sábado, 19 de maio de 2018




Conteúdo, quando um todo, é essência da aula!

Ao elaborarmos um Plano de Aula , procuramos ter em mente quais objetivos queremos alcançar com nossos alunos. Pensamos nos assuntos, nos recursos, nas metodologias, nas características dos alunos e da turma, entre outros, mas o essencial é que o planejamento também contemple os conteúdos a serem desenvolvidos para concretizar a aprendizagem. Aprofundar nossa compreensão de conteúdos melhora não só nossa prática pedagógica como nossa visão do que é importante considerar como avaliação destes resultados. Conforme Rios (2002, p. 60-61):

A ampliação da ideia de conteúdos, que não se restringem apenas aos conceitos, mas englobam comportamentos e atitudes, aponta no sentido de se afastar de uma concepção de ensino marcada por uma valorização hipertrofiada da razão, como instrumento superior de construção do conhecimento. Se a educação é um processo contínuo de busca de um saber ampliado e aprofundado, de um viver inteiro, é preciso que os indivíduos estejam inteiros nessa busca. (RIOS, 2002, p. 60-61).


Sendo assim, os conteúdos se destacam como veículo para uma aprendizagem mais significativa e como Zabala (1998, p. 30) diz: “todos aqueles que possibilitem o desenvolvimento das capacidades motoras, afetivas, de relação interpessoal e de inserção social”. Dimensionar os conteúdos ao classificá-los conforme conceituais, procedimentais e atitudinais, permite maior clareza nas estratégias propostas em nossos planejamentos, bem como na concepção de um ensino voltado para o protagonismo do aluno. Nas palavras de Campos e Nigro (2009, p. 36):

Alguns professores e pesquisadores, preocupados em estabelecer o que realmente se ensina na escola, propuseram que tudo o que é possível de aprendizagem é um conteúdo. Assim, além dos conteúdos conceituais, ou seja, do “saber sobre”, o currículo também contém os conteúdos procedimentais, ou seja, o “saber fazer”, e os conteúdos atitudinais, o “ser”. (CAMPOS; NIGRO, 2009, p. 36).


Esta proposta de classificação dos conteúdos foi descrita muito bem pelo pesquisador espanhol César Coll e colaboradores em 1987, servindo de fundamentação para sua inclusão nos Parâmetros Curriculares Nacionais (1996), do Ministério da Educação e do Desporto do Brasil. Daquela época até os dias de hoje, muitas experiências foram feitas e cada vez mais nos questionamos “por que ensinamos” e “como nosso aluno aprende”.

Assim, aula e plano de trabalho são indissociáveis. Um dá suporte e concretiza o outro. Na consciência do professor está seu objetivo e sua disposição para uma prática pedagógica que envolva seu aluno como um todo: conceito, habilidade e atitude.


REFERÊNCIAS:

CAMPOS, M. C. Da C.; NIGRO, R. G. Teoria e prática em Ciências na escola: o ensino-aprendizagem como investigação. 1. ed. São Paulo: FTD, 2009.

RIOS, Terezinha Azerêdo. Compreender e ensinar: por uma docência da melhor qualidade. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2002.

ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Editora Artes Médicas Sul Ltda, 1998.


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