Poesia e Sentimento
Na
leitura do material proposto pela interdisciplina de Literatura Infanto
Juvenil, muitas reflexões podem ser feitas. Uma delas é o papel da poesia
infantil no desenvolvimento da criança, ou seja, do pequeno leitor. A educação,
historicamente, sempre esteve envolvida neste processo, o que podemos inferir
nas palavras de Coelho(2000):
“Entre
a poesia infantil tradicional e a contemporânea, há uma diferença básica de
intencionalidade: a primeira pretendia levar seu destinatário a aprender algo
para ser imitado depois; a segunda pretende levá-lo a descobrir algo à sua
volta e a experimentar novas vivências que, ludicamente, se incorporarão em seu
desenvolvimento mental/existencial.” (COELHO,2000, p.223-224)
A
escola brasileira, por sua vez, acompanhou este processo, inicialmente
utilizando-se da memorização de poemas para preparar o “adulto em miniatura”
(até a primeira metade do século XX) na recitação em aulas e datas festivas.
Era o predomínio, então, de poemas narrativos, recheados de exemplos, com o
objetivo de gerar bons sentimentos.
Hoje,
na escola e na vida, ler e dizer poesia é muito subjetivo, tem caráter pessoal
e não pode ser imposto como forma de memorização de ações. Antes, a produção de
poesia infantil era limitada a poemas lúdicos e ingênuos. Como compensação, as
cantigas populares e as de roda, alimentavam o repertório das crianças, pois
nas brincadeiras, elas precisavam saber de cor. Cantigas de ninar e as
folclóricas também eram bem-vindas, perpetuando emoções e sentimentos de
pertencimento ao grupo, superando a razão.
Portanto,
o convívio com a poesia na escola, estimula a criança a desenvolver seu
potencial intuitivo e criativo, conduzindo-a a redescobrir e reavaliar seus
valores. É uma forma de fazê-la dialogar concomitantemente com a razão e a
emoção, seja com a poesia lida ou ouvida, ou com a poesia cantada, através de
um olhar de descoberta. Então, poesia não é só palavra, é também imagem e som,
é um mundo compactado na obra do artista.
REFERÊNCIAS:
COELHO,
Nelly Novaes. Literatura infantil: teoria, análise, didática. São Paulo:
Moderna, 2000.

Anaí...teu texto me fez lembrar de uma poesia que gosto muito de trabalhar com meus alunos, quando quero convidá-los a entrar no mundo poético, sem que eles percebam, já estão envolvidos no mesmo!
ResponderExcluirUsufrua, deleite:
Poesia é... brincar com as palavras
como se brinca com bola,
papagaio, pião.
Só que bola, papagaio, pião
de tanto brincar se gastam.
As palavras não:
Quanto mais se brinca com elas,
mais novas ficam.
Como a água do rio
que é água sempre nova.
Como cada dia que é sempre um novo dia.
Vamos brincar de poesia?
José Paulo Paes
Abraços