DESENVOLVIMENTO
E
APRENDIZAGEM
Sabemos
que uma aprendizagem depende das interações do sujeito com seu meio e/ou
objeto. Todo professor, em sua análise pedagógica, busca compreender estes
aspectos psicogenéticos para adequar seu planejamento ao desenvolvimento de
seus alunos. No entanto, como o desenvolvimento intelectual não ocorre de forma
linear, acompanhar e interpretar o ritmo desta evolução da criança é
personalizado, o que exige um repensar constante do professor em relação ao seu
papel como educador, possibilitando as condições de aprendizagem. Conforme
Seber (2009, p.25):
O
desenvolvimento intelectual não se dá de maneira linear. Trata-se de um
processo dinâmico, caracterizado por idas e vindas. As oscilações ocorrem
devido à integração das conquistas procedentes àquelas que a sucedem. Quando um
resultado antigo reaparece inserido numa nova atividade, sua significação muda,
já que a etapa do desenvolvimento não é a mesma. (SEBER, 2009, p. 25).
Desta
forma, o professor precisa interpretar o comportamento da criança não com sua
visão de adulto, mas com a compreensão do significado dado por ela. É aí que
surge o dilema do professor, intervir de que modo? Qual o equilíbrio entre
observador e controlador das ações dos alunos? Como perceber progressos no
desenvolvimento da criança se ele não é delimitado por uma sucessão de
estágios? Voltamos à questão fundamental: é preciso que o professor interaja
com seus alunos, compartilhando significados, o que lhe dará subsídios para
interpretar todos os progressos no desenvolvimento. Conforme Galvão (1995, p.
41):
A
psicogenética walloniana contrapõe-se às concepções que veem no desenvolvimento
uma linearidade, e o encaram como simples adição de sistemas progressivamente
mais complexos que resultariam da reorganização de elementos presentes desde o
início. Para Wallon, a passagem de um a outro estágio não é uma simples
ampliação, mas uma reformulação. (GALVÃO, 1995, p. 41).
A citação acima, portanto, reforça que cada
criança tem seu ritmo, cujas mudanças vão reestruturando sua visão de mundo e de
realidade. Como a teoria do desenvolvimento cognitivo de Wallon é centrada na
psicogênese da pessoa completa, cujo desenvolvimento é integrado ao meio,
faz-se necessário que o processo de aprendizagem seja dialético.
Neste contexto, possibilitar condições de
aprendizagem não é encaixar as atividades em uma metodologia padrão, mas adotar
uma postura intermediária que estimule o aluno e abra canais de comunicação
entre eles. Assim, como interlocutor, tanto na linguagem oral quanto na
escrita, o professor compartilha significados com os alunos, acompanha suas
ações e participa das reformulações de seus comportamentos. Configura-se,
então, um planejamento contextualizado, que dialoga com o desenvolvimento de
seus alunos.
REFERÊNCIAS:
GALVÃO,
Izabel. Henri Wallon: uma concepção
dialética do desenvolvimento infantil. Petrópolis, RJ: Vozes,1995.
SEBER,
Maria da Gloria. A escrita infantil: o
caminho da construção. São Paulo: Scipione, 2009.


Olá Anaí! Muito boa tua postagem, encantada com a forma didática que explicastes a teoria, agora, fiquei curiosa, como colocas essa tua aprendizagem teórica na prática? Podes me dar um exemplo? Bjão
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