sexta-feira, 1 de junho de 2018

DESENVOLVIMENTO
APRENDIZAGEM

Sabemos que uma aprendizagem depende das interações do sujeito com seu meio e/ou objeto. Todo professor, em sua análise pedagógica, busca compreender estes aspectos psicogenéticos para adequar seu planejamento ao desenvolvimento de seus alunos. No entanto, como o desenvolvimento intelectual não ocorre de forma linear, acompanhar e interpretar o ritmo desta evolução da criança é personalizado, o que exige um repensar constante do professor em relação ao seu papel como educador, possibilitando as condições de aprendizagem. Conforme Seber (2009, p.25):  


O desenvolvimento intelectual não se dá de maneira linear. Trata-se de um processo dinâmico, caracterizado por idas e vindas. As oscilações ocorrem devido à integração das conquistas procedentes àquelas que a sucedem. Quando um resultado antigo reaparece inserido numa nova atividade, sua significação muda, já que a etapa do desenvolvimento não é a mesma. (SEBER, 2009, p. 25).

Desta forma, o professor precisa interpretar o comportamento da criança não com sua visão de adulto, mas com a compreensão do significado dado por ela. É aí que surge o dilema do professor, intervir de que modo? Qual o equilíbrio entre observador e controlador das ações dos alunos? Como perceber progressos no desenvolvimento da criança se ele não é delimitado por uma sucessão de estágios? Voltamos à questão fundamental: é preciso que o professor interaja com seus alunos, compartilhando significados, o que lhe dará subsídios para interpretar todos os progressos no desenvolvimento. Conforme Galvão (1995, p. 41):

A psicogenética walloniana contrapõe-se às concepções que veem no desenvolvimento uma linearidade, e o encaram como simples adição de sistemas progressivamente mais complexos que resultariam da reorganização de elementos presentes desde o início. Para Wallon, a passagem de um a outro estágio não é uma simples ampliação, mas uma reformulação. (GALVÃO, 1995, p. 41).


A citação acima, portanto, reforça que cada criança tem seu ritmo, cujas mudanças vão reestruturando sua visão de mundo e de realidade. Como a teoria do desenvolvimento cognitivo de Wallon é centrada na psicogênese da pessoa completa, cujo desenvolvimento é integrado ao meio, faz-se necessário que o processo de aprendizagem seja dialético.

Neste contexto, possibilitar condições de aprendizagem não é encaixar as atividades em uma metodologia padrão, mas adotar uma postura intermediária que estimule o aluno e abra canais de comunicação entre eles. Assim, como interlocutor, tanto na linguagem oral quanto na escrita, o professor compartilha significados com os alunos, acompanha suas ações e participa das reformulações de seus comportamentos. Configura-se, então, um planejamento contextualizado, que dialoga com o desenvolvimento de seus alunos.




REFERÊNCIAS:

GALVÃO, Izabel. Henri Wallon: uma concepção dialética do desenvolvimento infantil. Petrópolis, RJ: Vozes,1995.

SEBER, Maria da Gloria. A escrita infantil: o caminho da construção. São Paulo: Scipione, 2009.



Um comentário:

  1. Olá Anaí! Muito boa tua postagem, encantada com a forma didática que explicastes a teoria, agora, fiquei curiosa, como colocas essa tua aprendizagem teórica na prática? Podes me dar um exemplo? Bjão

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