O universo infantil é
recheado de jogos, de brinquedos e brincadeiras. O mundo se faz representar em
seu faz de conta, em um imaginário particular movido a vivências diárias com
seus semelhantes. A escola, espaço também destas vivências sociais, concentra
seus esforços na aprendizagem, muitas vezes condicionada por metodologias que
não valorizam a ludicidade, o que diminuem as chances de potencializar a
criatividade natural dos alunos, dificultando seu desenvolvimento intelectual.
Aprendemos quando
experimentamos a construção e a noção do conhecimento. Aprender gera prazer
quando percebemos que estamos sintonizados com o novo e que somos capazes de
descobrir algo mais. É neste enfoque que a escola deve compor seu ambiente
pedagógico, onde estimule a invenção e a descoberta. Nas palavras de Assmann
(1998, p. 29):
Mas
a experiência de aprendizagem implica, além da instrução informativa, a
reinvenção e construção personalizada do conhecimento. E nisso o prazer representa
uma dimensão-chave. Reencantar a educação significa colocar a ênfase numa visão
da ação educativa como ensejamento e produção de experiências de aprendizagem.
(ASSMANN, 1998, p. 29).
Então, o lúdico abre espaço
para a aprendizagem, na medida em que a criança é instigada a pensar enquanto
experimenta, a se colocar no lugar do outro enquanto convive. O conhecimento é
buscado na curiosidade e a brincadeira a encaminha para a autonomia,
construindo ela mesma, seu caminho para aprender. Conforme Oliveira (2002, p.
160):
Ao
brincar, a criança passa a compreender as características dos objetos, seu
funcionamento, os elementos da natureza e os acontecimentos sociais. Ao mesmo
tempo, ao tomar o papel do outro na brincadeira, começa a perceber as
diferenças perspectivas de uma situação, o que lhe facilita a elaboração do
diálogo interior característicos de seu pensamento verbal. (OLIVEIRA, 2002, p.
160).
Assim, no momento em que a
criança inventa e/ou recria novas realidades através das brincadeiras, ela vai
tecendo sua compreensão do mundo e vai incorporando aprendizagens individuais e
sociais por experiência própria. Sabendo disto, cada professor precisa
valorizar este aprendizado, propiciando na escola, a continuação deste trajeto
pessoal de desenvolvimento de habilidades e de construção de conhecimentos.
ASSMANN, Hugo. Reencantar a educação: rumo à sociedade
aprendente. Petrópolis, RJ: Vozes, 1998.
OLIVEIRA, Zilma Ramos de. Educação infantil: fundamentos e métodos.
São Paulo: Cortez, 2002.
http://deisedias.com.br/index.php/2016/09/27/o-lazer-e-o-ludico-na-constituicao-do-sujeito/
(Imagem)

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