sábado, 21 de abril de 2018




EJA: Histórias Fragmentadas

Ao idealizarmos uma escola, projetamos alunos com trajetórias lineares de aprendizagem, isto é, que progridem em ritmos acelerados. No entanto, cada aluno tem uma trajetória, nem sempre contínua. Com esta visão, começamos a nos questionar sobre como a pedagogia abrange e compreende as trajetórias fragmentadas dos educandos.

Em nossos estudos, percebemos que a história da EJA (Educação de Jovens e Adultos), procurando atender as especificidades desta fragmentação, traçou uma caminhada de inovação da teoria pedagógica. Mas, de onde vieram estas inovações? De uma necessidade maior dos educadores, em especial de Paulo Freire, incluindo o Movimento de Educação Popular, contestando a linearidade dos processos de aprendizagem que não contemplavam e, pior, não entendiam, os alunos que não se enquadravam nesta forma linear de educação.

E, ao falarmos em educação, também podemos destacar que o foco da EJA tem se mantido no termo educação e não  ensino. Um bom questionamento para repensarmos esta relação com a pedagogia: a educabilidade humana. Nas palavras de Arroyo (2011, p. 37):

As trajetórias de jovens e adultos populares estranham a docência porque não cabem nas crenças na linearidade dos processos de aprendizagem, mas também porque essas trajetórias quebram outra crença da pedagogia: a bondade, a inocência, educabilidade com que tem sido imaginada a infância que a pedagogia aprendeu a acompanhar e a ensinar. (ARROYO, 2011, p. 37).

Desafios diários, então, acompanham os profissionais que trabalham com estes jovens e adultos que buscam na EJA respostas para suas interrogações de vida. Ao mesmo tempo, precisamos abrir espaço para descobrir outros conhecimentos que fazem parte dos saberes populares que permeiam os percursos de vida destes alunos. Desta forma, cultura, ética e valores devem compor a pedagogia da EJA para que seus aprendizes tenham suas vidas valorizadas e consigam se situar nesta sociedade competitiva em que vivemos.


REFERÊNCIAS:

ARROYO, M. G. Educação de jovens-adultos: um campo de direitos e de responsabilidade pública. In: SOARES, L.; GIOVANETTI, M. A. G. C.; GOMES, N. L. (orgs.) Diálogos na educação de jovens e adultos. – 4ª ed. – Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2011.


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