domingo, 7 de maio de 2017


VIVER A APRENDIZAGEM

Pensar em projeto remete a uma ideia de etapas a cumprir. Nós, professores, ao elaborarmos um projeto, queremos ter sob controle os procedimentos de execução de forma a obter os resultados esperados. Isto vale para projetos de trabalho onde o planejamento envolve etapas conhecidas de desenvolvimento e as usamos para que os alunos sejam bem orientados durante a construção dos conhecimentos.

No entanto, no estudo sobre Projetos de Aprendizagem, proposto pela interdisciplina Projeto Pedagógico em Ação, percebemos que o resultado continua sendo importante, mas não é o foco da aprendizagem. As buscas, os questionamentos, as ações de investigação que os alunos adotam é que se tornam importantes na constituição de um indivíduo que sistematiza o seu pensamento e constrói soluções para a sua realidade.

Mesmo que o professor proponha um tema central, quando os alunos apontam suas dúvidas temporárias e suas certezas provisórias, se estabelece uma aprendizagem com caminhos abertos de investigação. Neste contexto, os alunos participarão colaborativamente, trocando informações e ideias, questionando conceitos e concepções e, o mais importante, estarão protagonizando o seu processo de aprendizagem. Com a essência no interesse do aluno, o projeto se torna pessoal para ele, comprometendo-o naturalmente nesta caminhada em busca do saber. Nas palavras de Rios (2002):

Se a educação é um processo contínuo de busca de um saber ampliado e aprofundado, de um viver inteiro, é preciso que os indivíduos estejam inteiros nessa busca. Ao lado da razão, a imaginação, os sentimentos, os sentidos são instrumentos de atuação na realidade e criação de saberes e valores. (RIOS, 2002, p. 61).


E foi nesta concepção de ”estar inteiro na busca da aprendizagem” que me questiono como professora. Desenvolver Projetos de Aprendizagem é soltar algumas amarras que nos dão segurança para obter resultados, tornando assim o planejamento mais flexível para valorizar as caminhadas individuais dos alunos. Não podemos esquecer, portanto, que o próprio projeto é uma aprendizagem contínua para professores e alunos.


REFERÊNCIAS:

RIOS, Terezinha Azerêdo. Compreender e ensinar: por uma docência da melhor qualidade. São Paulo: Cortez, 2002.

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