sábado, 27 de outubro de 2018

Meu Curso e Eu

Agora que estamos no oitavo semestre do curso de Pedagogia, percebo o quanto o movimento de pesquisa – reflexão – ação determinou uma consistência nas minhas aprendizagens. No início era uma tarefa exaustiva, principalmente pela necessidade de usar as ferramentas digitais que também fariam parte do meu aprendizado. Neste período, meu Portfólio contou com comentários curtos e/ou descrições das minhas impressões de vivências das interdisciplinas do curso. Aos poucos, em virtude dos embasamentos teóricos, minhas postagens foram alimentadas com experiências e interpretações, tanto da realidade quanto da pedagogia escolar. Um mosaico entre teoria e prática foi sendo composto, agora não tão difícil de materializar no blog.

Desta forma, fui aprendendo a ter um olhar multicultural, evidenciado na interdisciplina Escola, Cultura e Sociedade, bem como a revisitar as memórias de uma escola através de uma perspectiva histórica. Na sequência, estudar sobre a infância e sobre o lúdico na educação, perpassados por uma corporeidade humana, me fez crescer como pessoa e como profissional. Interdisciplinas que nos fizeram repensar a representação do mundo, seja na Matemática ou nas Ciências Naturais, também ampliaram nossos horizontes e se somaram ao nosso novo perfil de professor: o reflexivo. Encontro justificativa para este perfil nas palavras de Alarcão (2005, p. 99): “Uma prática reflexiva leva à (re)construção de saberes, atenua a separação entre teoria e prática e assenta na construção de uma circularidade em que a teoria ilumina a prática e a prática questiona a teoria”.

Assim, tanto a teoria quanto a prática precisam andar juntas e é por esta razão que minha concepção atual de docência passa por uma compreensão reflexiva. Aqui também destaco a importância dos estudos de Psicologia no curso, pois a aprendizagem envolve relações humanas e o professor deve saber fazer uso delas. Então, conhecer nossos alunos vai além das observações, percorrendo as interações, incluindo as afetivas, que tanto nos confortam para conviver com as diferenças.

Neste momento, retorno no tempo e relembro meu início profissional. Há muitos anos, quando escolhi ser professora, acreditava que ter domínio sobre conteúdos era a chave para ensinar meus alunos. Hoje, no entanto, creio que cada dia é uma aprendizagem e que na interação com os alunos o ensino se estabelece, onde tanto alunos quanto professores aprendem. Várias vezes sinalizei esta compreensão em meu Portfólio e, ao reler a postagem Meu blog e eu , realimentei meus ideais do curso.

Felizmente, é possível mudarmos nossas concepções e cada vez mais buscarmos respostas para novos questionamentos, inclusive para tornar nosso trabalho mais significativo. Portanto, nossa evolução pedagógica é o resultado de uma caminhada contínua na busca de uma reflexão permanente em nossos projetos de vida.

REFERÊNCIAS:

ALARCÃO, Isabel. (Coord.). Formação reflexiva de professores: estratégias de supervisão. Porto: Porto Editora, 2005.




sábado, 20 de outubro de 2018

FLEXIBILIDADE
Refletir sobre nossas aprendizagens traz, além de uma conscientização, um estímulo para nos aventurarmos em novos desafios, como no planejamento de uma aula. Quando planejamos, visualizamos futuros resultados, o que nos direciona na escolha de métodos o de ações para alcançá-los. Enquanto o planejamento é teórico, sua aplicação está no campo da prática, onde a flexibilidade se torna necessária para explorar as interpretações dos alunos.

Com este intuito, percebemos que ser flexível é uma habilidade a ser desenvolvida por cada professor no decorrer de sua prática pedagógica. Nas palavras de Rojo (2012, p. 27):

Vivemos em um mundo em que se espera (empregadores, professores, cidadãos, dirigentes) que as pessoas saibam guiar suas próprias aprendizagens na direção do possível, do necessário e do desejável, que tenham autonomia e saibam buscar como e o que aprender, que tenham flexibilidade e consigam colaborar com urbanidade. (ROJO, 2012, p. 27).


Contextualizando essa necessidade de flexibilidade nas aulas, trago um exemplo de como devemos estar abertos a novas aprendizagens, inclusive se vierem como sugestões de alunos. Foi o caso de uma revisão que fiz sobre figuras geométricas com os alunos de 7 e 8º anos, nas aulas de Matemática, inspirada nas comparações entre formas bi e tridimensionais realizadas nas atividades da interdisciplina Matemática nos Anos Iniciais, do curso de Pedagogia. Através de um simples planejamento de representação de contornos e superfícies, utilizando blocos lógicos, interpretações foram desencadeadas nos alunos, culminando em uma nova proposta envolvendo também arte e criatividade: desenhos criados a partir de composição de figuras. O interessante é que novos elementos vieram para o debate, como os objetos do cotidiano e até um jogo eletrônico construído com blocos, o Minecraft.

Toda esta reflexão revisita a ideia de que a aula é um momento ímpar de aprendizagem visto que, dependendo das interações entre alunos e professores, é possível transformar conceitos e discursos em novos modos de interpretar o mundo. Ser um professor flexível, então, é aproveitar as ferramentas disponíveis, incluindo os estímulos advindos dos alunos, para direcionar a própria prática.


REFERÊNCIAS:

ROJO, Roxane. Pedagogia dos multiletramentos: diversidade cultural e de linguagens na escola. In: ROJO, Roxane; MOURA, Eduardo. (orgs.). Multiletramentos na escola. São Paulo: Parábola Editorial, 2012.


sábado, 13 de outubro de 2018

SIGNIFICADOS - Valores Educacionais


Como estagiária de Pedagogia, cada leitura nova é fonte de interpretações. Com base nisto, tenho procurado estudar novamente os métodos de ensino para comparar com minhas experiências e repensar a validade ou não de determinada técnica. Revisitei alguns autores que tratam dos processos de ensino e encontrei algumas reflexões pertinentes ao meu trabalho de estágio com alunos da EJA (Educação de Jovens e Adultos), principalmente em um estudo sobre o processo ensino-aprendizagem. Embora seja um tratado antigo, muitas considerações se refletem na escola atual, como quando Kuethe (1978, p. 152) diz:

Os métodos de ensino empregados pelos educadores determinam em parte o ambiente da escola. Os estudantes ajustam-se a esse ambiente com vários graus de êxito, dependendo, em parte, da natureza do ambiente. Os métodos de ensino bem sucedidos produzem um ambiente em que tanto as metas como os valores educacionais são preservados. Ao mesmo tempo, o ambiente deve ser de tal natureza que os estudantes possam ser motivados a “engajar-se” e sentir que tem uma garantia razoável de sucesso. (KUETHE, 1978, p. 152).


Quando reflito sobre minha turma da EJA, percebo que não basta conhecer os alunos, é preciso também encontrar métodos que atendam os objetivos da aprendizagem conforme as intenções pedagógicas e os interesses da turma. Criar um ambiente de aprendizagem é uma conquista diária e envolve a integração do grupo. Cada professor precisa selecionar e adaptar estratégias que sirvam para promover a aprendizagem e que tragam com ela o autoconhecimento para o aluno.

Com esta visão, cada vez mais necessitamos compreender o desenvolvimento da inteligência humana e experimentar meios de construir uma aprendizagem significativa. Conforme Antunes (2001, p. 8): “Conhecer as novas descobertas sobre a inteligência constitui um caminho seguro para fazer da sala de aula uma oficina de pensamentos significativos.” Como professores pesquisadores, então, buscamos também ressignificar a aprendizagem para que ela sirva de transformação humana para nossos alunos.

Assim, desenvolver habilidades  e construir conceitos constitui metas de um planejamento educacional, o qual visa preparar o aluno para atuar em sociedade. Não existe um método único, tampouco superioridade de novos métodos sobre os velhos. A educação é muito mais que uma sequência de procedimentos didáticos. Ela é, certamente, uma coesão de intenções pedagógicas onde todos visam uma aprendizagem qualitativa, dando significado para as interações humanas.

REFERÊNCIAS:

ANTUNES, Celso. Trabalhando habilidades: construindo ideias. São Paulo: Scipione, 2001.

KUETHE, James L. O processo ensino-aprendizagem. Porto Alegre: Editora Globo, 1978.


sábado, 6 de outubro de 2018




Esta semana iniciei meu estágio do curso de Pedagogia em uma turma na EJA (Educação de Jovens e Adultos), etapas iniciais (alfabetização). Após um período de observações, elaborei um planejamento procurando atender as singularidades identificadas na turma. Com quinze adultos de idades diferentes, a turma se caracteriza por uma heterogeneidade de conceitos e valores, o que me trouxe momentos de insegurança quanto aos métodos inicialmente adotados. No entanto, por estar na fase de estágio, este também é meu momento de aprendizado, devendo, portanto, aproveitar estas experiências para refletir tanto sobre o processo de alfabetização quanto de construção do conhecimento como um todo.

Como a turma tem perfil de uma escolarização inclusiva, cada aluno tem sua história de vida e seu processo muito peculiar de aprendizagem. Aprendi, neste início de estágio, a formatar um planejamento flexível, com abordagens diversificadas para atender melhor as diferenças, sejam ela intelectuais, práticas ou de valores. Percebi, também, que não existem métodos prontos, nem atividades definitivas para a aprendizagem. É na experimentação e no erro que achamos novos caminhos para direcionar um processo que visa construir conhecimento. Ao mesmo tempo, o papel do grupo é fundamental. Os colegas se reforçam nas atitudes de colaboração e de uma rotina diária que os une como turma e como parceiros de aprendizagens. Nas palavras de Machado (2011, p. 72):

No processo de escolarização inclusivo, o erro deve ser considerado parte integrante da aprendizagem, não pode ser sinônimo de nota baixa ou de “caneta vermelha” nas produções dos alunos. A aprendizagem sugere dúvidas, acertos, erros, avanços, descobertas. Suas fases não são lineares e constituem processos coletivos e/ou individuais, daí a importância do grupo e da colaboração entre os alunos da turma. Quando o conhecimento está imerso em uma rede de significações, o aluno efetivamente aprende, seja em grupo, seja individualmente. (MACHADO, 2011, p. 72).

E por falar em rede de significações, acredito que este seja o ponto de referência para minhas aulas. Buscar abordagens que promovam associações entre a vida dos alunos com a necessidade de aprender novas habilidades, sendo que eles possam, através delas, construir seu próprio conhecimento. Assim, prevejo muita pesquisa, interpretação e interatividade durante toda minha trajetória do estágio, o que justifica minha escolha profissional: a de ser uma educadora.

REFERÊNCIAS:

MACHADO, Rosângela. Educação inclusiva: revisar e refazer a cultura escolar. In: MANTOAN, Maria Teresa Eglér. (org.). O desafio das diferenças na escola. 4ª ed. - Petrópolis, RJ: Vozes, 2011.


sexta-feira, 28 de setembro de 2018



Como estagiária do curso de Pedagogia, me coloco como observadora de um grupo de alunos que, nas suas diferenças, encontram motivos comuns para fazerem parte de uma turma da EJA (Educação de Jovens e Adultos). Observar e refletir sobre os fatos constatados é fundamental para qualquer planejamento de um professor. Cada dia de convivência com uma turma enriquece o conhecimento humano necessário para reconhecer a pluralidade de relações, tempos e espaços dos sujeitos da EJA. Neste contexto, práticas pedagógicas flexíveis permitem a inclusão das diversidades e, no caso da alfabetização de jovens e adultos, também usar como referência as realidades e experiências de seus alunos. Conforme Paula e Oliveira (2011, p. 80):

Uma prática pedagógica comprometida com a educação dos jovens e adultos demanda uma construção permanente e coletiva. Ao conceber essa ação como dialógica, em interação, a linguagem torna-se instrumento potencial de expressão e de comunicação. Através dela os sujeitos expressam suas experiências, seus saberes e suas emoções e produzem cultura. (PAULA; OLIVEIRA, 2011, p. 80).

Então, no meu caso, conhecer os alunos implica em saber sobre suas histórias de vida e suas motivações para aprender. Como professora, represento uma pesquisadora da minha turma, alguém que elaborará seu planejamento pensando em um processo tanto formal quanto informal de aprendizagem.

Para alfabetizar é preciso dar significado para uma prática da língua materna que vai além de uma comunicação oral. É dar sentido para uma leitura que se faz necessária para todos, dentro e fora da escola, isto é, a leitura do mundo real em que vivemos. A construção de uma leitura e escrita coerentes com os direitos e deveres de um cidadão consolida a autonomia, o que promove a nossa inclusão na sociedade. Sendo assim, a razão maior de ser estagiária na EJA é tornar minha aprendizagem uma experiência de renovação profissional, onde ser professora ainda é minha maior motivação.

REFERÊNCIAS:

PAULA, Cláudia Regina de; OLIVEIRA, Maria Cristina de. Educação de Jovens e Adultos: a educação ao longo da vida. Curitiba: Ibpex, 2011.


sábado, 22 de setembro de 2018


CONHECIMENTOS PRÉVIOS

Todo aluno traz conhecimentos prévios que precisam ser conhecidos e aproveitados pelos professores. Considerei esta premissa ao elaborar a atividade final de um curso de extensão promovido pelo Planetário EAD, da UFRGS. Como o tema era o Sistema Solar na Sala de Aula, analisei os conteúdos das aulas de Ciências e elaborei um planejamento para a 6ª série do Ensino Fundamental.

Supõe-se que um aluno de 6º ano já tenha noções sobre dia e noite e que as relacione com o movimento de Rotação da Terra, bem como conheça as estações do ano, tendo no movimento de Translação as explicações para estes fenômenos. No entanto, é importante que o professor use estratégias para saber como os alunos relacionam os conceitos já estruturados, o que me fez revisar meus próprios conceitos, assunto para minha reflexão a seguir.

Sempre que tivermos como objetivo a construção de conceitos, devemos considerar que nossos alunos já apresentam concepções, mesmo simples ou primitivas, que determinarão a compreensão ou não da ciência formal. Estas concepções dos alunos que diferem da concepção científica para dado conceito são denominadas concepções alternativas ou conhecimentos prévios. Conhecer estas concepções e discuti-las com os alunos alinha o processo de ensino-aprendizagem, permitindo a reconstrução de conceitos. No entanto, o acúmulo de informações no ensino formal não garante que “explicações científicas” substituam estas concepções alternativas, visto que a interpretação dos fenômenos é pessoal. Conforme Campos e Nigro (2009, p. 70): “...o processo de organização dessas ideias é único, ou seja, as concepções alternativas que as crianças constroem são criações pessoais.”

Assim, as aulas de Ciências também trabalham com informações universais. Ao promover comparações nas aulas entre as explicações formais e as concepções dos alunos, estaremos oportunizando a eles a reflexão sobre os pontos falhos de suas próprias concepções. Seria uma estratégia para tornar as informações científicas mais significativas para os alunos, pois, ao ficarem insatisfeitos com os resultados, sentiriam a necessidade de modificar suas ideias para melhorar as explicações dos fatos, o que desencadearia a construção de um conhecimento. 

REFERÊNCIAS:

CAMPOS, Maria Cristina da Cunha; NIGRO, Rogério Gonçalves. Teoria e prática em ciências na escola: o ensino-aprendizagem como investigação. São Paulo: FTD, 2009.


sábado, 15 de setembro de 2018



Como professora de Matemática, considero que a criança aprende o que faz sentido para ela. Sendo assim, manipular objetos configura a vivência para aprender, onde o aluno faz a transposição entre as representações implícitas nos materiais concretos e as ideias matemáticas. Quando proporcionamos situações-problema em nossas aulas, estimulamos os alunos com desafios e os fazemos construir uma ideia ou um procedimento pela reflexão, o processo de aprendizagem se torna significativo e a nossa prática competente.

Neste contexto, trabalhar Geometria é aliar observação com ação e reflexão. É buscar nos materiais manipulativos recursos para despertar significados para a construção dos conceitos matemáticos. Nas palavras de Smole (1999, p.173):

Um material pode ser utilizado tanto porque a partir dele podemos desenvolver novos tópicos ou ideias matemáticas, quanto para dar oportunidade ao aluno de aplicar conhecimentos que ele já possui num outro contexto, mais complexo ou desafiador. O ideal é que haja um objetivo para ser desenvolvido, embasando e dando suporte ao uso. (SMOLE, 1999, p. 173).

Ao mesmo tempo, oportunizar as trocas e as discussões entre os alunos favorece a comunicação, o que enriquece os registros individuais e coletivos. Os relatos das impressões das experiências com os materiais socializam ideias que, mediadas pelo professor, constituem subsídios para a compreensão dos procedimentos trabalhados. Quando usamos uma simples régua para realizar medidas, por exemplo, não é apenas o comprimento de algo que calculamos, também consolidamos o procedimento de comparar unidades para identificar tamanhos diferentes e, posteriormente, construir representações mentais a partir de conceitos.

Além da régua, inúmeros materiais podem ser utilizados para despertar reflexões sobre espaço e forma. Destaco o geoplano­­­­ (placa de madeira de forma quadrada ou retangular onde são cravados pregos ou pinos formando uma malha quadriculada), onde, a partir dele, podemos fazer representações geométricas utilizando elásticos coloridos ou cordões. Como o geoplano permite a exploração das formas e propriedades das figuras planas, podemos utilizá-lo para construir conceitos de perímetro e de área.

Outra forma de explorar figuras planas é a manipulação de peças de um mosaico (conjunto de figuras planas coloridas que possuem várias relações umas com as outras). O fato de poder realizar composição e decomposição de figuras na busca de padrões desafia os alunos a buscar uma lógica, o que exige uma análise das figuras. 

Nesta linha, o Tangram ( quebra-cabeça chinês formado pela decomposição de um quadrado em 7 peças: 5 triângulos, 1 quadrado e 1 paralelogramo) também funciona como objeto de análise, permitindo a reflexão sobre as relações de forma e tamanho, contribuindo para o desenvolvimento de habilidades de percepção espacial.

Então, cabe a nós, professores, selecionar materiais que possam apoiar atividades que se destinem a construção de conhecimentos. Para aprender é preciso envolvimento, onde o aluno encontra justificativa para buscar um significado, inclusive o matemático.


REFERÊNCIAS:

SMOLE, Kátia C. S. A matemática na educação infantil: a Teoria das Inteligências Múltiplas na prática escolar. Porto Alegre: Artmed, 1999.