VIVER A APRENDIZAGEM
Pensar em projeto remete a
uma ideia de etapas a cumprir. Nós, professores, ao elaborarmos um projeto,
queremos ter sob controle os procedimentos de execução de forma a obter os
resultados esperados. Isto vale para projetos de trabalho onde o planejamento
envolve etapas conhecidas de desenvolvimento e as usamos para que os alunos
sejam bem orientados durante a construção dos conhecimentos.
No entanto, no estudo sobre
Projetos de Aprendizagem, proposto pela interdisciplina Projeto Pedagógico em
Ação, percebemos que o resultado continua sendo importante, mas não é o foco da
aprendizagem. As buscas, os questionamentos, as ações de investigação que os
alunos adotam é que se tornam importantes na constituição de um indivíduo que
sistematiza o seu pensamento e constrói soluções para a sua realidade.
Mesmo que o professor
proponha um tema central, quando os alunos apontam suas dúvidas temporárias e
suas certezas provisórias, se estabelece uma aprendizagem com caminhos abertos
de investigação. Neste contexto, os alunos participarão colaborativamente,
trocando informações e ideias, questionando conceitos e concepções e, o mais
importante, estarão protagonizando o seu processo de aprendizagem. Com a
essência no interesse do aluno, o projeto se torna pessoal para ele, comprometendo-o
naturalmente nesta caminhada em busca do saber. Nas palavras de Rios (2002):
Se a educação é um
processo contínuo de busca de um saber ampliado e aprofundado, de um viver inteiro,
é preciso que os indivíduos estejam inteiros nessa busca. Ao lado da razão, a
imaginação, os sentimentos, os sentidos são instrumentos de atuação na
realidade e criação de saberes e valores. (RIOS, 2002, p. 61).
E
foi nesta concepção de ”estar inteiro na busca da aprendizagem” que me questiono
como professora. Desenvolver Projetos de Aprendizagem é soltar algumas amarras
que nos dão segurança para obter resultados, tornando assim o planejamento mais
flexível para valorizar as caminhadas individuais dos alunos. Não podemos
esquecer, portanto, que o próprio projeto é uma aprendizagem contínua para
professores e alunos.
REFERÊNCIAS:
RIOS, Terezinha Azerêdo. Compreender e ensinar: por uma docência da
melhor qualidade. São Paulo: Cortez,
2002.

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