sábado, 24 de novembro de 2018



A P R E N D E R

Escrever em um blog, no caso um Portfólio de Aprendizagens, rotina de um aluno do curso de Pedagogia da UFRGS, tornou-me uma estudiosa no campo da reflexão. Relendo minhas postagens, sempre encontro referências para  questionamentos atuais, comprovando que a aprendizagem é permanente, principalmente porque, para nos atualizar, buscamos novos olhares para refazer nossas dúvidas.

Nesta linha, destaco uma postagem anterior, a “Estar vivo é aprender... ” onde, em 2016, eu já transitava neste tema da aprendizagem permanente. Em minha escrita, salientava a necessidade da leitura e da pesquisa, ambas fundamentadas na experimentação, o que validaria a compreensão dos fatos. Argumentar, então, tornou-se uma prática, cada vez mais explorada dentro do nosso curso.

Voltando à postagem antiga, percebo que nosso desenvolvimento como educadores foi embasado em reflexões sobre pensamentos de autores e profissionais competentes em suas áreas, o que justifica nosso crescimento pedagógico atual. Sendo assim, é essencial mantermos a visão de que a aprendizagem nos move e que sua busca torna nossa vida mais significativa e engajada neste mundo, conforme as palavras de Brandão (2005, p. 86):

Não somos quem somos, como seres humanos, porque somos racionais. Somos humanos e somos racionais porque somos aprendentes. Somos seres dependentes por completo do que aprendemos. Aprendemos bem mais do que os simples adestramentos dos animais com quem compartimos o planeta Terra. Aprendemos não apenas os saberes do mundo natural, mas a complexa teia de símbolos, de sentidos e de significados que constituem o mundo da cultura. (BRANDÃO, 2005, p. 86).


Por fazermos parte, então, deste mundo da cultura, ou melhor, de um mundo multicultural, os saberes se entrelaçam perante os encontros e diálogos entre as pessoas, o que se confirma em uma aprendizagem constante, não havendo como fugir disto. Portanto, é preciso saber reconhecer o valor de partilhar a vida e aproveitá-lo para sermos pessoas melhores, repercutindo, inclusive, em nossa profissão.

REFERÊNCIAS:

BRANDÃO, Carlos Rodrigues. Comunidades aprendentes. In: FERRARO JÚNIOR, Luiz Antonio. (org.). Encontros e caminhos: formação de educadoras(es) ambientais e coletivos educadores. Brasília: MMA, Diretoria de Educação Ambiental, 2005.




sábado, 17 de novembro de 2018


Uma das atividades do curso de Pedagogia, neste semestre, consistia em uma nova visitação às interdisciplinas já cursadas, na busca de textos que servissem de referencial teórico para as atividades atuais. Confesso que a minha primeira impressão foi de que seria uma tarefa metódica, mais de pesquisa do que reflexão. No entanto, ao rever os textos e reorganizar os temas e os conceitos trabalhados, percebi o quanto minha formação foi enriquecida e subsidiada por autores competentes, selecionados também pela competência dos professores do curso.

Ao acompanhar a trajetória das interdisciplinas que cursei até aqui, acabei tecendo uma relação de complexidade pois os assuntos interagem e se sobrepõem em uma nova visão de minha docência. Assim como o período atual do estágio é um aprendizado, para chegar a ele foi preciso construir uma base sustentada também por conhecimentos construídos pela experimentação e reflexão. Experiências necessárias para estimular percepções e interpretações, onde nós, indivíduos, nos expressamos através de nossa corporeidade.

Ao falar em percepção, então, destaco uma das primeiras interdisciplinas do curso: Corporeidade – Epistemologia e vivências do aprender. Hoje, no oitavo semestre, desenvolvendo o estágio com uma turma da EJA (Educação de Jovens e Adultos), cada vez mais encontro reflexos da importância das dimensões corporais em minhas ações e intervenções durante minha prática. Há, portanto, uma necessidade contínua de autoconhecimento tanto do corpo quanto de seus movimentos, pois é através deles que percebemos e expressamos nossos sentimentos. Conforme Santin (1987, p. 61):

O homem é essa realidade que se manifesta e se expõe diariamente à óticas abrangentes nos campos perceptivos, através da infinidade de suas possibilidades expressivas, instauradas pela dinâmica da corporeidade. O homem é uma autoconstrução corporal. (SANTIN, 1987, p. 61).

Como cada indivíduo constrói sua imagem corporal, não podemos privar nossos alunos de vivências de aprendizagem com o outro e com o meio, pois nas interações vividas o indivíduo se torna consciente de si e do meio que o cerca. Embora “corpo” seja de certa forma um conceito material, ele ultrapassa este patamar quando pensamos em aprendizagens, visto que ao aprendermos algo novo, reconfiguramos todo um sistema, reestabelecendo múltiplas conexões coordenadas por nosso cérebro/mente. Esta explicação se justifica nas palavras de Assmann (1998, p. 41): “[...] é que qualquer processo pedagógico somente será significativo para os aprendentes na medida em que produz essa reconfiguração do sistema complexo cérebro/mente (e corporeidade inteira).”

Assim, se é a aprendizagem significativa que buscamos em nossas práticas pedagógicas, precisamos oportunizar as relações entre alunos, natureza e cultura, pois a aprendizagem humana acontece em corporeidades. Ao mesmo tempo, como professores, também devemos participar destas relações, principalmente porque é através de vivências que o processo educativo se estabelece.

REFERÊNCIAS:

ASSMANN, H. Reencantar a educação: rumo à sociedade aprendente. RJ: Vozes, 1998.

SANTIN, S. Educação Física: Outros Caminhos. Ijuí: UNIJUI, 1987.



sábado, 10 de novembro de 2018

Música que encanta por trazer metáforas sobre a vida.

Cada dia pode trazer novidades se estamos dispostos a experimentar. Nesta semana, a tarefa da interdisciplina de Matemática para os anos iniciais abordava vídeos com versões diferentes para a música Aquarela, da autoria de Toquinho, Vinícius de Moraes, G. Morra e M. Fabrizio. A tarefa era simples, mas o fato de assistir aos vídeos e ouvir novamente esta música aguçou minhas memórias, despertando a vontade de inserir novamente em minhas aulas, esta obra-prima de sensibilidade e criatividade humana. No caso da atividade da interdisciplina, foi interessante aproveitar as linhas e formas e as metáforas da vida evidenciadas na música, para propor uma oficina de aprendizagem com estes temas na Matemática. Ao mesmo tempo, a utilização de cores e a relação com a natureza torna o aprendizado mais concreto e significativo ao aluno, ultrapassando o que ele considera como limites da Matemática.


Voltando à questão da experimentação, releituras de obras clássicas sempre abrem portas para novas interpretações, muitas vezes atemporais. A maior vantagem, neste caso para o professor, é a possibilidade de se reinventar, seja na adaptação de suas memórias visuais ou na adaptação das auditivas, o que diversifica suas intenções pedagógicas. Conforme Buoro (2002, p. 23):

Sendo assim, por releitura entende-se aqui a tradução da significação do objeto como fundamento de uma nova construção, buscando-se nessa ação a ressignificação do mesmo objeto: reler para aprofundar significados. Dessa forma, considera-se que toda nova produção oriunda de uma imagem referente é construção de um novo texto, no qual o sujeito produtor elabora uma interpretação, podendo até mesmo partir para a criação. (BUORO, 2002, p. 23).


Então, ao interpretarmos uma imagem, um som, um movimento, entre outros, estamos construindo um significado para cada conceito, e a reunião deles constitui o contexto das nossas aprendizagens. Por outro lado, ao ampliarmos estas aprendizagens também para nossos alunos, estaremos proporcionando novas leituras da realidade, explorando com eles a análise crítica tanto como fonte de criatividade quanto de expressão.  


REFERÊNCIAS:

BUORO, A. B. Olhos que pintam: a leitura da imagem e o ensino da arte. São Paulo: Educ/FAPESP/Cortez, 2002.


sábado, 3 de novembro de 2018


REFLEXÕES


A cada nova reflexão, um novo questionamento se constrói na medida em que vamos avançando no curso de Pedagogia. Quando pensamos que construímos um conceito, novos significados são agregados e lá vem uma nova dúvida. Assim como a aprendizagem constitui uma competência humana fundamental, faz parte dela o questionamento constante de seus resultados. Ninguém está pronto para um conhecimento. Ele sempre pode ser ampliado, expandido em suas abordagens, o que torna a aprendizagem tão desafiadora.

Como professora, voltar a fazer estágio não é refazer um caminho de aprendizagens na profissão, é percorrer uma nova estrada pedagógica onde os obstáculos tecnológicos e conceituais das novas gerações também são fontes de aprendizagem, sobretudo reconstrutiva. Conforme Demo (2000, p.59):

Para a teoria e a prática da aprendizagem reconstrutiva é fundamental a concepção de conhecimento como projeto aberto, entre outras coisas, porque aproxima o conhecimento da sabedoria à medida que se trata de tomar os limites como desafios e os desafios como horizontes limitados. Não vamos aqui discutir o que é sabedoria. Aceitamos como a arte de lidar com limites e desafios de maneira inteligente, de modo flexível, maleável, aproximativo, como todo processo aberto de aprendizagem. (DEMO, 2000, p. 59).


No contexto do meu estágio na EJA (Educação de Jovens e Adultos) os desafios sinalizam a transposição da teoria para a minha prática. Minhas experiências anteriores são importantes mas, como foi citado acima, saber lidar com nossos limites e com a diversidade dos alunos de forma flexível, maleável, nos coloca no caminho da sabedoria da vida, ou melhor, na busca do conhecimento das relações humanas.

Então, nas reflexões semanais sobre meu planejamento do estágio, fatos e interpretações das experiências vividas parecem instrumentos que compõem uma música para meu trabalho. Todas as dificuldades se justificam quando percebo que, seja na alfabetização ou na formação de valores com os adultos, sempre há espaço para novas aprendizagens, inclusive dos dois lados.


REFERÊNCIAS:

DEMO, Pedro. Conhecer & aprender: sabedoria dos limites e desafios. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.


sábado, 27 de outubro de 2018

Meu Curso e Eu

Agora que estamos no oitavo semestre do curso de Pedagogia, percebo o quanto o movimento de pesquisa – reflexão – ação determinou uma consistência nas minhas aprendizagens. No início era uma tarefa exaustiva, principalmente pela necessidade de usar as ferramentas digitais que também fariam parte do meu aprendizado. Neste período, meu Portfólio contou com comentários curtos e/ou descrições das minhas impressões de vivências das interdisciplinas do curso. Aos poucos, em virtude dos embasamentos teóricos, minhas postagens foram alimentadas com experiências e interpretações, tanto da realidade quanto da pedagogia escolar. Um mosaico entre teoria e prática foi sendo composto, agora não tão difícil de materializar no blog.

Desta forma, fui aprendendo a ter um olhar multicultural, evidenciado na interdisciplina Escola, Cultura e Sociedade, bem como a revisitar as memórias de uma escola através de uma perspectiva histórica. Na sequência, estudar sobre a infância e sobre o lúdico na educação, perpassados por uma corporeidade humana, me fez crescer como pessoa e como profissional. Interdisciplinas que nos fizeram repensar a representação do mundo, seja na Matemática ou nas Ciências Naturais, também ampliaram nossos horizontes e se somaram ao nosso novo perfil de professor: o reflexivo. Encontro justificativa para este perfil nas palavras de Alarcão (2005, p. 99): “Uma prática reflexiva leva à (re)construção de saberes, atenua a separação entre teoria e prática e assenta na construção de uma circularidade em que a teoria ilumina a prática e a prática questiona a teoria”.

Assim, tanto a teoria quanto a prática precisam andar juntas e é por esta razão que minha concepção atual de docência passa por uma compreensão reflexiva. Aqui também destaco a importância dos estudos de Psicologia no curso, pois a aprendizagem envolve relações humanas e o professor deve saber fazer uso delas. Então, conhecer nossos alunos vai além das observações, percorrendo as interações, incluindo as afetivas, que tanto nos confortam para conviver com as diferenças.

Neste momento, retorno no tempo e relembro meu início profissional. Há muitos anos, quando escolhi ser professora, acreditava que ter domínio sobre conteúdos era a chave para ensinar meus alunos. Hoje, no entanto, creio que cada dia é uma aprendizagem e que na interação com os alunos o ensino se estabelece, onde tanto alunos quanto professores aprendem. Várias vezes sinalizei esta compreensão em meu Portfólio e, ao reler a postagem Meu blog e eu , realimentei meus ideais do curso.

Felizmente, é possível mudarmos nossas concepções e cada vez mais buscarmos respostas para novos questionamentos, inclusive para tornar nosso trabalho mais significativo. Portanto, nossa evolução pedagógica é o resultado de uma caminhada contínua na busca de uma reflexão permanente em nossos projetos de vida.

REFERÊNCIAS:

ALARCÃO, Isabel. (Coord.). Formação reflexiva de professores: estratégias de supervisão. Porto: Porto Editora, 2005.




sábado, 20 de outubro de 2018

FLEXIBILIDADE
Refletir sobre nossas aprendizagens traz, além de uma conscientização, um estímulo para nos aventurarmos em novos desafios, como no planejamento de uma aula. Quando planejamos, visualizamos futuros resultados, o que nos direciona na escolha de métodos o de ações para alcançá-los. Enquanto o planejamento é teórico, sua aplicação está no campo da prática, onde a flexibilidade se torna necessária para explorar as interpretações dos alunos.

Com este intuito, percebemos que ser flexível é uma habilidade a ser desenvolvida por cada professor no decorrer de sua prática pedagógica. Nas palavras de Rojo (2012, p. 27):

Vivemos em um mundo em que se espera (empregadores, professores, cidadãos, dirigentes) que as pessoas saibam guiar suas próprias aprendizagens na direção do possível, do necessário e do desejável, que tenham autonomia e saibam buscar como e o que aprender, que tenham flexibilidade e consigam colaborar com urbanidade. (ROJO, 2012, p. 27).


Contextualizando essa necessidade de flexibilidade nas aulas, trago um exemplo de como devemos estar abertos a novas aprendizagens, inclusive se vierem como sugestões de alunos. Foi o caso de uma revisão que fiz sobre figuras geométricas com os alunos de 7 e 8º anos, nas aulas de Matemática, inspirada nas comparações entre formas bi e tridimensionais realizadas nas atividades da interdisciplina Matemática nos Anos Iniciais, do curso de Pedagogia. Através de um simples planejamento de representação de contornos e superfícies, utilizando blocos lógicos, interpretações foram desencadeadas nos alunos, culminando em uma nova proposta envolvendo também arte e criatividade: desenhos criados a partir de composição de figuras. O interessante é que novos elementos vieram para o debate, como os objetos do cotidiano e até um jogo eletrônico construído com blocos, o Minecraft.

Toda esta reflexão revisita a ideia de que a aula é um momento ímpar de aprendizagem visto que, dependendo das interações entre alunos e professores, é possível transformar conceitos e discursos em novos modos de interpretar o mundo. Ser um professor flexível, então, é aproveitar as ferramentas disponíveis, incluindo os estímulos advindos dos alunos, para direcionar a própria prática.


REFERÊNCIAS:

ROJO, Roxane. Pedagogia dos multiletramentos: diversidade cultural e de linguagens na escola. In: ROJO, Roxane; MOURA, Eduardo. (orgs.). Multiletramentos na escola. São Paulo: Parábola Editorial, 2012.


sábado, 13 de outubro de 2018

SIGNIFICADOS - Valores Educacionais


Como estagiária de Pedagogia, cada leitura nova é fonte de interpretações. Com base nisto, tenho procurado estudar novamente os métodos de ensino para comparar com minhas experiências e repensar a validade ou não de determinada técnica. Revisitei alguns autores que tratam dos processos de ensino e encontrei algumas reflexões pertinentes ao meu trabalho de estágio com alunos da EJA (Educação de Jovens e Adultos), principalmente em um estudo sobre o processo ensino-aprendizagem. Embora seja um tratado antigo, muitas considerações se refletem na escola atual, como quando Kuethe (1978, p. 152) diz:

Os métodos de ensino empregados pelos educadores determinam em parte o ambiente da escola. Os estudantes ajustam-se a esse ambiente com vários graus de êxito, dependendo, em parte, da natureza do ambiente. Os métodos de ensino bem sucedidos produzem um ambiente em que tanto as metas como os valores educacionais são preservados. Ao mesmo tempo, o ambiente deve ser de tal natureza que os estudantes possam ser motivados a “engajar-se” e sentir que tem uma garantia razoável de sucesso. (KUETHE, 1978, p. 152).


Quando reflito sobre minha turma da EJA, percebo que não basta conhecer os alunos, é preciso também encontrar métodos que atendam os objetivos da aprendizagem conforme as intenções pedagógicas e os interesses da turma. Criar um ambiente de aprendizagem é uma conquista diária e envolve a integração do grupo. Cada professor precisa selecionar e adaptar estratégias que sirvam para promover a aprendizagem e que tragam com ela o autoconhecimento para o aluno.

Com esta visão, cada vez mais necessitamos compreender o desenvolvimento da inteligência humana e experimentar meios de construir uma aprendizagem significativa. Conforme Antunes (2001, p. 8): “Conhecer as novas descobertas sobre a inteligência constitui um caminho seguro para fazer da sala de aula uma oficina de pensamentos significativos.” Como professores pesquisadores, então, buscamos também ressignificar a aprendizagem para que ela sirva de transformação humana para nossos alunos.

Assim, desenvolver habilidades  e construir conceitos constitui metas de um planejamento educacional, o qual visa preparar o aluno para atuar em sociedade. Não existe um método único, tampouco superioridade de novos métodos sobre os velhos. A educação é muito mais que uma sequência de procedimentos didáticos. Ela é, certamente, uma coesão de intenções pedagógicas onde todos visam uma aprendizagem qualitativa, dando significado para as interações humanas.

REFERÊNCIAS:

ANTUNES, Celso. Trabalhando habilidades: construindo ideias. São Paulo: Scipione, 2001.

KUETHE, James L. O processo ensino-aprendizagem. Porto Alegre: Editora Globo, 1978.