a
percepção da realidade, os professores constroem com os alunos os conceitos
para compreender o que está a nossa volta.
Durante
o letramento, alunos e professores convivem em um mundo de informações
multifacetadas que exigem um filtro crítico que encaminhe para o crescimento do
conhecimento, bem como de um posicionamento ético perante a vida em sociedade. Mas
o que faz de uma leitura um processo crítico? Decodificar símbolos (letras) não
dá significado, mas um pensamento interpretativo que insere o objeto do
pensamento no contexto social não só carrega de significado, mas também
identifica o indivíduo no mundo contemporâneo em que vive. Conforme Garcia;
Silva e Felício (2012, p.135):
Um letramento crítico
deve buscar exatamente isso: a constituição de sujeitos “éticos”,
“democráticos” e “críticos”. Embora seja mais cômodo, é inadmissível ignorar as
novas linguagens proliferadas no mundo contemporâneo e as necessidades de um
letramento crítico que o mundo pede aos alunos. (GARCIA; SILVA; FELÍCIO, 2012,
p.135).
Assim,
é necessário aproveitarmos este momento atual de diversificação de linguagens
no mundo e nas escolas, para que possamos aprender a conhecer e valorizar as
culturas e trazer para a educação, formas construtivas de alcançar o
conhecimento. E é
esta especificidade de contexto que torna a EJA uma modalidade de educação
básica que precisa ser pensada com um currículo aberto à diversidade,
transformando um ambiente escolar convencional em um ambiente acolhedor para
receber as pessoas que não tiveram acesso à educação formal, integral e
permanente.
REFERÊNCIAS:
GARCIA,
C.B.; SILVA, F.D.S.; FELÍCIO, R.P. Projet(o)arte: uma proposta didática. In:
ROJO, R.; MOURA, E. (orgs.). Multiletramentos
na escola. São Paulo: Parábola Editorial, 2012.

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