sábado, 26 de maio de 2018


O universo infantil é recheado de jogos, de brinquedos e brincadeiras. O mundo se faz representar em seu faz de conta, em um imaginário particular movido a vivências diárias com seus semelhantes. A escola, espaço também destas vivências sociais, concentra seus esforços na aprendizagem, muitas vezes condicionada por metodologias que não valorizam a ludicidade, o que diminuem as chances de potencializar a criatividade natural dos alunos, dificultando seu desenvolvimento intelectual.

Aprendemos quando experimentamos a construção e a noção do conhecimento. Aprender gera prazer quando percebemos que estamos sintonizados com o novo e que somos capazes de descobrir algo mais. É neste enfoque que a escola deve compor seu ambiente pedagógico, onde estimule a invenção e a descoberta. Nas palavras de Assmann (1998, p. 29):

Mas a experiência de aprendizagem implica, além da instrução informativa, a reinvenção e construção personalizada do conhecimento. E nisso o prazer representa uma dimensão-chave. Reencantar a educação significa colocar a ênfase numa visão da ação educativa como ensejamento e produção de experiências de aprendizagem. (ASSMANN, 1998, p. 29).


Então, o lúdico abre espaço para a aprendizagem, na medida em que a criança é instigada a pensar enquanto experimenta, a se colocar no lugar do outro enquanto convive. O conhecimento é buscado na curiosidade e a brincadeira a encaminha para a autonomia, construindo ela mesma, seu caminho para aprender. Conforme Oliveira (2002, p. 160):

Ao brincar, a criança passa a compreender as características dos objetos, seu funcionamento, os elementos da natureza e os acontecimentos sociais. Ao mesmo tempo, ao tomar o papel do outro na brincadeira, começa a perceber as diferenças perspectivas de uma situação, o que lhe facilita a elaboração do diálogo interior característicos de seu pensamento verbal. (OLIVEIRA, 2002, p. 160).


Assim, no momento em que a criança inventa e/ou recria novas realidades através das brincadeiras, ela vai tecendo sua compreensão do mundo e vai incorporando aprendizagens individuais e sociais por experiência própria. Sabendo disto, cada professor precisa valorizar este aprendizado, propiciando na escola, a continuação deste trajeto pessoal de desenvolvimento de habilidades e de construção de conhecimentos.


 REFERÊNCIAS:

ASSMANN, Hugo. Reencantar a educação: rumo à sociedade aprendente. Petrópolis, RJ: Vozes, 1998.

OLIVEIRA, Zilma Ramos de. Educação infantil: fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 2002.


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