domingo, 22 de maio de 2016

Poesia e Sentimento
Na leitura do material proposto pela interdisciplina de Literatura Infanto Juvenil, muitas reflexões podem ser feitas. Uma delas é o papel da poesia infantil no desenvolvimento da criança, ou seja, do pequeno leitor. A educação, historicamente, sempre esteve envolvida neste processo, o que podemos inferir nas palavras de Coelho(2000):

“Entre a poesia infantil tradicional e a contemporânea, há uma diferença básica de intencionalidade: a primeira pretendia levar seu destinatário a aprender algo para ser imitado depois; a segunda pretende levá-lo a descobrir algo à sua volta e a experimentar novas vivências que, ludicamente, se incorporarão em seu desenvolvimento mental/existencial.” (COELHO,2000, p.223-224)

A escola brasileira, por sua vez, acompanhou este processo, inicialmente utilizando-se da memorização de poemas para preparar o “adulto em miniatura” (até a primeira metade do século XX) na recitação em aulas e datas festivas. Era o predomínio, então, de poemas narrativos, recheados de exemplos, com o objetivo de gerar bons sentimentos.
Hoje, na escola e na vida, ler e dizer poesia é muito subjetivo, tem caráter pessoal e não pode ser imposto como forma de memorização de ações. Antes, a produção de poesia infantil era limitada a poemas lúdicos e ingênuos. Como compensação, as cantigas populares e as de roda, alimentavam o repertório das crianças, pois nas brincadeiras, elas precisavam saber de cor. Cantigas de ninar e as folclóricas também eram bem-vindas, perpetuando emoções e sentimentos de pertencimento ao grupo, superando a razão.
Portanto, o convívio com a poesia na escola, estimula a criança a desenvolver seu potencial intuitivo e criativo, conduzindo-a a redescobrir e reavaliar seus valores. É uma forma de fazê-la dialogar concomitantemente com a razão e a emoção, seja com a poesia lida ou ouvida, ou com a poesia cantada, através de um olhar de descoberta. Então, poesia não é só palavra, é também imagem e som, é um mundo compactado na obra do artista.

REFERÊNCIAS:

COELHO, Nelly Novaes. Literatura infantil: teoria, análise, didática. São Paulo: Moderna, 2000.

Um comentário:

  1. Anaí...teu texto me fez lembrar de uma poesia que gosto muito de trabalhar com meus alunos, quando quero convidá-los a entrar no mundo poético, sem que eles percebam, já estão envolvidos no mesmo!
    Usufrua, deleite:

    Poesia é... brincar com as palavras

    como se brinca com bola,

    papagaio, pião.

    Só que bola, papagaio, pião

    de tanto brincar se gastam.

    As palavras não:

    Quanto mais se brinca com elas,

    mais novas ficam.

    Como a água do rio

    que é água sempre nova.

    Como cada dia que é sempre um novo dia.

    Vamos brincar de poesia?
    José Paulo Paes

    Abraços

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