domingo, 28 de maio de 2017



PARTICIPAÇÃO

Quando analisamos o papel do professor na escola, não podemos fazê-lo isoladamente. A escola é uma instituição que resulta da participação de todos os envolvidos no processo de educação. Professores, funcionários, direção, alunos, pais e todos da comunidade exercem maior ou menor influência no cotidiano escolar conforme sua participação. Neste caso, a gestão escolar é primordial para agregar estes valores e tornar o projeto político pedagógico o orientador das ações pedagógicas.

Falando em gestão, ao compararmos os tipos de gestão da escola pública (democrática e patrimonialista), tarefa da interdisciplina Organização do Ensino Fundamental, percebemos o quanto a transparência e a participação são elementos fundamentais na busca de uma educação de qualidade e de um objetivo para atender a todos. Encontramos estes elementos na Gestão Democrática, onde o comprometimento faz parte do conjunto e todos são responsáveis pela organização e execução das ações pedagógicas.

Sabemos que administrar uma escola não é tarefa fácil, exigindo colaboração e debate das ideias do grupo, respeitando a realidade e a cultura local. É tarefa de um grupo que escuta, planeja, executa e avalia os resultados. Um grupo integrado por todos os segmentos da comunidade, onde cada um precisa ter consciência do seu valor, mas também da sua responsabilidade. É neste aspecto que a verdadeira cidadania é vivenciada na escola, nas próprias ações diárias que representam a verdadeira sociedade. Nas palavras de Capucho (2012):

A formação para a cidadania vai além dos muros da escola. Ela é forjada no dia a dia das relações dos indivíduos e no conjunto das organizações da sociedade, pois a cidadania é uma situação política, social e econômica dependente de condições  concretas. (CAPUCHO, 2012, p. 37)


Então, escola e sociedade acabam interligadas, uma representando a outra nas ações de seus indivíduos, ou melhor, nos cidadãos que convivem em espaços onde a convivência também é uma aprendizagem. Quando cada indivíduo tiver consciência de seu papel na sociedade, conhecer seus direitos e deveres e valorizar sua liberdade de escolhas, certamente acreditará que é possível exercer a democracia não só como opção, mas sobretudo como necessidade para o bem comum.


REFERÊNCIAS:

CAPUCHO, Vera. Educação de jovens e adultos: prática pedagógica e fortalecimento da cidadania. São Paulo: Cortez, 2012.


domingo, 21 de maio de 2017



Ao iniciarmos a interdisciplina de Organização e Gestão da Educação, nos deparamos com conceitos já conhecidos e debatidos em educação. No entanto, repensá-los sempre é uma atualização de pensamentos e um novo relacionamento com o contexto em que estamos vivendo. Democracia, cidadania, políticas públicas, poder e participação, entre outros, são conceitos que já vivenciamos, mas que continuam fazendo parte das nossas escolhas diárias.

A escola é a sede das formações e transformações de pensamentos. A caminhada percorrida pela criança em qualquer instituição educacional vai contribuir e/ou direcionar suas atitudes quanto à compreensão de seus direitos e deveres como cidadão de uma sociedade. Portanto, cada escola deve proporcionar o debate entre seus profissionais para compreender o momento atual, estudar as possibilidades de intervenção e garantir o direito maior da criança à educação. Assim, nenhuma modalidade de ensino pode ficar de fora deste processo. Conforme Campos (2012):

O trabalho pedagógico voltado para a formação cidadã do aluno nos primeiros anos do ensino fundamental requer do professor conhecimentos sobre o conjunto dos direitos e deveres que cabem à criança, para que ele possa eleger estratégias didáticas que levem o aluno a construir valores, habilidades e atitudes ligados ao exercício de sua cidadania. (CAMPOS, 2012, p.37).

Na fala da autora encontramos o exemplo de formação nos anos iniciais, mas esta tarefa não se restringe a esta etapa, pois a criança cresce e deve ser convidada a refletir continuamente sobre seu papel na sociedade. Conhecer o seu meio, identificar-se e constituir um grupo, faz do indivíduo um ser participativo e responsável por suas escolhas. 

No entanto, esta visão sobre direitos e deveres só será incorporada pela criança se ela vivenciar estas ações em seus espaços de convivência. Esta aprendizagem, então, será duradoura e extrapolará o espaço escolar, servindo de modelo para suas condutas e sua contribuição nas relações sociais.


REFERÊNCIAS:

CAMPOS, Helena Guimarães. A história e a formação para a cidadania nos anos iniciais do ensino fundamental. São Paulo: Livraria Saraiva, 2012.


domingo, 14 de maio de 2017


PROFESSOR DOS ANOS INICIAIS

Durante o desenvolvimento do Projeto de Aprendizagem, tarefa da interdisciplina Projeto Pedagógico em Ação, com os alunos da 3ª série do Ensino Fundamental, algumas reflexões surgiram, principalmente em relação à formação do professor que trabalha com os anos iniciais.

Como usamos os temas “Saúde” e “Higiene” como ponto de partida para os alunos definirem sua questão de investigação, percebemos o quanto o professor das séries iniciais precisa ter um embasamento multidisciplinar. Ao mesmo tempo, seu planejamento é construído de forma articulada com diferentes áreas do conhecimento, buscando maior profundidade conforme o interesse e/ou significado despertado na criança.

Talvez, por este olhar naturalmente globalizado, o professor desta modalidade de ensino tenha maior flexibilidade em transitar pelas diversas áreas do conhecimento, valorizando a realidade e a cultura da sociedade contemporânea na vivência dos alunos. Nas palavras de Kindel (2012):

Uma professora dos anos iniciais tem muito mais competência para articular áreas porque não pensa, assim como os professores de áreas específicas, que determinada área é mais importante que outra, ou merece mais espaço nos currículos. Provavelmente, também, crianças que passam por experiências pedagógicas multidisciplinares conseguirão compreender de modo bem mais amplo este mundo. (KINDEL, 2012, p. 29).

Nas palavras acima, a autora valoriza a maior flexibilidade de adaptação de um professor das séries iniciais em relação ao professor das séries finais. No entanto, a articulação é possível em todas as esferas de ensino, desde que o educador vislumbre a evolução da aprendizagem de seu aluno como meta, não apenas a aquisição de um conhecimento específico. Qualquer professor pode ter este olhar multidisciplinar se garantir que a sua prática não seja seletiva, mas que seja agregadora de qualquer conhecimento.

É deste modo que podemos identificar o Projeto de Aprendizagem que estamos desenvolvendo com os alunos como “uma experiência pedagógica multidisciplinar”. Quando abrimos espaços na sala de aula para pesquisas, debates, conversas extraclasse com pessoas diversas, entre outros, estamos oportunizando uma maior compreensão do mundo em que vivemos. Não desenvolvemos apenas olhares científicos, históricos, lógicos e sociais nos alunos. Incentivamos, também, seu interesse em aprender algo novo e/ou solucionar um problema, independente do caráter disciplinar envolvido na questão.


REFERÊNCIAS:

KINDEL, Eunice Aita Isaia. Práticas pedagógicas em ciências: espaço, tempo e corporeidade.Erechim: Edelbra, 2012.


domingo, 7 de maio de 2017


VIVER A APRENDIZAGEM

Pensar em projeto remete a uma ideia de etapas a cumprir. Nós, professores, ao elaborarmos um projeto, queremos ter sob controle os procedimentos de execução de forma a obter os resultados esperados. Isto vale para projetos de trabalho onde o planejamento envolve etapas conhecidas de desenvolvimento e as usamos para que os alunos sejam bem orientados durante a construção dos conhecimentos.

No entanto, no estudo sobre Projetos de Aprendizagem, proposto pela interdisciplina Projeto Pedagógico em Ação, percebemos que o resultado continua sendo importante, mas não é o foco da aprendizagem. As buscas, os questionamentos, as ações de investigação que os alunos adotam é que se tornam importantes na constituição de um indivíduo que sistematiza o seu pensamento e constrói soluções para a sua realidade.

Mesmo que o professor proponha um tema central, quando os alunos apontam suas dúvidas temporárias e suas certezas provisórias, se estabelece uma aprendizagem com caminhos abertos de investigação. Neste contexto, os alunos participarão colaborativamente, trocando informações e ideias, questionando conceitos e concepções e, o mais importante, estarão protagonizando o seu processo de aprendizagem. Com a essência no interesse do aluno, o projeto se torna pessoal para ele, comprometendo-o naturalmente nesta caminhada em busca do saber. Nas palavras de Rios (2002):

Se a educação é um processo contínuo de busca de um saber ampliado e aprofundado, de um viver inteiro, é preciso que os indivíduos estejam inteiros nessa busca. Ao lado da razão, a imaginação, os sentimentos, os sentidos são instrumentos de atuação na realidade e criação de saberes e valores. (RIOS, 2002, p. 61).


E foi nesta concepção de ”estar inteiro na busca da aprendizagem” que me questiono como professora. Desenvolver Projetos de Aprendizagem é soltar algumas amarras que nos dão segurança para obter resultados, tornando assim o planejamento mais flexível para valorizar as caminhadas individuais dos alunos. Não podemos esquecer, portanto, que o próprio projeto é uma aprendizagem contínua para professores e alunos.


REFERÊNCIAS:

RIOS, Terezinha Azerêdo. Compreender e ensinar: por uma docência da melhor qualidade. São Paulo: Cortez, 2002.

domingo, 30 de abril de 2017

TODO SER HUMANO É UM EDUCADOR EM POTENCIAL.

Para ser professor é preciso ser um conhecedor de relações humanas. Ao conviver com seus alunos, o professor faz dos conteúdos objetos de aprendizagem que servem de material para estabelecer a construção da educação propriamente dita. Aprendemos uns com os outros, na convivência e na identificação. É por isso que é tão importante trabalharmos sobre a aprendizagem na vida adulta e as relações humanas na educação, temas abordados na interdisciplina Psicologia na Vida Adulta.

Muitas vezes, como professora, enfrento situações difíceis de serem contornadas, visto que crianças e adolescentes desafiam regras estabelecidas com a maior naturalidade, o que nos deixa inseguros em mediar os conflitos. Percebo a necessidade de refletir com os colegas e abordar com os alunos estas dificuldades de relacionamento, visto que o autoconhecimento é o melhor caminho para fazer escolhas.

Somos adultos, educadores por profissão, mas indivíduos que nunca estarão prontos na vida, pois viver sempre será um aprendizado. Ao mesmo tempo, servimos de modelos e de orientadores a outros aprendizes, e a escola é nosso espaço teórico e prático. Nas palavras de Tiba (2011):
Todo ser humano é um educador em potencial, pois já nasce um aprendiz. Se ninguém lhe ensina nada, aprende com as próprias experiências. A educação é fundamental para a sobrevivência da civilização e da cultura. Não podemos mais imaginar que alguém viva absolutamente isolado da influência dos outros. (TIBA, 2011, p.103).

Portanto, ser professora é uma experiência diária que influencia nossas atitudes e a dos alunos. Não somos imunes as nossas emoções nem ao comportamento dos outros. Aprender a lidar com as emoções e buscar satisfação nesta tarefa, além de facilitar nossas relações, ajuda também na construção do autoconhecimento tão desejado.


REFERÊNCIAS:

TIBA, Içami. Pais e educadores de alta performance. São Paulo: Integrare Editora, 2011.


domingo, 23 de abril de 2017

REVENDO NOSSA ESCRITA





Aprendizagem é um processo pessoal. No caso do professor, sua formação envolve um questionamento permanente de saberes e experiências. Para nós, alunos-professores, vivenciar estas práticas muitas vezes nos desestabiliza, mas é o desequilíbrio que nos faz repensar e reconstruir.

Neste semestre, a atividade do Seminário Integrador propõe a análise do Portfólio de Aprendizagens, tanto o nosso quanto de uma colega. Escrever sobre nossas interpretações na área educacional já virou um hábito e um alicerce em nossa formação. No entanto, retomar nossa escrita e também de uma colega com um olhar reflexivo, além de ser algo novo, acrescenta uma postura de pesquisa que também deve se tornar um hábito.

Nosso blog é um espaço de expressão de ideias e questionamentos. Cada postagem representa um momento destacado em nossa formação no curso de Pedagogia e na prática diária na escola. Quando usamos um olhar crítico para analisar a nossa escrita ou a da colega, percebemos o quanto a prática constante da escrita autoral aprimora o método e facilita a transição para uma escrita mais consistente, que discute teoria e prática.

Ao nos referirmos a uma postagem reflexiva/reconstrutiva, buscamos um questionamento que nos sintoniza com a realidade e nos compromete com as demandas atuais na educação. Não queremos parar no tempo nem ficar fora das escolhas dos alunos. Queremos ser pesquisadores da nossa prática e da aprendizagem dos alunos. Revendo as palavras de Freire (1996, p.14):

Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. Esses que-fazeres se encontram um no corpo do outro. Enquanto ensino continuo buscando, reprocurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para constatar, constatando, intercenho, intervindo, educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço  e comunicar ou anunciar a novidade. (FREIRE, 1996, p.14).

As palavras do educador Paulo Freire endossam nossas experiências no curso e nos deixam seguros de que estamos no caminho certo. Educação se faz com pensamento, com análise e autoconhecimento. Também se faz com liberdade de pesquisa e interpretação. No entanto, tudo isso precisará de uma motivação maior para se estabelecer: a vontade de mudar.

REFERÊNCIAS:

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.


domingo, 16 de abril de 2017



VONTADE DE APRENDER
Na proposta atual do Seminário Integrador, o “pensar” e o “fazer” estão bem sinalizados quando refletimos sobre a atuação do professor e o quanto a aprendizagem por Projetos diversifica a nossa compreensão sobre o conhecimento transitável e a inversão contínua entre o que sabemos e o que poderemos aprender.

Regras e saberes confirmados podem ser revistos quando novas vivências do processo de conhecimento emergem de uma sociedade aprendente. Todos podem e devem experimentar novos conhecimentos. O professor, impulsionador deste processo, se permite refletir sobre sua prática e ir além para oportunizar também a reflexão de seu aluno. Nas palavras de Assmann (1998):

É preciso substituir a pedagogia das certezas e dos saberes pré-fixados por uma pedagogia da pergunta, do melhoramento das perguntas e do “acessamento” de informações. Em suma, por uma pedagogia da complexidade, que saiba trabalhar com conceitos transversáteis, abertos para a surpresa e o imprevisto. (ASSMANN, 1998, p.33)

Por falar em imprevisto, talvez seja este o obstáculo que impede a ação de muitos professores, temerosos de não dar conta de novas propostas. No entanto, a surpresa pode gerar encantamento e vontade de aprender, inclusive para o professor que precisa se aventurar nesta rede complexa que o conhecimento vai tecendo.

Portanto, cada educador, como essência de sua profissão, deve fazer da reflexão uma porta de entrada para novas experiências na busca de um conhecimento não permanente, mas passível de novas descobertas que o encantarão como aprendente.

REFERÊNCIAS:

ASSMANN, Hugo. Reencantar a educação: rumo à sociedade aprendente. Petrópolis, RJ: Vozes, 1998.

http://educacao.faber-castell.com.br/professores/trocando-ideias/ensinar-e-aprender-o-processo-de-ensino-e-o-processo-de-aprendizagem/ (Imagem)