sábado, 15 de setembro de 2018



Como professora de Matemática, considero que a criança aprende o que faz sentido para ela. Sendo assim, manipular objetos configura a vivência para aprender, onde o aluno faz a transposição entre as representações implícitas nos materiais concretos e as ideias matemáticas. Quando proporcionamos situações-problema em nossas aulas, estimulamos os alunos com desafios e os fazemos construir uma ideia ou um procedimento pela reflexão, o processo de aprendizagem se torna significativo e a nossa prática competente.

Neste contexto, trabalhar Geometria é aliar observação com ação e reflexão. É buscar nos materiais manipulativos recursos para despertar significados para a construção dos conceitos matemáticos. Nas palavras de Smole (1999, p.173):

Um material pode ser utilizado tanto porque a partir dele podemos desenvolver novos tópicos ou ideias matemáticas, quanto para dar oportunidade ao aluno de aplicar conhecimentos que ele já possui num outro contexto, mais complexo ou desafiador. O ideal é que haja um objetivo para ser desenvolvido, embasando e dando suporte ao uso. (SMOLE, 1999, p. 173).

Ao mesmo tempo, oportunizar as trocas e as discussões entre os alunos favorece a comunicação, o que enriquece os registros individuais e coletivos. Os relatos das impressões das experiências com os materiais socializam ideias que, mediadas pelo professor, constituem subsídios para a compreensão dos procedimentos trabalhados. Quando usamos uma simples régua para realizar medidas, por exemplo, não é apenas o comprimento de algo que calculamos, também consolidamos o procedimento de comparar unidades para identificar tamanhos diferentes e, posteriormente, construir representações mentais a partir de conceitos.

Além da régua, inúmeros materiais podem ser utilizados para despertar reflexões sobre espaço e forma. Destaco o geoplano­­­­ (placa de madeira de forma quadrada ou retangular onde são cravados pregos ou pinos formando uma malha quadriculada), onde, a partir dele, podemos fazer representações geométricas utilizando elásticos coloridos ou cordões. Como o geoplano permite a exploração das formas e propriedades das figuras planas, podemos utilizá-lo para construir conceitos de perímetro e de área.

Outra forma de explorar figuras planas é a manipulação de peças de um mosaico (conjunto de figuras planas coloridas que possuem várias relações umas com as outras). O fato de poder realizar composição e decomposição de figuras na busca de padrões desafia os alunos a buscar uma lógica, o que exige uma análise das figuras. 

Nesta linha, o Tangram ( quebra-cabeça chinês formado pela decomposição de um quadrado em 7 peças: 5 triângulos, 1 quadrado e 1 paralelogramo) também funciona como objeto de análise, permitindo a reflexão sobre as relações de forma e tamanho, contribuindo para o desenvolvimento de habilidades de percepção espacial.

Então, cabe a nós, professores, selecionar materiais que possam apoiar atividades que se destinem a construção de conhecimentos. Para aprender é preciso envolvimento, onde o aluno encontra justificativa para buscar um significado, inclusive o matemático.


REFERÊNCIAS:

SMOLE, Kátia C. S. A matemática na educação infantil: a Teoria das Inteligências Múltiplas na prática escolar. Porto Alegre: Artmed, 1999.

Um comentário:

  1. Sim Anai, entendi tudinho e adorei ver a professora de matemática dando uma aula aqui no blog. Otimo! Considerei uma Postagem do Tipo Interpretativa. Mas fiquei curiosa e vou ter que perguntar. Vais utilizar com os alunos da EJA esses materiais? Outra questão que preciso pontuar: Lembras que precisas fazer a revisão das postagens no blog relacionadas com uma reflexão sobre a evolução das concepções individuais no decorrer do curso. Trabalhar com os 4 primeiros semestres do Curso ? Aff, mais isso. Hehehe Contudo, segue escrevendo que sigo por aqui te acompanhando. Faz parte eu ter que te lembrar. Desculpa ai! Abraço, Betynha - Tutora PEAD2/UFRGS - Seminário Integrador, Eixo VIII.

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