domingo, 23 de junho de 2019


                   ABORDAGEM SOCIOINTERACIONISTA

Relendo minhas narrativas do curso de Pedagogia, contidas no meu Portfólio de Aprendizagens, é possível, entre tantas comparações, estabelecer uma relação entre a postagem de outubro de 2017, É preciso compreender a aprendizagem, com meu Trabalho de Conclusão (TCC). Enquanto a postagem ressalta o quanto um professor deve conhecer os seus alunos levando em consideração os aspectos cognitivo, afetivo, social e psicomotor, meu TCC especifica melhor este olhar conhecedor do professor através da abordagem sociointeracionista.

Considerando que cada um aprende no seu tempo, o planejamento das aulas deve contemplar o desenvolvimento da capacidade de aprender do aluno. Nesta perspectiva, como professores, precisamos compreender que qualquer aluno, seja ele uma criança ou um adulto, constrói seu conhecimento no convívio e na troca de experiências de vida. Quando trabalhamos diferentes linguagens, ampliamos a visão do mundo e as interpretações do indivíduo sobre sua realidade.

Com diálogo, professores e alunos interagem, relacionando conceitos do cotidiano com os conhecimentos científicos estruturados pela escola, na intenção de um desenvolvimento cognitivo. Apesar do desenvolvimento ser individual, há necessidade de um ajuste (ação de relação)) entre os conhecimentos do cotidiano (espontâneos) e os conhecimentos científicos. Este ajuste feito pelo educador durante o processo de aprendizagem é, na realidade, a mediação, conceito tão destacado nas teorias de Vygotsky. Através da mediação, os conceitos construídos nas relações sociais do indivíduo, passam a ser sistematizados na escola e acabam incorporando novos processos mentais. Interessante é observar que a aprendizagem ocorre nas práticas sociais (ambientes culturais) ou nas intervenções pedagógicas. Sabendo disto, a sala de aula se torna o laboratório do professor nas suas experiências de intervenções para que seus alunos construam os conhecimentos. Como mediador, ele seleciona e organiza a forma de sistematizar os conhecimentos científicos, preparando o seu ambiente de aprendizagem, relacionando cultura e pensamento, dinamizando as interações que provocam o desenvolvimento dos processos mentais no indivíduo.

Retomando a ideia de que a aprendizagem depende das interações do sujeito com seu meio e/ou objeto, evidenciamos também o valor da pedagogia relacional. Segundo Becker (1994): “Trata-se, numa palavra, de construir o mundo que se quer, e não de reproduzir/repetir o mundo que os antepassados construíram para eles ou herdaram de seus antepassados.” Em outras palavras, o professor compreende que o aluno só construirá algum conhecimento novo, se ele agir e problematizar sobre a ação.

Desta forma, aliar mediação e socialização nas práticas pedagógicas trazem a essência das teorias de Vygotsky para a rotina da aula, mas não transformam a aula em rotina, pois com debate e interação nenhuma aula se torna repetitiva.


REFERÊNCIAS


BECKER, Fernando. Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos. Educação e Realidade, Porto Alegre, p.89-96, 01 jun. 1994. Semestral. 19(1). Disponível em: <https://pt.scribd.com/document/260250772/BECKER-Fernando-Modelos-pedagogicos-e-modelos-epistemologicos-2-pdf>. Acesso em: 10 abr. 2018.
REGO, Teresa Cristina. Vygotsky: uma perspectiva histórico-cultural da educação. 25. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014.


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