sábado, 16 de junho de 2018


APRENDER A PENSAR


Ao final de cada jornada de trabalho, costumo refletir sobre minha ação como educadora. Relembrando o meu dia, percebo que turmas, componentes curriculares, alunos, tudo se mistura em um mosaico de experiências pedagógicas. Falar em experiências, na verdade, é falar em vivências únicas que, mesmo que façam parte de aulas planejadas, são momentos de diálogos e socializações pautadas por um cotidiano que se inova cada vez que provocamos, nos alunos, a necessidade de pensar.

Uso como exemplo, uma aula de matemática que tive, esta semana, com os alunos do nono ano do Ensino Fundamental. Para trabalhar as equações do 2º grau, além da comparação com os conhecimentos anteriores sobre equação do 1º grau, resolvi criar situações para que os alunos estabelecessem relações e encontrassem padrões de raciocínio na resolução de problemas. Provoquei e fiz questionamentos para que o grupo participasse de análises coletivas dos resultados. Acabou sendo algo a mais do que um exercício mecânico de fórmulas ou uma repetição de resultados. Descobrimos, juntos, o prazer de procurar respostas e encontrar significados em simples cálculos. Contextualizar e interagir foi essencial para obter estes resultados.

O pensar, então, acaba sendo o objetivo maior da minha prática, onde conteúdo e metodologia são meios para que os alunos se questionem e busquem as respostas que os conduzam ao conhecimento. No entanto, ninguém tem certezas absolutas sobre educação ou sobre como planejar uma aula. Muita insegurança e desconhecimento perduram em nossas práticas toda vez que as comparamos com metodologias inovadoras. Talvez, o melhor caminho esteja na explicação de Severino (1998, p. 32):

Que se configure um contexto novo, não há como negar nem recusar. E que obviamente exige reequacionamentos por parte dos educadores, não está em questão. Mas o que cabe aqui é uma atenção cerrada à especificidade do momento histórico, não se deixando levar nem por uma atitude de mera anatemização moralizante ou saudosista, nem por um deslumbramento alienante. O que me parece exigido pelo momento é uma postura de análise detida e de vigilância crítica. (SEVERINO, 1998, p. 32).

Voltando ao meu exemplo, percebi que o essencial não estava nos recursos, nem no conteúdo específico de trabalho, mas na intenção da aprendizagem. No meu caso, como professora, a intenção de me fazer compreender nos questionamentos estabelecidos no diálogo com os alunos; no caso dos alunos, na predisposição de se envolverem em raciocínios próprios para atingirem resultados. O envolvimento pessoal, então, é o que move o indivíduo para a aprendizagem. E tudo a nossa volta gera conhecimento, basta querermos ver. É o que nos faz pensar Guimarães Rosa (1965, p. 236) quando diz: “A cabeça da gente é uma só e as coisas que há e que estão para haver são demais de muitas, muito maiores diferentes, e a gente tem de necessitar de aumentar a cabeça, para o total”.


REFERÊNCIAS:

GUIMARÃES ROSA, João. Grande sertão: veredas. Rio de Janeiro: José Olympio, 1965.

SEVERINO, Antonio J. Sobre as aproximações e diferenças entre didática e currículo: primeiro comentário. In: OLIVEIRA, Maria Rita. Confluências e divergências entre didática e currículo. Campinas: Papirus, 1998.


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