sábado, 22 de setembro de 2018


CONHECIMENTOS PRÉVIOS

Todo aluno traz conhecimentos prévios que precisam ser conhecidos e aproveitados pelos professores. Considerei esta premissa ao elaborar a atividade final de um curso de extensão promovido pelo Planetário EAD, da UFRGS. Como o tema era o Sistema Solar na Sala de Aula, analisei os conteúdos das aulas de Ciências e elaborei um planejamento para a 6ª série do Ensino Fundamental.

Supõe-se que um aluno de 6º ano já tenha noções sobre dia e noite e que as relacione com o movimento de Rotação da Terra, bem como conheça as estações do ano, tendo no movimento de Translação as explicações para estes fenômenos. No entanto, é importante que o professor use estratégias para saber como os alunos relacionam os conceitos já estruturados, o que me fez revisar meus próprios conceitos, assunto para minha reflexão a seguir.

Sempre que tivermos como objetivo a construção de conceitos, devemos considerar que nossos alunos já apresentam concepções, mesmo simples ou primitivas, que determinarão a compreensão ou não da ciência formal. Estas concepções dos alunos que diferem da concepção científica para dado conceito são denominadas concepções alternativas ou conhecimentos prévios. Conhecer estas concepções e discuti-las com os alunos alinha o processo de ensino-aprendizagem, permitindo a reconstrução de conceitos. No entanto, o acúmulo de informações no ensino formal não garante que “explicações científicas” substituam estas concepções alternativas, visto que a interpretação dos fenômenos é pessoal. Conforme Campos e Nigro (2009, p. 70): “...o processo de organização dessas ideias é único, ou seja, as concepções alternativas que as crianças constroem são criações pessoais.”

Assim, as aulas de Ciências também trabalham com informações universais. Ao promover comparações nas aulas entre as explicações formais e as concepções dos alunos, estaremos oportunizando a eles a reflexão sobre os pontos falhos de suas próprias concepções. Seria uma estratégia para tornar as informações científicas mais significativas para os alunos, pois, ao ficarem insatisfeitos com os resultados, sentiriam a necessidade de modificar suas ideias para melhorar as explicações dos fatos, o que desencadearia a construção de um conhecimento. 

REFERÊNCIAS:

CAMPOS, Maria Cristina da Cunha; NIGRO, Rogério Gonçalves. Teoria e prática em ciências na escola: o ensino-aprendizagem como investigação. São Paulo: FTD, 2009.


Um comentário:

  1. Nossa Anai, profundo! Eu queria saber mais: Teus alunos fizeram relações pertinentes sobre as questões de dia e noite? Lembravam de rotação e translação? Sigo por aqui te acompanhando, ok? Muito bom ler o que tu escreves. Teu blog esta show! Abraço, Betynha - Tutora PEAD2/UFRGS - Seminário Integrador, Eixo VIII.

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